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Final Fantasy Tactics foge do habitual sistema de batalha (na época o active time battle, introduzido em Final Fantasy IV) e traz a jogabilidade tática, diferenciando a obra de todas as outras lançadas até então. É o primeiro game a se passar em Ivalice, para onde posteriormente retornaríamos em Final Fantasy XII. Esta crítica aborda tanto o jogo original, de 1997, quanto sua versão para PSP, Android e iOS, nomeadas Final Fantasy Tactics: The War of The Lions.

A trama nos coloca, por intermédio de um narrador, no meio da Guerra dos Leões, um conflito de sucessão pelo trono de Ivalice. Mais especificamente acompanhamos o jovem Ramza, um mercenário que detém um grande papel dentro da história, mas que é esquecido pelos registros formais. Já nesse ponto entramos em um problema de Tactics: a maneira confusa pela qual a história nos é contada – desde os primeiros momentos do jogo somos introduzidos a inúmeros flashbacks que acabam dificultando a compreensão do jogador, sendo difícil nos situar no tempo presente da narrativa. Isso acaba indo embora, conforme progredimos e nos habituamos com os personagens, mas requer um pouco mais de esforço por parte do jogador para pegar todos os detalhes nas horas iniciais.

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Após uma pequena introdução, uma luta é iniciada, nos explicando a mecânica tática do game. Quem já experimentou RPGs de mesa como Dungeons & Dragons irá se sentir familiarizado, já que o sistema de Tactics é claramente inspirado nele. O campo de batalha funciona como um tabuleiro de xadrez, os personagens podem avançar um determinado número de espaços e realizar ações que também possuem um alcance máximo. Atacar por diferentes ângulos afeta a quantidade de dano causado, obrigando o jogador a pensar cuidadosamente cada um de seus movimentos – um passo errado pode ser a diferença entre vitória e derrota. Com isso, é seguro dizer que o game em questão é virado totalmente para o combate, similarmente, é claro, a outros jogos do estilo, como Fire Emblem.

Um grande problema da batalha está nos ângulos de câmera, que muitas vezes dificultam uma melhor visão do que precisa ser feito. Devemos ficar trocando constantemente o ângulo e, algumas vezes, ficamos sem conseguir um ideal, nos fazendo, ocasionalmente, cometer erros gigantescos de estratégia. Trata-se de um aspecto bastante pontual, que não chega a atrapalhar a experiência como um todo, mas, em certos pontos, acaba nos deixando com aquela considerável raiva por ter errado um movimento.

É claro que não podiam faltar elementos clássicos de Final Fantasy nesse game que foge dos parâmetros usuais da série. O sistema de Jobs de FFIII tem grande presença em Tactics. Cada classe, ou job, pode realizar um tipo específico de comando – black mage usa magia negra, Squire usa ataques a curta distância e assim em diante. No original os nomes, por questões de tradução, não se mantiverem fieis à versão japonesa, o que acabou gerando algumas traduções feitas por fãs. Felizmente no PSP, Android e iOS vemos os nomes habituais da franquia. O número de Jobs é impressionante e permite uma grande customização da equipe de acordo com o estilo de cada jogador.

Diferentemente das outras entradas da franquia, em Tactics, não ganhamos pontos de experiência após as lutas, eles nos são garantidos após cada ação no campo de batalha – quanto mais um personagem for utilizado, mais forte ele se torna. Isso confere uma boa dinâmica à progressão do game. Além disso também ganhamos job points que, como o próprio nome sugere, aumentam os níveis de cada classe. Tudo isso faz com que nos forcemos a usar todos os personagens de maneira adequada, a fim de garantir a equipe equilibrada.

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Além de mudanças na tradução, a versão para PSP, Android e iOS também conta com personagens extras, como Cloud Strife (FFVII) e Balthier (FFXII), que podem ser recrutados para a equipe. Algumas diferenças de preço de habilidades e equipamentos também podem ser notadas. Tais versões também contam com batalhas e inimigos extras, aumentando o número de horas que podemos gastar no game. A do PSP, contudo, apresenta um grave problema nas magias, que provocam uma queda gigantesca de frame rate além de perda de qualidade do som. Isso pode ser consertado através de patches feitos por fãs, mas certamente é uma medida muito abaixo do ideal. As versões de Android e iOS consertam tais erros, sendo, pois, as versões atuais mais recomendadas.

Final Fantasy Tactics possui suas pequenas dificuldades e, perto de jogos mais recentes do estilo, acaba tornando evidente sua idade (mesmo nas versões atualizadas para PSP e dispositivos móveis). Ainda assim é um game que não deve ser deixado de lado por fãs do RPG tático, ao ponto que apresenta uma ótima história e um nível de dificuldade verdadeiramente desafiador. Além disso, não podemos descartar sua importância no estabelecimento e aprimoramento do gênero.

Final Fantasy Tactics
Desenvolvedora: Square
Lançamento: 20 de Junho de 1997 (Japão), 28 de Janeiro de 1998 (EUA)
Gênero: Rpg Tático
Disponível para: Playstation, PSP, iOS, Android