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Crítica | As Corças – Chabrol e seu Pequeno Brilho

O filme que colocou Claude Chabrol no mapa.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
25 de abril de 2018 · 4 min de leitura
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Crítica | As Corças – Chabrol e seu Pequeno Brilho

Claude Chabrol já havia iniciado sua carreira no cinema em 1958, mas apesar de já ter dirigido uma parcela generosa de filmes, foi somente dez anos depois com As Corças que o famoso francês atingiu uma relevância que não parou de crescer, possivelmente iniciando sua era de ouro profissional. Mas quem assiste a esse pequeno clássico francês, já consegue perceber os diferenciais que a obra tinha para chamar a atenção.

Mesmo sendo um filme extremamente frio e muito monótono com diversas inconsistências tonais entre o drama e a comédia exagerada oferecida por personagens irritantes, há um conceito psicológico curioso que resgata a memória dos suspenses hitchcockianos de outrora, além de oferecer um retrato intrigante sobre a bissexualidade.

Predação

Chabrol certamente traz um texto muito esquisito no primeiro segmento da obra que exala tensão sexual repleta de sensualidade. Acompanhamos a ricaça Frédérique em uma sutil andança por Paris até encontrar uma artista sem nome que diz se chamar Why. Rapidamente se afeiçoando pela jovem moça, a dondoca a convida para subir até seu apartamento. Apesar de uma rispidez inicial por parte de Why, as duas acabam se envolvendo romanticamente.

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Porém, durante uma viagem à enorme propriedade de Frédérique em Saint-Tropez, o romance das duas logo finda por conta de Why se apaixonar por um arquiteto chamado Paul. Sabendo desse affair, a rica perversa rapidamente seduz o rapaz e engrena um relacionamento sério. Por conta disso, sua relação com a ex-amante logo se deteriora até se tornar uma verdadeira rivalidade.

Basicamente, a sinopse é uma porção gigantesca do filme, já que o desenvolvimento dos personagens é deixado de lado para atender ao conflito do triangulo amoroso incomodo, enquanto Chabrol pincela dicas que Why talvez seja uma pessoa mentalmente perturbada. Seu discurso marxista exibe como o rico preda o mais pobre não só no sentido financeiro, mas também em questões de amor, já que Frédérique apenas se envolve com Paul para prejudicar sua amiga.

Nesse meio tempo, há muita dedicação a personagens secundários de alívio cômico consideravelmente irritantes na figura dos empregados de Frédérique. Já a própria ricaça mais velha também desperta pouco interesse, já que o cineasta é focado nesse embate entre classes ao longo de todo o filme, apenas colocando Why como uma mulher reprimida sexualmente justo depois de experimentar uma orientação sexual mais aberta.

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Sua obsessão por Paul fica ainda mais evidente quando temos uma ótima cena de voyeurismo com ela observando o novo casal tendo relações em um quarto não muito distante do seu. Entretanto, ao mesmo tempo que temos essa jornada curiosa e decadente para Why, a natureza do Cinema de Chabrol prejudica essa narrativa que necessitava de mais calor e outros riscos cinematográficos.

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O cinema do diretor é bastante frio, não só pelo formato excessivamente quadrado da decupagem e dos cenários monótonos, mas principalmente pela condução dos atores que quase beiram o minimalismo já que todos mantém a mesma tonalidade de voz – além dos alívios cômicos de pouca de pouca graça que sempre estão berrando.

Isso gera uma completa falta de empatia e interesse por parte do espectador, além de termos aquelas tradicionais divagações quase incompreensíveis típicas do cinema francês que geram aquela atmosfera entediante. Chabrol também é justamente conhecido por ser um cineasta lento, mas em As Corças há um certo exagero.

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Já com a câmera, certamente há elementos mais curiosos e criativos, mas quase todos se restringem a primeiro segmento da obra, na qual ele explora ângulos mais ousados e uma encenação que realmente funciona entre as atrizes. Novamente no final que há algo mais ornamentado com Chabrol realizando planos interessantes com o auxílio de espelhos para enfim atingir o ápice do seu discurso inesperado sobre identidade e da predação plena de uma classe sobre a outra.

Pontapé Fraco, mas certeiro

As Corças certamente não é o melhor longa de Chabrol por conta de diversas poluições narrativas e visuais que o diretor insiste em dedicar vários minutos que prejudicam demasiadamente o ritmo. Apesar disso, há uma história curiosa, mesmo que confusa, sobre esse estudo de ménage-a-trois misturado com o conflito marxista de classes.

As Corças (Les Biches, França – 1968)

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Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Claude Chabrol, Paul Gégauff,
Elenco: Jacqueline Sassard, Stéphane Audran, Jean-Louis Trintignant
Gênero: Drama
Duração: 100 minutos

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https://www.youtube.com/watch?v=GtssyB9cf7E

Tags: #Claude Chabrol #Jean-Louis Trintignant #Paul Gégauff
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Matheus Fragata
Escrito por

Matheus Fragata

Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema. Apaixonado por histórias que transformam. Contato: matheus@nosbastidores.com.br

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