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Crítica | The Shadow’s Edge (2025) traz Jackie Chan vivíssimo e ainda distribuindo porrada

Com Jackie Chan aos 71 anos, sem usar dublês, ainda sendo um espetáculo à parte, mas é Tony Leung Ka-fai quem quase carrega o filme inteiro nas costas

Raphael Klopper
Raphael Klopper Redação
4 de maio de 2026 · 4 min de leitura
Crítica | The Shadow’s Edge (2025) traz Jackie Chan  vivíssimo e ainda distribuindo porrada

Se você, como eu, não vinha acompanhando a carreira atual de Jackie Chan – sim ainda muito bem vivo e distribuindo ação kung-fu balética como sempre o fez tão bem – assistir ao infelizmente despercebido The Shadow’s Edge (2025) provavelmente poderá te deixar em reação de choque com um “UOU, VOCÊ TÁ VELHO”, de tão evidente que a idade de Jackie finalmente o alcançou.

A curiosidade para isso também pode advir do fato que houve pequeno burburinho clamando que Jackie Chan tinha acabado de entregar um dos seus melhores em muito tempo, e estou inclinado a acreditar, porque, santo Deus, isso aqui é absurdo – no bom sentido!

Começando como um thriller de assalto despirocada, com uma equipe com cara de grupo de K-pop, e montado como uma boneca russa de planos dentro de planos / reviravoltas dentro de reviravoltas, e cenas de ação hiper frenéticas que parecem fogos de artifício estourando seus sentidos na tela – a um passo da insanidade de ação “masala” indiana, mas ainda mantendo um pé no realismo.

Seguida de um jogo de gato e rato de duas horas e meia entre polícia e ladrões hackers high-tech e especialistas parkour, e o filme quase nunca perde essa energia elevada. Com uma linha de premissa balanceada entre a tensão sobre aparatos tecnológicos/inteligência artificial entrando em colapso por falhas de sistema, e o esforço humano tendo que se adaptar / retornar ao “old-school” pra encontrar um equilíbrio eficiente entre o moderno e o antigo.

Entra o Jackie como o velho fodão de bom coração e cheio de carisma, transformando isso numa história de mestre veterano orientando uma nova geração a se tornar especialista em operações secretas e vigilância, muito disso girando em torno da interação divertida entre o velho dragão com a novata Zhang Zifeng, no papel tradicional (duplo) da policial novata / filha de um parceiro falecido.

Com bastante drama simplista, mas bem realizado, e momentos de personagem, tanto para heróis quanto vilões, incluindo cenas tocantes e cheias de nuance, temas de paternidade e passagem de bastão entre gerações. E o filme acerta um equilíbrio inesperadamente perfeito com os vilões, aprofundando e humanizando eles sem diminuir sua crueldade e função antagonista na história! É tão bem equilibrado que, sem perceber, reacende um bom sabor dos melodramas de ação de Hong Kong, cheios daquele sentimentalismo meio piegas que, ainda assim, funciona.

Quando chega a marca de uma hora o negócio explode – metafórica e literalmente – em cenas de ação completamente insanas, quase ininterruptas, variando entre tiroteios táticos, brigas cruas corpo a corpo e muita luta com faca; tudo entregue com clareza visual eficiente e uma edição frenética bem dosada, que mesmo quando fica ridículo, exagerado – e inexplicavelmente sanguinário – eu não consegui parar de dar aquele sorrisinho bobo vendo o que tava na tela.

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Apesar de ser estruturado com uma edição no estilo frenético de TikTok, pensada pra consumo rápido ao longo de 140 minutos, o que às vezes acerta e às vezes erra entre cortes abruptos e trechos que se arrastam onde não deveriam. Ainda assim, é tão ágil e o fator entretenimento é tão bem sustentado, com bons personagens centrais e artes marciais de respeito sendo executadas por senhores de mais de 60 anos, que nunca descarrila de verdade.

Com Jackie Chan aos 71 anos, sem usar dublês, ainda sendo um espetáculo à parte, mas é Tony Leung Ka-fai quem quase carrega o filme inteiro nas costas, cortando gente como um açougueiro psicopata e descendo a porrada em andares inteiros de capangas no estilo de The Raid, sendo um antagonista imprevisível e ameaçador na maior parte do tempo.

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Além disso, todas as perseguições e sequências de rastreamento são conduzidas com tensão bem sustentada, e só lá pelos últimos 30 minutos você começa a sentir que talvez esteja se estendendo um pouco além do necessário – embora até a luta final entre “cachorro velho vs lobo velho” entre Jackie e Tony estivesse tudo ótimo; depois disso ainda se estende numa sequência de perseguição pra dar o clímax catártico ao elenco jovem.

E logo após os tradicionais erros de gravação nos créditos finais (marca registrada de filme do Jackie), eles ainda colocam uma cena pós-créditos preparando continuação – que eu só veria se o Jackie Chan ainda estiver envolvido e se resolverem pirar ainda mais! Acaba se alongando demais por causa disso tudo, mas olha… é difícil reclamar de um filme tão bem montado dentro de uma boa leva de ação pulp, personagens cativantes e o Jackie ainda sendo o Jackie – mais sério, mais brutal, mas ainda carismático como sempre na sua velhice – entregando um dos seus melhores trabalhos em bastante tempo!

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Raphael Klopper
Escrito por

Raphael Klopper

Jornalista eclético e amante de filmes desde o berço, que evoluiu ao longo dos anos para ser também um possível nerd amante de quadrinhos, games, livros, de todos os gêneros e tipos possíveis. E devido a isso, não tem um gosto particular, apenas busca apreciar todas as grandes qualidades que as obras que tanto admira.

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