Games

Bungie: estúdio admite erros e planeja futuro de Destiny 2

Bungie anuncia que vai restaurar conteúdo removido de Destiny 2 e repensar Marathon após demissões e queda de confiança dos fãs.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

A Bungie publicou uma carta aberta reconhecendo erros recentes e prometendo trabalhar para recuperar a confiança da comunidade de jogadores, poucas semanas depois de a Sony confirmar cortes significativos no estúdio, que afetaram cerca de 292 funcionários. O texto, assinado em conjunto pelo novo chefe do estúdio, Poria Torkan, e pelo novo gerente-geral de Marathon, Josh Deane, marca a primeira grande comunicação pública da nova liderança da desenvolvedora desde a reestruturação.

“A Bungie vem criando jogos há mais de 30 anos e sempre acolhemos as comunidades formadas em torno deles”, diz o comunicado. “Nos últimos anos, perdemos de vista isso, e houve consequências reais. Perdemos confiança, perdemos colegas incríveis e perdemos de vista o que deveríamos priorizar mais: nossos jogadores.” A dupla reforçou que não espera que os fãs confiem de imediato nas promessas feitas, afirmando que a confiança “deve ser conquistada pela qualidade dos nossos jogos, pelas decisões que tomamos e pela consistência com que nos apresentamos aos jogadores”.

O fim de uma era e a demissão de quase 300 pessoas

O comunicado chega em um momento delicado para o estúdio. Em 9 de junho, a Bungie lançou Monument of Triumph, atualização que encerrou nove anos de conteúdo contínuo de Destiny 2, prática que vinha sustentando o jogo desde seu lançamento original. Semanas depois, a Sony confirmou cortes “significativos” na equipe, posteriormente detalhados em 292 demissões que atingiram a maior parte do time de Destiny e parte da equipe de Marathon.

Apesar desse cenário, a nova liderança do estúdio agora afirma publicamente que “não terminamos com Destiny”, reconhecendo que a reação dos jogadores ao fim do suporte contínuo foi intensa. “Suas vozes importaram, e a forma como vocês se manifestaram teve um impacto real”, declarou a Bungie no texto, atribuindo à pressão da comunidade parte da decisão de repensar os próximos passos da franquia.

O plano de desfazer seis anos de conteúdo arquivado

O primeiro passo concreto anunciado é a reversão parcial do chamado Destiny Content Vault, sistema implementado em novembro de 2020 com a expansão Beyond Light para gerenciar o desempenho técnico do jogo à medida que novas expansões chegavam. A medida removeu campanhas inteiras da experiência, incluindo Guerra Vermelha, Maldição de Osíris e Warmind, além de todo o conteúdo do primeiro Destiny, gerando frustração recorrente entre jogadores ao longo dos anos seguintes.

Publicidade

Segundo a Bungie, o processo de trazer de volta campanhas, destinos e raides arquivados não será simples. “Mudanças feitas em Destiny 2 desde Beyond Light exigem que atualizemos iluminação, encontros, combatentes e outros sistemas subjacentes”, explicou o estúdio, reconhecendo que o trabalho vai levar tempo, mas é necessário para que o conteúdo restaurado atenda aos padrões técnicos atuais do jogo. Vale lembrar que, há cerca de um ano, a própria Bungie havia argumentado judicialmente, em um processo por violação de direitos autorais movido pelo escritor Matthew Kelsey Martineau, que o código legado da campanha Guerra Vermelha estava tecnicamente incompatível com a estrutura atual do jogo, o que torna incerto se justamente esse conteúdo específico poderá ser recuperado.

Marathon deve evoluir para além de suas limitações originais

A carta também tratou do futuro de Marathon, jogo de extração relançado pela Bungie neste ano após um desenvolvimento de cerca de cinco anos e um orçamento estimado acima de 200 milhões de dólares, segundo reportagens do setor. Apesar da recepção crítica inicialmente positiva, o título “não alcançou tantos jogadores quanto esperávamos”, reconheceu o estúdio, em linha com estimativas de mercado que apontam pouco mais de 1,2 milhão de cópias vendidas e queda relevante na base ativa de jogadores nos meses seguintes ao lançamento.

Segundo a Bungie, o plano agora é expandir Marathon “para além das limitações de gênero que impusemos a ele”, transformando-o em uma experiência de sobrevivência mais profunda, sem abandonar completamente sua identidade original em torno de combate PvP, PvE e do modo híbrido PvPvE. “Marathon nunca teve a intenção de substituir Destiny”, reforçou o comunicado, buscando dissipar comparações diretas entre os dois projetos dentro do próprio catálogo do estúdio.

O texto se encerra reconhecendo que reconstruir a confiança da comunidade não vai acontecer “por meio de um único blog, vídeo ou lançamento”, e que esse processo também envolve como a Bungie valoriza o tempo dos jogadores e reage ao retorno recebido. “Ouvir sem agir não significa nada”, concluiu o estúdio.

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp