Brinquedos ou atrações turísticas já foram muito utilizados por Hollywood para criar histórias acerca destes ambientes. Um grande exemplo de sucesso a ser mencionado é o brinquedo Piratas do Caribe, localizado no parque Magic Kingdom, no Walt Disney World Resort em Orlando, Flórida e que deu nome a franquia de sucesso estrelada por Johnny Depp. Algo semelhante, possivelmente, pode acontecer com o longa Escape Room (Adam Robitel), em que a idéia original vem justamente dos locais com esse nome em que a pessoa tem acesso a uma sala temática e que precisa sair para poder vencer o jogo, cada sala com um objetivo distinto.

Com essa temática envolvendo tantos ambientes é possível se ter uma noção do que vem pela frente. Na trama, os personagens são chamados para participar de um jogo através de um cubo enigmático. Chegando ao local cada participante se vê participando de desafios macabros e cruéis e precisam juntos, tentar sair dos diferentes ambientes com vida.

Na realidade, Escape Room se prende bastante em fórmulas do gênero de terror e que já deram certo anteriormente em outras produções. A primeira lembrança que vem a cabeça quando se assiste ao filme é que ele é muito parecido com a franquia de tortura Jogos Mortais, em que pessoas também eram atraídas para algum lugar e precisavam passar por diversas armadilhas para tentar sobreviver. Só que Jogos Mortais havia uma motivação pela qual o vilão matava todo mundo, algo que não é encontrado em Escape Room

Toda estrutura narrativa, na verdade, lembra demais Jogos Mortais, com a diferença que em Escape Room há um jeito de tentar seguir os personagens desde a escolha para participarem do jogo. A partir do momento que se encontram na primeira sala, tudo, absolutamente tudo fica completamente igual. Desde o jeito de fugir das salas até o momento de descobrir que cada um dos participantes tem algo de imoral ou secreto e que não foi repartido com os outros do grupo, isso torna tudo o que é apresentado em algo tão óbvio que chega a ser cansativo de assistir. 

Outra possível referência do diretor foi o filme O Cubo (Vincenzo Natali) em que também um grupo de pessoas se encontra preso em um misterioso cubo com múltiplas salas e precisam sair do lugar com vida. Essa referência do longa de Vincenzo Natali se encontra no tal cubo que os participantes recebem logo de início em Escape Room.

A idéia de criar algo novo e ficar preso na estrutura narrativa de um formato que já é sucesso torna a história, em primeiro momento, em algo nada original e completamente superficial. Não apresenta nada de novo, o filme inteiro é a mesma coisa a todo instante. Há outro lado nisso, por o público já conhecer essa estrutura acaba fazendo com que tenha maior assimilação pelos telespectadores no que vai acontecer, e em alguns momentos fazendo com que coisas diferentes ocorram para que nem tudo fique tão óbvio, mesmo que esteja na cara que tudo o que está acontecendo é muito parecido com algo já visto anteriormente em outra produção do gênero.

Não há uma profundidade na trama, o que o faz soar bastante falso e óbvio nas ações que surgem pelo caminho e também em sua violência psicológica. Tudo é feito para que o público tenha a maior assimilação possível com o que está vai sendo transmitido, o que de certa forma é um acerto, já que a ideia é conseguir uma bilheteria polpuda e uma trama de fácil degustação ajuda com que isso ocorra. Não são criadas subtramas que fariam com que a atenção da história principal se perdesse pelo caminho, tá aí um dos principais motivos em não apresentarem o vilão logo de cara e de ficarem apenas em cima do que os personagens estão fazendo.

Uma artimanha utilizada pelos roteiristas Bragi F. Schut (Caça às Bruxas) e Maria Melnik em relação aos personagens é o de atribuir flashbacks que faziam entender melhor quem eram aquelas pessoas no passado, já que todos haviam aparecido quase que do nada e nada sobre o passado de suas vidas havia sido apresentado. Esses flashbacks ajudam a dar um direcionamento em relação aos segredos que cada um carrega e para tentar dar a tal profundidade maior na história.

Os diálogos também são bem simples, fazendo com que o público entenda rapidamente a trama e os acontecimentos que vão se desenrolando nas salas. Em alguns momentos a didática da fala destes personagens lembra bastante ao que é mostrado em novelas, em que o personagem fala o que vai fazer e é necessária uma ação deste mesmo para dar um embasamento no que foi dito.

O final é algo que poderia ser mais bem trabalhado. Tentam em um primeiro momento apresentar um vilão e depois o apresentam, mas não entregam quem é esta pessoa por trás de todo o esquema. É muito mistério para não apresentar nada de relevante. Vale apenas para mostrar o sistema complexo por trás da criação das salas e das armadilhas, algo que também já havia sido mostrado em Jogos Mortais, mas com maior aprofundamento.

Apesar de ter alguns dos personagens mortos durante o trajeto para sair das salas, não são mortes impactantes, sangrentas ou cruéis, por sinal, sangue é algo que dificilmente se vê no longa. Quando parece que algo muito violento vai acontecer o diretor dá uma tirada no pé da ação. Isso explica porque as salas com armadilhas, apesar de impressionar, não prendem a atenção. Não há suspense nem terror, algo que engana um pouco, pois o telespectador ao assisti-lo procura justamente estes elementos.

Com uma premissa bastante simples e de fácil entendimento, Escape Room é uma produção que faz a mesma coisa que muitos longas de terror fazem, mas de uma forma mais suave e com uma ação mais ágil que o comum, e ainda acrescenta pequenas doses de sangue e muito desespero. Serve para um público ávido por filmes do gênero e que ficaram órfãos da franquia Jogos Mortais.

Escape Room (Escape Room, EUA – 2019)

Direção: Adam Robitel
Roteiro: Bragi F. Schut, Maria Melnik
Elenco: Taylor Russell, Logan Miller, Jay Ellis, Tyler Labine, Deborah Ann Woll, Nik Dodani, Yorick van Wageningen
Gênero: Ação, Aventura, Thriller
Duração: 94 min

 

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