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A lenda do Rei Arthur é uma das mais fantásticas já feitas. O garoto que após tirar a espada Excalibur se tornou o rei da Inglaterra e criou a Távola Redonda, etc.. Mas assim como Ridley Scott tentou fazer uma versão mais verossímil de Robin Hood que acabou deixando a desejar, o picareta Antoine Fuqua tentou fazer uma versão “realista” sobre o Rei Arthur em 2004. E o resultado é um filme chato que não consegue despertar um mínimo de interesse ao espectador.

Essa versão mostra Arthur (Clive Owen) como um comandante de Roma que está servindo na Bretanha. Após 15 anos de serviço junto com os seus cavaleiros para evitar que o posto seja atacado pelos rebeldes liderados por Merlin (Stephen Dillane), Arthur recebe a missão para salvar um jovem chamado Alecto (Lorenzo de Angellis), que está em território inimigo. Se concluir essa missão será dispensado junto com os seus comandados.

Além de a sinopse ser um plágio de O Resgate do Soldado Ryan (um esquadrão que recebem uma missão suicida para salvar um jovem), o roteiro de David Franzoni é repleto de personagens apáticos e desinteressantes. Dos comandados de Arthur, apenas Bors (Ray Winstone) é interessante e bem desenvolvido, os outros não passam de cascas vazias que não tem nenhuma substância. O trio principal da “lenda” – Arthur, Lancelot (Ioan Gruffudd) e Guinevere (Keira Knightley) – é insuportável. Os dois primeiros por serem mal humorados e em momento algum parecem que são melhores amigos. Mesmos os próprios dizendo que são não há sinceridade ou química entre os personagens para que o expectador se convença quanto a isso. E essa versão, no mínimo bizarra, de Lady Guinevere é um estereótipo da mulher macho, não uma mulher forte e independente. O próprio triangulo amoroso entre eles só serve para encher linguiça. É um roteiro que não faz jus a própria ideia de ser baseado em fatos históricos.

Se o roteiro de Franzoni se mostra aborrecido, o mesmo pode ser dito quanto a direção de Antoine Fuqua. Em 2004, Fuqua já mostrava um vício que tem até hoje: o diretor parece escolher a dedo as cenas que irá decupar de uma maneira decente, enquanto faz outras de qualquer maneira. Se temos algumas cenas de batalhas “divertidas” – o combate na geleira é muito bem filmado -, em compensação as cenas mais sérias são de bocejar. Não há emoção nas cenas dramáticas e o diretor não consegue extrair algo dos seus atores. Clive Owen está monotônico; Keira Knightley não traz nenhuma personalidade; Ioan Gruffud sempre foi um ator inexpressivo e limitado e não faz diferente; e o geralmente ótimo Stellan Skargard compõe um vilão que resume suas maldades em gritos e olhares ameaçadores. O elenco de coadjuvantes feitos por atore formidáveis como Hugh Dancy, Ray Stevenson, Mads Mikkelsen, Ray Winstone e Joel Edgerton conseguem criar personagens interessantes, mas não são bem aproveitados, uma falha grave de roteiro e direção.

A fotografia e a direção de arte não são das mais inspiradas. Todo o conceito visual do longa parece ter vindo da primeira parte de Gladiador e se contenta em ser uma cópia fiel. Não há uma melhora ou algo novo durante a projeção desse filme. É algo genérico que já foi visto em vários outros filmes: como se passa em locais frios, a paleta de cores é mais fria e tem névoa para dar mistério. Pois é, nada de novo. A recriação de época até é bem feita, mas assim como a fotografia é mais do mesmo. A direção de arte acerta ao trazer personalidade aos designs dos personagens, que vão desde a cor de suas roupas ao seu tipo de espada. Mas é só isso que agrega ao filme.

Enfim, essa versão de Rei Arthur pode ser definida em uma palavra: insossa. Ele acha que vai trazer algo de novo, mas é uma ideia que morre na praia. Nenhum rei ou cavaleiro consegue superar tal desafio: conferir esse filme sem bocejar em momento algum.

Rei Arthur (King Arthur, EUA – 2004)

Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: David Franzoni
Elenco: Clive Owen, Keira Knightley, Ioan Grufudd, Stellan Skarsgard, Mads Mikkelsen, Ray Stevenson, Ray Winstone e Joel Edgerton
Gênero: Ação, Aventura
Duração: 126 min

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