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Crítica | Eli – Outro terror insignificante da Netflix

Eli tinha tudo para ser um filme interessante, mas não cumpre o que pretendia e nem alcança o objetivo principal, que é o de surpreender

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
21 de outubro de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | Eli – Outro terror insignificante da Netflix

Filmes de terror com crianças sempre despertam o interesse do público, justamente por essas crianças passarem uma imagem de inocência e ingenuidade que acaba se transfigurando em algo mais macabro e cruel com o passar da história. Produções como Maligno (Nicholas McCarthy) e O Anjo Malvado (Joseph Ruben) são focados em crianças genuinamente malvadas e sádicas. Em Eli o diretor Ciarán Foy quis sair um pouco desse clichê dos filmes de terror com crianças e tentou criar algo de diferente, que de início funciona. 

Em seus três atos o que se presencia é uma mudança drástica em relação a narrativa apresentada inicialmente. O primeiro ato aborda a possível doença do garoto e seu tratamento para encontrar uma cura. Já no segundo ato o menino encontra os possíveis espíritos que rondam a mansão, e muitos mistérios são inseridos na trama a partir deste ponto. E por fim, temos no terceiro ato, o tão esperado embate do garoto em revelar os segredos que foram apresentados durante a história, e enfim conhecer realmente quem é o verdadeiro vilão do filme. 

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Na realidade, Eli é cheio de boas intenções, mas que o seu roteiro confuso atrapalha bastante a experiência em acompanhar os acontecimentos. O diretor não sabe ao certo que direção quer tomar, nem que tipo de filme quer fazer. Não sabe se quer fazer um longa sobre casa mal-assombrada, ou sobre aparições macabras de espíritos malignos, ou sobre um garoto problemático apenas. Isso fica bastante claro ao acompanhar as idas e vindas do garoto pela residência sem um foco claro em que abordagem o diretor está buscando alcançar.

O pior é o longa abandonar completamente muitas das questões apresentadas ao término do filme. Parece até que o roteiro foi escrito pensando no fim e depois que foram elaborando o resto da trama. O final ficou tão tão mal desenvolvido e terminou de forma tão rápida que ficaram mais perguntas do que respostas. O menino ser colocado como o principal vilão é algo que não faz o menor sentido, isso levando em conta o que o diretor e o roteiro nos mostraram. Não há indício nenhum de que Eli é perturbado ou de que seja desequilibrado ou tenha qualquer outro sentimento maligno.

A ideia de espetacularizar o final funciona, pois é a única cena de ação relevante e interessante. No segundo ato, quando os sustos começam a surgir, dá uma ideia de que há algo de muito macabro naquele lugar, mas isso foi feito apenas para enganar o público e tirar a atenção para o verdadeiro motivo. Essa tentativa em nos enganar lembra um outro filme disponível na Netflix: The Perfection, em que também deram tantos plost twists que acabaram se perdendo ao final. Eli tem um sério problema em ter uma proposta final interessante, mas que enterra por completo toda a história do filme. Se o diretor tivesse desenvolvido a estrutura narrativa pensando já no final, e nos dado maiores elementos do significado daquilo tudo, provavelmente o longa teria outra abordagem e seria muito mais interessante.

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Uma coisa que atrapalha bastante o telespectador, em prestar atenção na trama, é o protagonista chatíssimo. Eli (Charlie Shotwell) é um menino doente, de início, mas que com o passar da trama acaba se mostrando uma criança mimada, chata, histérica e que não tem a mínima ideia do que está fazendo na mansão. Isso é culpa do diretor Ciarán Foy e não de Charlie Shotwell que está bem ao interpretar o menino irritante. O diretor errou ao tentar colocar várias situações que faziam com que o garoto tomasse essas decisões, um personagem ruim e sem carisma que não nos faz torcer por ele em nenhum momento, e talvez isso tenha sido proposital se levado em conta o final do longa.

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Além dos vários problemas estruturais de roteiro já mencionados, uma outra questão chama bastante a atenção, que é a respeito do filme ser extremamente repetitivo em sua narrativa. A todo o instante o garoto anda pela mansão, leva susto, grita e aparece alguém para o ajudar. Isso acontece pelo menos umas quatro vezes. Na primeira funciona, na segunda já começa a ficar batido, depois disso se torna entediante e perde-se a atenção do público.

Eli tinha tudo para ser um filme interessante, mas não cumpre o que pretendia e nem alcança o objetivo principal, que é o de surpreender com bons sustos e terror, já que esse era o objetivo do filme, pelo menos até o segundo ato o diretor havia feito desta forma. A Netflix precisa repensar os seus projetos e começar a pensar mais em qualidade que em quantidade, enquanto isso não ocorrer filmes tediosos e chatos como este continuarão a ser produzidos.

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Eli (idem, EUA – 2019)

Direção: Ciarán Foy
Roteiro: David Chirchirillo, Ian Goldberg, Richard Naing
Elenco: Kelly Reilly, Sadie Sink, Lili Taylor, Max Martini, Charlie Shotwell
Gênero: Horror
Duração: 98 min

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Tags: #Kelly Reilly #Lili Taylor #Max Martini #Netflix #Sadie Sink
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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