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Amiga de infância de Daveigh Chase diz que morte ‘não precisava ter sido assim’

Amy Castle, amiga de infância de Daveigh Chase, falou pela primeira vez sobre a morte da atriz de Lilo & Stitch e O Chamado, aos 35 anos.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Uma amizade que começou nos bastidores de Hollywood

Amy Castle, 36 anos, quebrou o silêncio nesta semana sobre a morte da amiga de infância Daveigh Chase, atriz que interpretou Samara Morgan em O Chamado e deu voz a Lilo Pelekai na animação Lilo & Stitch, ambos de 2002. Como já detalhamos em cobertura anterior, Chase morreu em 16 de junho, aos 35 anos, e o legista de Los Angeles confirmou recentemente que a causa principal da morte foi AIDS, com uso crônico de múltiplas substâncias listado como condição significativa.

As duas se conheceram no início dos anos 2000, quando ainda eram atrizes mirins e compartilhavam o mesmo agente. “Eu realmente fui à première de Lilo & Stitch com ela e a mãe dela”, lembrou Castle. “Éramos muito próximas, e eu lembro de pensar naquela época: ‘Meu Deus, essa é minha melhor amiga’, porque nós duas éramos atrizes mirins que estudávamos em casa. É um nicho bem específico.”

“Isso é tão administrável em 2026”

Ao saber que a causa oficial da morte foi AIDS, Castle reagiu com choque. “Senti um arrepio”, disse à revista Us Weekly. “Isso é tão administrável em 2026. Fico muito, muito irritada só de pensar que foi assim que minha amiga faleceu.” A declaração reflete o avanço médico no tratamento do HIV/AIDS nas últimas décadas, que transformou a condição de sentença fatal em doença crônica gerenciável quando há acesso a tratamento adequado.

Castle foi enfática ao dizer que a trajetória da amiga poderia ter sido diferente. “Sempre que converso com as pessoas sobre isso, elas dizem: ‘É tão triste, é tão trágico’, e eu respondo que é triste e trágico, mas que não precisava ter sido assim”, afirmou. “Eu a conheci dos 9 aos 16 anos, e posso afirmar com certeza que a amiga que eu conheci jamais teria desejado que sua vida tomasse o rumo que tomou.”

A reflexão sobre trauma e vício

Castle compartilhou uma visão pessoal sobre as raízes do que classificou como vício fatal. “Acredito que a causa principal do vício é o trauma”, disse. “A definição de trauma é algo que acontece de forma tão avassaladora que seu corpo e cérebro não conseguem processar na mesma velocidade em que acontece.” Ela ligou essa falta de processamento à ausência de suporte emocional adequado, algo que, na visão dela, definiu boa parte da trajetória posterior de Chase.

Segundo relatos anteriores, o pai de Chase, John Schwallier, disse ao New York Times que a filha começou a usar drogas aos 13 anos. A mãe da atriz, Cathy, ofereceu uma versão diferente à imprensa, afirmando que o vício começou em 2016, após um acidente de moto que resultou numa lesão nas costas tratada com analgésicos opioides, incluindo oxicodona.

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Um encerramento gradual de contato

Segundo Castle, o último encontro presencial entre as duas aconteceu em setembro de 2006, num reencontro casual no Universal City Walk, em Los Angeles. Nos anos seguintes, o contato foi se perdendo gradualmente. Chase, segundo relatos posteriores de conhecidos, foi se afastando cada vez mais da própria fama, evitando falar sobre a carreira mesmo em ambientes sociais.

Castle descreveu a amiga com carinho: “Ela era muito generosa, muito gentil. Tenho tantas lembranças positivas e lindas dela, de quem ela era, independentemente dos papéis que desempenhou.”

O apelo final e o projeto que Castle está construindo

Castle encerrou a entrevista com um apelo direto a quem tem entes queridos enfrentando dependência química. “Para todos que têm alguém em suas vidas que está lutando contra um vício, mesmo que sintam que não há mais jeito, enquanto essa pessoa estiver viva, ela ainda não está perdida. Se você tem um ente querido e se importa com ele, não desista”, disse.

A atriz revelou estar desenvolvendo uma iniciativa batizada de “Daveigh’s Law”, voltada a ajudar jovens membros do sindicato SAG-AFTRA a acessar recursos de apoio e reduzir a lacuna entre a experiência de ator mirim e a vida adulta. “É crucial que a gente faça essa ponte entre criança atriz e ser humano adulto”, afirmou. Sobre o legado da amiga, Castle resumiu: “Sim, é a indústria do entretenimento. Sim, é uma estrela infantil. Sim, os pais poderiam ter agido de forma diferente. É tudo isso, mas, no fundo, esta é uma história humana.”

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