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Continuações são arriscadas. Especialmente se estivermos no âmbito das continuações de comédias, que tendem muito a decepcionar: a trilogia Se Beber, Não Case! é o perfeito exemplo de uma boa piada que funcionou uma vez e foi estuprada para render continuações “maiores e melhores”, praticamente repetindo passo a passo a fórmula do original. É justamente esse sistema que Anjos da Lei 2 ataca, e o faz isso de forma inteligente e, mais importante, engraçada.

A trama começa logo depois dos eventos do primeiro filme (com direito até a uma recapitulação digna de um seriado televisivo), com Schmidt (Jonah Hill) e Jenko (Channing Tatum) recebendo a missão de se infiltrar em uma faculdade local e capturar um traficante que anda espalhando uma nova droga experimental pelo campus; como bem apontado pelo capitão Dixon (Ice Cube), exatamente a mesma missão do anterior. À medida em que os dois vão se misturando em grupos sociais distintos, a parceria dos dois vai sofrendo atritos.

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Se você prestou atenção, reparou que a premissa é EXATAMENTE igual à do primeiro, trocando apenas o ensino médio pelo superior. O roteiro assinado por Michael Bacall, Ori Uziel e Rodney Rothman continua martelando na metalinguagem, o que novamente rende algumas das melhores piadas: personagens repetindo o tempo todo que Schmidt e Jenko façam “exatamente a mesma coisa da última vez”, repetições que se dão conta de que são repetições e há até uma perseguição de carros onde o personagem de Hill orienta o companheiro para não destruir nada que a Polícia não possa pagar, já que o departamento estourara o orçamento estabelecido pela polícia, quase como uma produção hollywoodiana se descontrolando. É a metalinguagem da metalinguagem.

Mas se a proposta deliberadamente levaria Anjos da Lei 2 para o caminho sombrio do qual faz piada, é aí que a trama começa a trazer reviravoltas e se diferenciar da fórmula do primeiro, especialmente na resolução do caso. A introdução de coadjuvantes capazes de se destacar, nas figuras do carismático Wyatt Russell (filho do Kurt) a lindíssima Amber Stevens e a hilária Jillian Bell – além da decisão acertadíssima de expandir o personagem de Ice Cube – enriquecem o universo meta e repleto de referências pop criado pelos diretores Phil Lord e Chris Miller – que devem estar agora relaxando em uma paraíso tropical, dada a incrível sequência de sucessos que a dupla vem mantendo. Jonah Hill e Channing Tatum também continuam divertidos em sua relação quase homoafetiva, rendendo diversos trocadilhos do tipo “eu acho que é hora de nós começarmos a investigar outras pessoas” ou até uma inesperada e afetada terapia de casais.

Anjos da Lei 2 é engraçado e inteligente como o primeiro, aperfeiçoando praticamente todo setor da produção (só peca ao ter um vilão menos memorável do que o histérico Rob Riggle) ao mesmo tempo em que ri de seus próprios absurdos. E tem provavelmente a melhor sequência de créditos finais já produzida na História, literalmente deixando a melhor piada para o final.

Imperdível. Realmente espero que a dupla não custe a se mudar para o número 23 da Jump Street.

Obs: Diversas participações especiais divertidíssimas ao longo do filme. Fiquem de olho.

Obs II: Há uma cena após os créditos.

Anjos da Lei 2 (22 Jump Street, EUA – 2014)

Direção: Chris Miller e Phil Lord
Roteiro: Michael Bacall, Ori Uziel e Rodney Rothman, baseado na série de TV de Patrick Hasburgh e Stephen J. Cannell
Elenco: Jonah Hill, Channing Tatum, Ice Cube, Wyatt Russell, Amber Stevens, Rob Riggle, Peter Stormare, Jillian Bell, Dave Franco
Gênero: Comédia
Duração: 112 min

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