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Crítica | Bohemian Rhapsody – O Nascimento do Queen

Um filme à altura do mito de Freddie Mercury

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
31 de outubro de 2018 · 6 min de leitura

Queen é uma das bandas mais icônicas do cenário musical, transitando entre vários estilos dentro do rock, criou canções espetaculares que logo se tornaram hits. Bohemian Rhapsody (Bryan Singer) vem com a complicada tarefa de reproduzir a trajetória de sucesso do grupo composto por Freddie Mercury, Brian May, John Deacon, Roger Taylor.

A ideia foi a de retratar de forma abrangente a criação da banda, como foi realizado o processo de gravação das músicas e dos discos, além de tentar retratar de forma precisa como eram os shows e o principal que era o de trazer um pouco da vida de Freddie Mercury para o filme. O roteiro, em relação a banda, é bastante interessante, mostrando a criação do Queen, as brigas entre os integrantes e outros assuntos relacionados ao conjunto. O longa teve um primeiro e segundo ato bem estruturado, mas que deixa bastante a desejar em relação ao aprofundamento da trama, pois tudo é apresentado de forma rápida, as cenas mais interessantes que são da banda compondo e gravando passam de forma tão acelerada que chega a dar uma frustração.

Essa questão de passar um momento tão importante para o grupo de forma tão rápida deixa o longa raso e com cenas mastigadas. Em um momento do longa estão gravando um álbum e logo já cortam para algum show sendo feito e logo cortam para outro fato que está ocorrendo em algum outro lugar. A história vive pulando de fatos em fatos, são bem organizados e apresentados, mas mal desenvolvidos e se tornam superficiais de tão rápidos que são nos mostrados. 

No segundo e terceiro ato o diretor dá um foco maior para a vida pessoal de Freddie Mercury, só que mais uma vez sem se aprofundar em várias questões da vida pessoal do artista, a ideia era só de mostrar o quanto ele era intenso na sua vida. As partes mais bem trabalhadas foram quando Freddie se isola e quase leva o Queen ao fim e o trecho em que ele descobre ter AIDS, são ocasiões pertinentes e que precisavam ser mostradas com destaque em um filme sobre o Queen.

Outra falha do roteiro foi a contínua quebra na ação. Sempre que aparecia a banda tocando ou compondo logo cortavam para algo sem conexão, dando um salto para outra cena envolvendo a banda. Essa quebra nos acontecimentos ocorreu justamente para colocar tanta informação em tão pouco tempo de filme, só que acabam tirando o principal e o que mais envolvia o público.

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O jeito que termina é de uma sutileza perfeita, algo que a história do longa demandava. Ao construir a imagem de Freddie a intenção era a de mostrá-lo como uma pessoa ambiciosa, perfeccionista e alegre, porém houve percalços que o fizeram se afastar em seus últimos dias de vida e não era necessário mostrar esse isolamento, como realmente não o fizeram. Freddie Mercury cantando no Live Aid e divertindo todas aquelas pessoas se tornou um dos grandes momentos da produção e serviu justamente para fechar o longa com chave de ouro, deixando a imagem de lenda do rock que Freddie realmente foi. 

A direção de Bryan Singer é bastante competente no sentido de fazer uma cinebiografia que se não é perfeita está na altura do ícone cultural que foi o Queen. Com pouco tempo conta o que foi a banda para os que não a conhecem e traz a nostalgia existente em relação a morte de Freddie Mercury, não deram foco em sua morte, possivelmente para deixar a imagem de quem ele foi e o que ele representou para a cultura pop. Não atrapalhou o fato do trabalho de Bryan Singer, durante as filmagens, ter sido bastante conturbado, principalmente levando em conta seu relacionamento com o protagonista Rami Malek, fato que corroborou para a demissão de Bryan.

Como não poderia ser diferente usaram músicas do Queen para compor a trilha sonora, ela é fantástica, mas fica a impressão que fizeram um apanhado dos grandes sucessos e foram jogando durante o filme apenas para divertir os fãs, às vezes não há necessidade da música estar lá, mas a colocam, como nos vinte minutos finais em que colocam We are the Champions apenas por colocar, para não ficar aquele gostinho de que ficou faltando alguma música. 

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Há de se questionar por que o cinema de Hollywood demorou tanto para trazer Rami Malek para fazer produções de ponta. Rami Malek surgiu na série Mr. Robot e lá sua interpretação já era excelente e em Bohemian Rhapsody Malek encarna de forma primorosa Freddie Mercury, sem dúvida nenhuma o forte da produção é sua atuação, que assustadoramente lembra a de Freddie. Faz os mesmos trejeitos, dança e canta de forma parecida e ainda há o lado dramático que também se sai bem quando requisitado. 

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Por Rami Malek estar tão bem e o longa ser praticamente sobre Freddie Mercury não são de se surpreender que o resto da banda se torne apenas um elenco de apoio que está ali apenas para desenvolver o protagonista. Há cenas hilárias e ótimas em que Roger Taylor (Ben Hardy) e Brian May (Gwilyn Lee) aparecem com destaque, hora discutindo, hora criando e tocando músicas, mas são poucas essas cenas e quando aparecem são rapidamente trocadas para dar espaço espaço ao verdadeiro astro do show.

A caracterização de época é bem construída, incluindo ambientes em que o Queen tocou como estádios e bares. Mas o que chama a atenção mesmo é caracterização dos personagens. Todos, sem exceção, encarnaram os músicos de forma perfeita, tanto no aspecto físico como no jeito em que falavam, se olhar de longe nem se percebe a diferença. Há momentos que realmente parece que estamos assistindo ao Queen novamente na ativa.

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Bohemian Rhapsody não é feito para emocionar, apesar de conseguir chegar a esse sentimento em algumas cenas, como a hora em que faz o show no Live Aid, emociona por sabermos que ali estava o Queen novamente em cena depois de tanto tempo separado e que a partir daquele momento, já doente, seria uma contagem regressiva até o dia da morte de Freddie Mercury. A produção consegue deixar a imagem de Freddie Mercury tão grande quanto já era o foco era ele e conseguiram a desenvolver, mesmo sendo de forma superficial. É um filme que deve ser visto não apenas pelos fãs, mas por aqueles que querem conhecer melhor a trajetória de uma das maiores bandas de rock já existentes.

Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody, Eua, Reino Unido – 2018)

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Anthony McCarten, Christopher Wilkinson, Peter Morgan, Stephen Rivele
Elenco: Rami Malek, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Aaron McCusker, Aidan Gillen, Allen Leech, Gwilyn Lee, Lucy Boynton, Mike Myers, Tom Hollander
Gênero: Biografia, Drama, Música
Duração: 134 min

Tags: #Bohemian Rhapsody #Bryan Singer #Freddie Mercury #Queen #Rami Malek
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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