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Crítica | Castlevania 4ª Temporada – A Série corresponde às expectativas?

Esta semana foi lançada a quarta e muito provavelmente última temporada da série animada Castlevania, adaptação da franquia de videogame de mesmo nome, publicados pela Konami.

Como tudo começou

Como um grande fã da série de jogos, eu acompanhei de muito perto as tentativas de se fazer uma adaptação para as telas. Incialmente o plano era fazer um filme live action e muitos diretores já passaram por este projeto, incluindo aí Paul WS Anderson, conhecido por fazer muitas adaptações de videogames, como Mortal Kombat, a série de filmes Resident Evil e Monster Hunter.

Para a nossa sorte (ou azar, caso você seja fã do Anderson), em 2007, a ideia evoluiu para um filme animado. E em 2015, quando Adi Shankar (Dredd, 2012) entrou no projeto, adicionando seu amor aos videogames e mudando mais uma vez a ideia e finalmente temos a série animada, adquirida pela Netflix e lançada em 2017 com 4 episódios que impressionaram um bom número de pessoas e garantiu a continuidade por pelo menos mais três temporadas.

A série começa adaptando o terceiro jogo da série, Castlevania 3: Dracula’s Curse, lançado em 1989 para o Nintendo Entertainment System. Este período do lore da franquia foi escolhido pois já possui vários elementos que os fãs podiam identificar-se. No jogo, Trevor, um membro da família Belmont, encarregada de caçar as criaturas da noite a cada geração foi incumbido de matar Drácula, o mais poderoso dentre os vampiros. Conforme avançava ia arrecadando aliados, como a feiticeira Sypha, o pirata Garret (este ausente da série) e o meio vampiro, Alucard, filho de Drácula que jurou proteger os humanos a qualquer custo.

O jogo mais popular da série é sem sombra de dúvidas, Castlevania: Symphony of the Night, lançado em 1997 para o PlayStation 1, e os criadores da série certamente se inspiraram nas artes que a Ayami Kojima fez para o jogo. Assim, o filho de Drácula que era um mero coadjuvante no jogo de Nintendo, mas torna-se o rosto mais reconhecido da série a partir do jogo da década de 90, portanto é natural que na série ele ganha bastante destaque.

Creio que esta seja uma das melhores adaptações de videogame para qualquer mídia e acredito que uma das razões para isso seja a maleabilidade dos primeiros games, que no caso foram feitos em uma época em que os videogames pouco se preocupavam com a história do jogo. Ela era no máximo ambientada, há uma cartela de texto no início do jogo dizendo que Drácula retorna causando o caos e o bravo Belmont se compromete a livrar o mundo deste mal. Sendo assim, o jogo constitui um material bastante maleável para uma adaptação.

O segredo do sucesso

O roteirista, Warren Ellis já era  conhecido dentro do mundo dos quadrinhos, trabalhando em alguns dos arcos mais famosos do Homem de Ferro e Red Sonja, ele é também criador da série Transmetropolitan. Entretanto, sobre Castlevania, ele admite que conheceu a mitologia da série por meio das Wikis, não sendo um fã com grande fissuração na franquia, foi mais fácil para ele criar algo novo, utilizando os elementos dos games.

E acredito ser esta parte do segredo do sucesso que a série possui, enquanto que outras adaptações focam bastante em fazer algumas piscadelas para os fãs, os fan services e esquecem de elaborar um bom roteiro que funcione na nova mídia na qual estão sendo adaptados. Este é um problema menor em Castlevania, apesar de nem sempre possuir uma escrita perfeita e ter alguns “services” pontuais, se observa um esforço maior aqui.

A outra parte fundamental para o sucesso de Castlevania é a absurda qualidade da animação, feita pela Powerhouse Animation. O estilo artístico é da mesma linha das animações japonesas, os animes e o estúdio conta até mesmo com alguns profissionais que já trabalharam na indústria japonesa de animação.

A última temporada…

A temporada anterior a esta, a terceira, obteve um considerável avanço na qualidade do roteiro, com melhores diálogos e alguns conceitos interessantes acrescentados na trama, misturando alguns elementos do supracitado Castlevania 3: Dracula’s Curse e Castlevania: Curse of Darkness de 2005, lançado para o PlayStation 2, com o toque pessoal do Ellis interligando as referências. Mas isto também poderia constituir um certo problema, muitos subplots foram adicionados e vou listar alguns deles aqui.

Temos a jornada de Trevor e Sypha tentando se reunir com a caravana dos oradores, mas sempre encontrando problemas no caminho; Alucard e sua solidão dentro do imenso castelo de Dracula; A vampira Carmilla e suas aliadas tramando para dominar diversas regiões; Saint Germain na busca da sua mulher no corredor infinito; O cativeiro de Hector na mão destas mesmas vampiras; a jornada de Isaac para formar um exército de criaturas da noite e ainda há a rixa entre os dois antigos mestres da forja de Drácula para ser resolvida.

Isso era material que deveria durar diversas temporadas, mas depois das acusações de assédio feitas ao roteirista, Warren Ellis e o afastamento dele da série, ele encontrou-se obrigado a dar um fechamento para a série nesta mesma temporada.

Quanto à qualidade da animação, está bem-feita como sempre e o alto grau de detalhamento que a Powerhouse consegue trazer em suas animações 2D não cansa de me impressionar. Não se atém apenas ao capricho no movimento dos personagens, mas até mesmo o movimento constante  das plantas quando sopra o vento é animado. Os efeitos sonoros também são caprichados, em ambientes fechados com menos elementos, eles adicionam eco para maior realismo, aprecio bastante quando os estúdios têm esse tipo de sacada, não são todas as animações que se apegam a tais pormenores.

As cenas de batalha e tudo mais continuam assombrosas, com o nível de violência já característico da série, espere por muito sangue e vísceras expostas, se você já gosta desse tipo de coisa, não se decepcionará aqui. Gostaria de destacar a cena de luta entre Isaac e Carmilla. Isaac já teve uma das melhores cenas da temporada anterior e volta a ser destaque aqui.

A trama da nova temporada apresenta um mundo envolto em trevas em que vários elementos conspiram para o retorno de Drácula, não dando um pingo de descanso para os nossos heróis, qualquer vacilo, significaria o apocalipse. Assim sendo o tema principal é a atemporal e universal luta eterna, exaustiva e incessante entre o bem e o mal. A trama adiciona algumas coisas interessantes como um Alucard tentando se reconectar à humanidade e Saint Germain passando dos limites na busca da mulher amada e a inclusão de um vilão bem conhecido dos jogos.

Mas o problema desta temporada é ainda principalmente narrativo, a impressão que fica é que a série é tanto enrolada quanto apressada em alguns momentos. Há aquelas cenas em que praticamente nada acontece, ficando como preenchimento de tempo e às vezes, quase do nada, eventos importantíssimos acontecem, fechando arcos de uma vez só.

Este é um problema que apareceu por causa do súbito afastamento do roteirista, mas mesmo correndo contra o tempo, ele conseguiu dar um fechamento até satisfatório na medida do possível para a série, para a minha surpresa e de muitos que acompanharam a série até aqui.

A conclusão é que apesar de alguns problemas no roteiro, nem sempre os diálogos são bem escritos e a história possui alguns momentos mais parados. Mas ainda assim, Ellis consegue entregar uma boa conclusão para cada um dos personagens e a animação ainda possui a qualidade característica do estúdio Powerhouse.

Quanto ao futuro da série, ao que parece uma nova série, sem a presença de Warren Ellis está sendo desenvolvida sem a presença de Warren Ellis, que se passará em uma época diferente, com novos personagens, o que é natural, pois cada jogo da série Castlevania possui essa mesma dinâmica, minha esperança é que apesar da troca de roteiristas, o nível da série se mantenha ou ainda melhore.

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Publicado por Daniel Tanan

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