HERANÇA DE SANGUE (2016)

Dirigido por Jean-François Richet

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Talvez isso já seja oficial: não importa o quanto polêmico seja a figura pessoal de Mel Gibson e o percurso de suas más escolhas de vida como ser humano, pois quando o assunto é sua qualidade como ator, Herança de Sangue de Jean-François Richet é apenas mais uma exata demonstração de seu enorme talento como tal. A forma como ele incorpora o personagem com certos tiques e maneirismos de personalidade; como transmite genuínos sentimentos só com sutis olhares; como no meio de um ar de calma ele pode explodir em um estado de raiva, violência e selvageria perturbadora e prazerosa de se assistir, e ainda sustentar isso tudo com carisma de sobra e permitir ao público criar verdadeira empatia para com ele não importa o que!

E talvez esteja aí uma boa definição para este filme: uma divertidíssima e até emocionante sessão de cinema. Apenas não vá esperando algo de inovador ou especialmente memorável, isso aqui é um perfeito bom e velho filme de ação dramático, metade Road-movie metade Western moderno, no melhor estilo anos 80 que se leva mesmo a sério e sustenta sua trama com brutalidade e benevolência na carga emocional. E isso graças à intricada trama de vingança com temáticas minuciosas de superação de vida e redenção que se encaixam perfeitamente, dentro de suas limitações sem nunca deixar cair no genérico e clichê.

Isso graças também claro à presença de Gibson e sua surpreendentemente boa química com a jovem Erin Moriarty que interpreta sua filha, com a atriz marcando boa presença ao lado do ator com charme e uma maleficência de adolescente arrogante bem engraçada em certos momentos. E claro à própria direção de Richet, que não demonstra nada de novo ao dirigir as breves mas boas cenas de ação, mas que constrói o ambiente e palco que o filme se passa como quase um perfeito presente (ou futuro) pós-apocaliptico no melhor estilo Mad Max, com a paisagem vasta e árida digna de um Western, onde a violência reina nos corações mais fracos. Com uma boa dose de realismo sendo embutida, mas sem perder sua cadência e energia, e deixar o ritmo meditativo e calmo do filme sempre fluindo mais do que bem!

E ouso dizer, bastasse o filme mudar de título (e adicionar umas bizarrices a mais aqui e ali) esse seria uma digna continuação do velho Mad Max de Gibson que nunca tivemos a honra de ter. Mas já basta o que temos aqui que ainda é um ótimo, divertido e até reflexivo filme de ação dramático. Que poderia se tornar facilmente um daqueles filmes de ação genéricos diretamente lançados em home vídeo, mas que graças a EXCELENTE presença de seu grande astro, mostrando seu verdadeiro e alto calibre como ator, tornam o filme bem charmoso e deveras especial de se conhecer!

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