Cara de Barro estreia no topo da bilheteria com US$ 43 milhões globais e aprova aposta de terror da DC

Terror da DC com Tom Rhys Harries, Cara de Barro abre na liderança nos EUA e supera documentário de Nathan Fielder na A24.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 5 min de leitura

Trocar os orçamentos gigantescos dos filmes tradicionais de super-heróis pelo terror corporal de custo controlado rendeu frutos imediatos para a DC Studios. Em seu primeiro fim de semana em cartaz, Cara de Barro assumiu a liderança isolada das bilheterias norte-americanas com US$ 24,5 milhões arrecadados em 3.458 salas, somando US$ 43 milhões na abertura global.

Dirigido pelo britânico James Watkins e estrelado pelo ator galês Tom Rhys Harries, o derivado sombrio do universo de Batman colheu os resultados de uma campanha promocional que apostou no contato direto com os fãs durante a San Diego Comic-Con. O público que lotou os cinemas de grandes centros como Los Angeles, Nova York, Chicago e Toronto também aprovou a abordagem de horror: o longa conquistou a nota A- na pesquisa de saída CinemaScore.

Nas redes sociais, o copresidente do estúdio, James Gunn, comemorou o índice de aprovação da plateia. Enquanto Pecadores segue isolado como o único representante do gênero a alcançar a nota máxima A na história recente da métrica, a nova produção da DC entrou no seleto grupo de títulos de terror avaliados com A-, ao lado de Corra!, lançado no Brasil em maio de 2017, A Hora do Mal, que estreou em agosto de 2025, e Obsession.

O desempenho do fim de semana ajudou a recém-unificada operação entre Paramount e Warner Bros. a ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão na bilheteria doméstica americana na última segunda-feira. O conglomerado se tornou o quarto grupo do ano a bater o recorde no país, atrás apenas de Universal, Disney e Sony.

O fenômeno de You Can See Everything na A24 e a queda de Street Fighter

Se a liderança ficou com o monstro de argila dos quadrinhos, o feito comercial mais comentado do circuito veio na segunda colocação com a A24. O documentário de três horas de duração You Can See Everything, focado na ex-bilionária da empresa de exames sanguíneos Theranos, Elizabeth Holmes, em parceria com o comediante Nathan Fielder, arrecadou US$ 19,5 milhões em seu segundo fim de semana e já acumula US$ 45,1 milhões.

O detalhe raro na indústria é que a produção cresceu 25% em faturamento na comparação com a estreia. A distribuidora colocou o filme inicialmente em menos de mil salas na semana anterior para gerar sessões esgotadas e curiosidade, expandindo agora para 2.655 cinemas com o apoio de memes virais e da entrevista televisiva do ex-funcionário e denunciante da fraude, Tyler Shultz, ao telejornal CBS News.

A terceira posição do ranking ficou com a estreia da animação em stop-motion Wildwood, do estúdio Laika, que somou US$ 11,6 milhões. Logo atrás, no quarto lugar, a adaptação dos videogames Street Fighter, cofinanciada pela Legendary e pela Capcom, sofreu uma retração severa de 72% em sua segunda semana. O longa de luta adicionou US$ 8,6 milhões à conta e chegou ao total doméstico de US$ 46,9 milhões, amparado pelas salas IMAX que já renderam quase US$ 12 milhões mundialmente.

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Marido de vime vira febre feminina em Wicker e fecha o top 5

Fechando as cinco maiores arrecadações do período, a fábula romântica Wicker, distribuída pela Black Bear e estrelada por Olivia Colman e Alexander Skarsgård, abriu com US$ 5,75 milhões em 1.471 salas. O número coloca o lançamento no mesmo patamar de estreia de títulos de prestígio como Conclave, que chegou ao Brasil em janeiro de 2025, e da comédia Os Roses: Até Que a Morte os Separe, também protagonizada por Colman.

O sucesso inicial com o público feminino nasceu de forma orgânica em agosto, quando o primeiro trailer mostrou a personagem de Colman encomendar um marido feito de vime que ganha a forma de Skarsgård. Redes de decoração como a IKEA da Austrália e a HomeGoods entraram na brincadeira nas redes sociais, levando consumidoras a tirarem fotos abraçadas a cestos de palha nas lojas físicas em busca de seus próprios companheiros.

A distribuidora aproveitou a onda do BookTok e espalhou totens de quase dois metros de altura do ator pelos cinemas e livrarias, além de abrir uma loja temporária recriando a oficina do filme. Para a executiva de marketing digital Mara Freedman, a campanha acertou em cheio na fantasia feminina ao transformar a frustração com relacionamentos reais em um fenômeno de vendas: “Quando o trailer de Wicker saiu em agosto, soube instantaneamente que seria um sucesso”.

Na parte de baixo da tabela, o sexto lugar ficou com o filme-concerto BTS World Tour ‘Arirang’, que faturou US$ 4,5 milhões entre sábado e domingo. A lista dos dez primeiros se completou com o terror Other Mommy, em sétimo com US$ 3,85 milhões e acumulado de US$ 51,5 milhões, a nova adaptação de Razão e Sensibilidade, em oitavo com US$ 3,4 milhões, o suspense de sobrevivência Whalefall, em nono com US$ 3,2 milhões, e o drama Verity, em décimo com US$ 3,06 milhões e total de US$ 71,5 milhões. Fora do top 10, na 11ª posição, o novo Resident Evil da Sony somou mais US$ 3 milhões em sua sexta semana e alcançou US$ 153,6 milhões nos Estados Unidos.

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