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Crítica | Borat 2 – Diverte, mas carece de grandes momentos

Quando Borat estreou em meados de 2006 a produção logo se tornou um sucesso espontâneo mundo à fora. Trazendo um jornalista originário do Cazaquistão que se vestia de modo simples, mas que agia de modo bizarro e que realizava várias ações sem noção pelos Estados Unidos, tirando graça com os modos dos americanos e fazendo uma crítica social com o modo de viver deles, associado com uma crítica política contra a Guerra do Iraque, e muitas outras situações apresentas no mocumentário.

Não era de se esperar que uma sequência logo viesse, mas ela demorou cerca de 15 anos para chegar aos espectadores com Borat: Fita de Cinema Seguinte, dirigida por Jason Woliner e que traz novamente Sacha Baron Cohen interpretando o protagonista que se considera o maior jornalista do Cazaquistão. Porém, agora ele terá a companhia de sua filha Sandra Jessica Parker (Maria Bakalova), e que irão juntos para os Estados Unidos com a missão de tentar entregar um presente para o vice-presidente americano Mike Pence.

Por se tratar de um mocumentário (um falso documentário) é natural que a história vá se desenrolando de um modo natural, quase que teatral entre os personagens que estão em cena, algo que ocorreu em Borat e que volta a acontecer em Borat 2. O jornalista cazaque volta a abusar de situações constrangedoras nos EUA, um país em que há uma dose de liberdade, e novamente o protagonista novamente utiliza do tom ácido para realizar críticas contra a sociedade americana. Mas desta vez ele tinha um gatilho e uma motivação maior para realizar as suas ações: Donald Trump.

O roteiro segue uma agenda mais política que o longa de 2006, mais focada no debate entre democratas e republicanos do que nunca e isso foi algo pensado, tendo em vista que a produção foi lançada justamente no período da eleição norte-americana, e termina com uma frase justamente incitando aos americanos ao voto “Agora Votem”. Fica claro que a ideia é justamente a de provocar Donald Trump, seus ideais e principalmente seus eleitores, em cenas engraçadíssimas e aleatórias que entregam o que o espectador queria ver.

Outra diferença interessante desta sequência em relação ao roteiro do anterior fica por conta dele ser mais bem trabalhado, até porque há o trabalho de nove roteiristas por trás da produção, algo que faz com que tenha mais profundidade nas situações apresentadas e também no jeito em que ele foi produzido, tendo até uma história mais amarrada que o longa anterior. Há até um plot twist final que se não é engraçado pelo menos surpreende e dá uma dimensão de que tudo aquilo tem um quê de que há sim momentos de encenação.

Borat: Fita de Cinema Seguinte irá agradar aos fãs que ficaram órfãos da produção de 2006 e que cresceram com o personagem que veio do Cazaquistão para os EUA aprontar várias loucuras, mas talvez frustre aqueles outros tantos fãs que buscavam algo a mais e uma história mais grandiosa e original, algo que não será encontrado nesta sequência. É apenas uma trama que dá continuidade à vida do personagem, mas que já fica difícil de manter a fama de alguém que já é maior que a do próprio filme, algo que acontece com Borat, ele em si, em alguns momentos, se torna maior que o próprio mocumentário e isso acaba apagando ou deixando mais difícil de se conduzir o projeto para uma experiência mais imersiva.

Borat: Fita de Cinema Seguinte (Borat: Subsequent Moviefilm, EUA – 2020)

Direção: Jason Woliner
Roteiro: Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Dan Swimer, Peter Baynham, Erica Rivinoja, Dan Mazer, Jena Friedman, Lee Kern, Nina Pedrad
Elenco: Sacha Baron Cohen, Maria Bakalova, Tom Hanks
Gênero: Comédia
Duração: 95 min

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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