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Bit Reactor afasta 80% da equipe antes do sucesso de Star Wars: Zero Company

Bit Reactor afastou 80% da equipe semanas antes do lançamento aclamado de Star Wars Zero Company, revela ex-funcionário.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Enquanto Star Wars Zero Company colhia elogios da crítica especializada logo após seu lançamento, a maior parte da equipe responsável pelo jogo já havia sido afastada do trabalho sem remuneração. Segundo apuração do site Game File, cerca de 80% dos funcionários da Bit Reactor entrou em regime de furlough (afastamento temporário com manutenção do vínculo empregatício, mas sem salário) semanas antes da estreia do título, em 27 de agosto.

O jogo chegou ao mercado com nota 85 no Metacritic, a melhor pontuação de um lançamento de Star Wars em 22 anos, superando até Jedi Survivor e se firmando como um dos favoritos ao título de jogo do ano em premiações futuras. Uma fonte ouvida pela publicação afirmou que hoje resta apenas uma equipe mínima na Bit Reactor, dedicada a responder relatórios de bugs após o lançamento.

Uma disputa societária por trás da crise financeira

Segundo apuração, o afastamento em massa aconteceu porque o estúdio esgotou boa parte de seus recursos financeiros pouco antes do lançamento do jogo. Parte dessa fragilidade financeira está ligada a uma longa disputa jurídica entre dois fundadores da empresa sobre a real propriedade do estúdio, um imbróglio que já se arrasta havia tempo nos bastidores da produtora.

Um representante da Bit Reactor confirmou os afastamentos ao Game File, mas evitou informar o número exato de funcionários atingidos. Segundo a empresa, a decisão foi difícil, tomada antes de se saber como o público e a crítica reagiriam ao jogo, e partiu exclusivamente da própria Bit Reactor, sem qualquer participação da Disney, detentora da marca Star Wars, ou da Electronic Arts, publicadora do título em parceria com a Respawn Entertainment.

“Um retrato triste, mas comum” segundo ex-funcionário

Zachariah Scott, artista de storytelling cinematográfico que trabalhou na Bit Reactor por três anos antes de deixar o estúdio em maio deste ano, comentou o caso publicamente no LinkedIn. Segundo ele, é revoltante ver executivos da EA, da Disney e a própria liderança sênior da Bit Reactor celebrando publicamente o sucesso de Zero Company enquanto escondiam o fato de que a equipe já havia sido afastada semanas antes.

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Scott descreveu a situação como “um retrato triste, mas comum demais”: mais um jogo corporativo alcançando o topo do Steam enquanto sua equipe fica à procura de emprego, sem qualquer participação nos lucros gerados pelo próprio trabalho. Segundo ele, o cenário teria sido recebido de forma muito diferente pelo público se a empresa tivesse sido transparente sobre a situação desde o início.

O ex-funcionário afirmou ter conversado com cerca de uma dúzia de funcionários da Bit Reactor durante o fim de semana, a maioria confirmando o afastamento há três semanas. Segundo ele, ninguém no grupo está confiante de que todos vão recuperar o emprego, mesmo que parte da equipe volte a ser chamada de volta ao trabalho.

Um jogo elogiado, um futuro incerto

A crítica especializada, incluindo a própria VGC, classificou Zero Company como uma aventura estratégica excepcional, capaz de reacender o interesse por um universo que vinha soando repetitivo nos últimos anos. Mas o contraste entre a recepção do público e a situação interna do estúdio reforça um problema recorrente na indústria: o sucesso comercial e crítico de um jogo nem sempre se traduz em estabilidade para quem o produziu, especialmente em um momento no qual a própria Electronic Arts passou recentemente para novo controle acionário de investidores sauditas, gerando incertezas sobre o apetite da publicadora para financiar uma eventual sequência.

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