Undertone: final explicado e o significado de Abyzou
Entenda o final ambíguo de Undertone e conheça a origem do demônio Abyzou, entidade central do terror da A24.
Aviso: este texto contém spoilers do final de Undertone.
O final ambíguo de Undertone, explicado
Undertone já abre em clima de horror sonoro: a jovem Evy Babic, vivida por Nina Kiri, canta a cantiga de ninar “Baa, Baa, Black Sheep” para a mãe terminal, acamada em silêncio absoluto dentro de uma casa opressivamente quieta. É esse tipo de tensão construída pelo som, mais do que pela imagem, que sustenta toda a proposta da estreia do diretor Ian Tuason no longa-metragem.
Deixada sozinha para cuidar da mãe em coma, Evy passa os dias entre banhos, tentativas de alimentá-la e a espera silenciosa pelo que a enfermeira do hospice já avisou ser questão de tempo. À noite, ela busca distração gravando um podcast paranormal de sucesso, The Undertone, ao lado do coapresentador Justin, vivido por Adam DiMarco, presença ouvida apenas por telefone durante todo o filme.
Um mistério que chega por e-mail
A trama ganha corpo quando Justin recebe um e-mail misterioso contendo dez arquivos de áudio, sem qualquer explicação sobre a origem. Ignorando qualquer cautela razoável, a dupla decide reproduzir as gravações ao vivo no próprio podcast. As faixas revelam ser registros de um casal grávido, Mike e Jessa, cujas vidas estariam sendo invadidas por uma força maligna.
Enquanto os episódios avançam, Evy descobre estar grávida sem planejar, notícia que recebe com pouco entusiasmo, e começa a perceber fenômenos estranhos em casa que ecoam diretamente o que ouve nas gravações. Cética convicta apesar da criação católica, ela vê suas certezas racionais irem por água abaixo conforme os episódios avançam.
Quem é Abyzou
O nome da entidade central da trama surge quando a dupla decifra, tocando um trecho ao contrário, a frase escondida “venha, Abyzou”. A pesquisa que se segue revela que Abyzou é um demônio feminino de folclore antigo, citado no Testamento de Salomão, associado a abortos espontâneos e mortalidade infantil, motivado por inveja da própria infertilidade da entidade.
Segundo Tuason, em entrevista ao site In Review Online, a escolha do demônio nasceu diretamente da ambivalência de Evy em relação à própria gravidez. Segundo o diretor, a ideia original era sugerir que a protagonista talvez estivesse invocando inconscientemente essa força justamente para se livrar do peso da maternidade indesejada.
Um desfecho pensado para ficar na imaginação do espectador
Nos minutos finais, a casa de Evy deixa de ser um refúgio seguro: paredes cobertas de desenhos perturbadores e a própria mãe, supostamente ainda em coma, aparece caminhando pela casa. Em vez de mostrar explicitamente o que acontece, o filme corta abruptamente para a tela preta, deixando o público apenas com gritos, o chamado desesperado de Evy pela mãe e sons que sugerem uma queda de escada.
A ambiguidade é proposital: não fica claro se mãe e filha morrem, se a mãe possuída ataca a própria filha, ou se tudo não passa de um colapso psicológico de Evy diante do peso emocional acumulado ao longo do cuidado paliativo. Segundo o próprio diretor, o filme nasceu de uma experiência pessoal real, cuidando dos próprios pais em fase terminal, período em que ele próprio se sentiu preso dentro da casa de infância.
Um universo que pode continuar
Produzido com orçamento de apenas US$ 500 mil, Undertone já arrecadou mais de US$ 21,5 milhões nas bilheterias, resultado que abriu espaço para planos de expansão. Em entrevista ao ScreenRant, Tuason revelou ter em mente uma trilogia completa, que poderia tanto explorar o que aconteceu com Evy e Justin depois dos eventos do primeiro filme quanto mostrar a maldição de Abyzou se espalhando como um vírus através do próprio formato de podcast, atingindo novas vítimas.
Undertone está em disponível na HBO Max.