A Casa do Dragão: o final da 3ª temporada explicado
Entenda a morte de Helaena, a traição de Ulf e o retorno de Aegon no final da 3ª temporada.
Aviso: este texto contém spoilers pesados do episódio 8, final da 3ª temporada de A Casa do Dragão.
Um final de 70 minutos que muda o equilíbrio da guerra
A terceira temporada de A Casa do Dragão chegou ao fim neste domingo (9/8) com um episódio de quase 70 minutos que reposiciona praticamente todas as peças do tabuleiro para a última leva de capítulos da série, prevista para 2028. A Dança dos Dragões, guerra civil que divide a família Targaryen, ganha contornos ainda mais sangrentos com a confirmação de que Aegon II segue vivo, montado em seu dragão Sunfyre.
Enquanto Daemon marcha sobre Tumbleton com Caraxes, Gwayne e Daeron tentam negociar um acordo de paz por meio de Lorde Corlys, propondo dividir o reino e entregar Oldtown para Daeron governar. Daemon rejeita a proposta de imediato, deixando claro que a guerra segue seu curso independentemente do que os dois ofereçam.
A Batalha de Tumbleton devasta a cidade
Em Porto Real, Rhaenyra invade o Festim dos Sete e exige ser sagrada rainha diante de todos. O Alto Septão nega o pedido, afirmando que a ressurreição de Aegon é sinal claro de que os deuses escolheram outro governante. Rhaenyra o declara traidor, e Alyn, hesitante, acaba cravando a espada no peito do religioso a mando da rainha.
Do lado de fora, a população se reúne para ouvir Rhaenyra se declarar publicamente “a Príncipe que Foi Prometido”. Enquanto isso, a Batalha de Tumbleton começa: Roderick Dustin mata Ormund Hightower a facadas, mas perde o próprio braço no confronto. Os dois acabam incinerados pelo dragão Silverwing, e o exército de Daemon invade a cidade casa por casa, matando civis, incluindo a personagem Kat, morta fora de tela durante a busca por homens da facção Hightower.
Por que Ulf traiu a Rainha Rhaenyra
A traição de Ulf, o Branco, vinha sendo construída desde o início da temporada. Ele nunca se sentiu confortável no papel de cavaleiro de dragão, deixando claro em diversas ocasiões que se interessava mais pela riqueza e pelo prestígio do título do que por servir Rhaenyra de fato.
O tratamento rígido e humilhante que Daemon e Rhaenyra deram a Ulf, incluindo repreendê-lo publicamente e proibi-lo de frequentar as tabernas que gostava, acabou empurrando-o para o lado dos Hightower antes da batalha. Ainda assim, Ulf chegou atrasado e bêbado ao combate, quando as muralhas da cidade já haviam sido rompidas pelas forças de Rhaenyra. Ele decolou mesmo assim e matou dezenas de soldados Targaryen, mas não teve lealdade nem aos próprios aliados: acabou incinerando Ormund Hightower junto com moradores inocentes de Tumbleton.
O suicídio de Helaena e o significado do tapete que ela deixa
O desfecho mais impactante da temporada envolve Helaena Targaryen, prisioneira de Rhaenyra no Torreão Vermelho desde que a rainha descobriu que ela espera um filho de Aegon. Helaena parecia acreditar que a irmã um dia a libertaria, mas Mysaria destrói essa esperança ao cruzar com ela pouco antes de ser exilada.
De volta ao castelo, os homens de Rhaenyra interrompem à força a greve de fome de Helaena, episódio que parece ter sido o gatilho final para sua decisão. Fora de cena, ela se joga da janela do próprio quarto. Rhaenyra encontra, pendurado na mesma janela, um tapete bordado por Helaena que já antecipava o próprio destino: uma cena mostra a irmã caindo sobre Porto Real, e outra, ainda mais sombria, mostra a própria Rhaenyra no Trono de Ferro cercada de sangue, com dragões morrendo em chamas ao redor. A rainha interpreta a imagem como uma visão profética de Helaena, um presságio que deve assombrá-la na quarta temporada.
Por que Rhaenyra baniu Mysaria
A série não explica diretamente o motivo do banimento de Mysaria, mas os acontecimentos recentes deixam a resposta bem clara. Rhaenyra provavelmente já suspeitava que Mysaria escondeu dela a gravidez de Helaena, e o fato de as duas terem se envolvido sexualmente no episódio anterior tornou ainda mais arriscado manter a espiã por perto, justamente no momento em que a legitimidade da rainha está em jogo.
A confirmação de que Aegon segue vivo parece ter sido a gota d’água: de que serve uma mestra dos sussurros que não sabia da maior ameaça ao reinado de Rhaenyra? Mysaria não aceita bem a demissão repentina e, antes de partir, planta a semente que leva Helaena a tirar a própria vida. O fato de ela driblar a própria escolta para assistir ao discurso de Rhaenyra ao povo também não é um bom sinal, já que a personagem já provou saber mobilizar multidões contra a coroa.
Alys Rivers pode ser imortal
Enquanto Aemond se recupera de ter sido envenenado pela própria mãe, Alicent, ele finalmente ouve a história completa de Alys Rivers. Ela afirma ter vivido há cem anos, na época em que o dragão Balerion incendiou Harrenhal e queimou seu filho, que sobreviveu ao ataque mas acabou morrendo depois.
Alys diz ter recorrido a curas antigas e feitiços esquecidos para tentar salvar o menino, incluindo negociações com criaturas da floresta. Quando o filho morreu, ela tentou se matar e descobriu que não conseguia, amaldiçoada a viver para sempre como punição pela ganância de Harren, preso aos limites do antigo reino dos rios. A revelação explica por que Alys parece sobrenaturalmente ligada a Harrenhal, embora ainda reste a dúvida se ela está mesmo dizendo a verdade ou apenas manipulando Aemond.
Onde está o dragão Vhagar
Aemond passa boa parte do episódio acreditando que Vhagar finalmente retornou, apenas para descobrir que o som de asas pertence a Sunfyre, com Aegon montado. Os dois irmãos formam uma aliança desconfortável contra Rhaenyra, mas o paradeiro de Vhagar segue um mistério.
Segundo Alys, o dragão teria abandonado Aemond, desaparecido desde sua chegada a Harrenhal, ainda no início da temporada. Personagens como Addam e Baela seguem à procura da fera, mas Westeros é um território extenso o suficiente para esconder até um dragão do tamanho de Vhagar, como já provou o caso de Sheepstealer no passado.
Quantos dragões restam para a temporada final
O time Verde termina a temporada com Vhagar (ainda com Aemond, embora desaparecido), Sunfyre (Aegon), Silverwing (agora com Ulf) e Tessarion (Daeron), embora a lealdade de Ulf e Daeron a qualquer um dos lados siga incerta depois de Tumbleton.
Do lado Preto, restam Syrax (Rhaenyra), Caraxes (Daemon), Tyraxes (Joffrey Velaryon, ainda pequeno demais para batalhas), Moondancer (Baela), Seasmoke (Addam) e Vermithor (Hugh Hammer). Sheepstealer, com Rhaena Targaryen, e Dreamfyre, sem cavaleiro, seguem sem lealdade declarada a nenhum dos lados.
O que o final prepara para a 4ª temporada
Rhaenyra termina a temporada no Trono de Ferro, tecnicamente em vantagem por controlar mais dragões, mas cercada de decisões que devem se voltar contra ela. A morte de Helaena tende a virar a população de Porto Real contra a rainha, enquanto Mysaria, solta e ressentida, conhece as ruas da capital melhor do que qualquer nobre da corte.
Do lado Verde, Aemond ainda tem o maior dragão vivo à disposição, onde quer que Vhagar esteja, e o retorno de Aegon deve atrair novos apoiadores da causa. Ulf e Daeron seguem como cartas soltas no tabuleiro, sem lealdade clara a nenhum dos lados, e Alicent, que acabou de perder a filha, dificilmente vai deixar essa dor sem resposta.