Acionistas da Electronic Arts aprovam venda de US$ 55 bilhões ao fundo saudita
Acionistas da EA aprovam venda bilionária ao PIF saudita. Negócio de US$ 55 bi aguarda reguladores e levanta preocupações nos EUA.
Os acionistas da Electronic Arts (EA) aprovaram a venda da empresa por US$ 55 bilhões a um consórcio liderado pelo Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita. A votação ocorreu em 22 de dezembro de 2025 e marca um passo decisivo para o maior leveraged buyout da história.
O acordo, anunciado em 29 de setembro de 2025, oferece US$ 210 por ação em dinheiro, representando um prêmio de 25% sobre o valor anterior ao anúncio. Agora, a transação depende de aprovações regulatórias, incluindo do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS). A conclusão está prevista para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027.
Detalhes da transação e estrutura de propriedade
O consórcio inclui o PIF, a Silver Lake Partners e a Affinity Partners, fundada por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA Donald Trump. Após a conclusão, o PIF deterá 93,4% das ações, enquanto a Silver Lake ficará com 5,5% e a Affinity com 1,1%. O PIF já rolava sua participação existente de cerca de 9,9% na empresa.
A operação combina US$ 36 bilhões em equity do consórcio com US$ 20 bilhões em dívida financiada pelo JPMorgan. A sede da EA permanece em Redwood City, na Califórnia, e o CEO Andrew Wilson continua no comando. Wilson enfatizou que o acordo acelera inovações e permite experiências extraordinárias para milhões de fãs, liberando a empresa da pressão de relatórios trimestrais públicos.
A EA registrou receita de US$ 7,5 bilhões no ano fiscal de 2025, impulsionada por serviços live, que responderam por US$ 5,46 bilhões. Franquias como EA Sports FC, Battlefield, Apex Legends e The Sims sustentam o portfólio, com o EA Sports FC liderando o segmento de esportes digitais.
Preocupações regulatórias e críticas nos Estados Unidos
Senadores democratas Richard Blumenthal e Elizabeth Warren expressaram preocupações em carta ao Secretário do Tesouro Scott Bessent, em outubro de 2025. Eles alertam para riscos à segurança nacional, incluindo acesso do PIF a dados de centenas de milhões de usuários da EA, potencialmente usados para vigilância ou propaganda.
Os legisladores criticam os investimentos do PIF em games e esportes como estratégia para melhorar a imagem da Arábia Saudita, mais focada em influência do que em retornos financeiros. Questionam também a parceria com a Affinity Partners de Kushner, sugerindo que a inclusão visa facilitar aprovações governamentais nos EUA.
O PIF avança na Vision 2030 por meio do Savvy Games Group, com aquisições como Scopely e investimentos em ESL e Faceit. Essa expansão posiciona a Arábia Saudita como potência no setor de games, que continua em recuperação global.
Com a aprovação dos acionistas, a indústria observa o desfecho regulatório. Jogadores e analistas especulam sobre impactos nas franquias icônicas, como maior foco em live services ou inovações em títulos como Battlefield e The Sims. O negócio reflete ambições globais do PIF, mas enfrenta escrutínio sobre influência estrangeira em uma empresa americana de entretenimento.