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Crítica | Jogos Mortais – A Triunfal estreia de James Wan

Que comecem os jogos.

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
27 de novembro de 2017 · 5 min de leitura
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Crítica | Jogos Mortais – A Triunfal estreia de James Wan

O ano de 2004 foi um marco para os fãs de filmes de terror. Estreava nos cinemas o filme Jogos Mortais com uma premissa bastante simples, mas muito assustadora. Longa popularizou um subgênero apelidado de “Torture Porn”. Depois de sua estreia houve muitos longas que tentaram fazer algo parecido como o filme O Colecionador de Corpos. 

A trama gira em torno pessoas que são pegas por um assassino não identificado, que as coloca em situações limites, e as força a fazer algo fora na realidade para conseguir um meio de fugir de alguma armadilha. Quase sempre não conseguem sair e acabam tendo uma morte cruel e dolorosa.

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James Wan foi o criador da franquia e graças a Jogos Mortais, o cinema ganhou um dos melhores diretores de filme de terror da atualidade. São dele filmes como Sobrenatural e Invocação do Mal, duas franquias de sucesso que o transformaram em uma espécie de midas do entretenimento do terror. Jogos Mortais era um curta-metragem de sua autoria feito como tese de conclusão de curso da faculdade. Depois de terminar partiu para a filmagem do longa que é muito parecido com o curta. 

A direção de James Wan é bastante competente e tenta fugir dos clichês tão frequentes em produções do tipo, e finaliza de um jeito que se não genial foge totalmente do senso comum. O melhor foi a construção feita de toda a narrativa até chegar ao tão esperado momento de se mostrar quem é o assassino. Wan usa o elemento surpresa e dá uma virada no jogo que ele mesmo havia mostrado, e que até aquele momento era igual a de quase todas as produções do gênero.

O modo como a história foi contada é um diferencial também. Enquanto presenciamos o drama dos dois protagonistas presos em um banheiro, vamos acompanhando como eram suas vidas antes de pararem lá, e como de certa forma ambos estão relacionados um com o outro. Enquanto isso, é mostrado o lado dos policiais ao descobrirem os crimes e irem atrás atrás do assassino. Os policiais que antes pareciam não ter destaque algum vão ganhando corpo durante o longa.  

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O assassino de Jogos Mortais é um vilão bastante presente, mesmo estando ausente em seu estado físico. Sua voz está nas gravações encontradas pelas vítimas, está sempre presente via o boneco Billy, que já é inserido nesse primeiro episódio. É um vilão que não mata ninguém, ele cria mecanismos para que a pessoa se mate, fazendo dele um perverso psicopata sem ser um assassino de fato.  

O que o torna ainda mais sádico é o fato de ter uma motivação por trás das mortes, algo um pouco raro em se tratando de filmes com psicopatas cruéis. Ninguém sai impune aos jogos de Jigsaw, todos ficam com uma sequela que levarão pela vida toda. Um dos motivos apresentado para colocar as vítimas nessa situação é o fato de elas terem feito algo de errado, que seja um crime ou que tenha seja considerado um ato imoral pela sociedade. O vilão tem esse ideal de julgar as pessoas e como forma de punição as coloca na posição de ter uma redenção caso consigam sair da armadilha. 

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O terror dele é tanto físico como mental, composto por um ambiente claustrofóbico, que ajuda na imersão da dor e sofrimento que os protagonistas estão vivendo. A luz fria do local também ajuda na criação desse cenário assustador. A direção de arte deixando a sala tora suja e com ar de abandonado nos fazem ter uma noção de que algo pior esteja guardado tanto para ambos. 

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O foco de James Wan não é causar medo e sim chocar e espantar com mortes violentíssimas, causadas por armadilhas que só poderiam sair da mente de um assassino perturbado. A ideia das armadilhas não é algo novo no cinema, mas impulsionou com que outras produções passassem a fazer filmes com o estilo Jogos Mortais. Um dos mais promissores foi O Albergue (Eli Roth), a ideia era praticamente a mesma com a diferença que a pessoa não se matava, e sim era torturada por alguém que queria apenas se divertir. 

Os personagens estão bem inseridos, mesmo quando você acha que não há mais nada para acontecer dá-se um jeito de criar uma subtrama e assim aprofundar ainda mais o protagonista. Até mesmo os personagens secundários são importantes como é o caso do policial vivido por Danny Glover. Por sinal, a participação de Danny como policial deu a experiência que o papel demandava, um homem durão que não desiste de seu objetivo. 

James Wan e sua produção não reinventaram o terror, mas fizeram uma obra acima da média do que estava sendo feito no gênero. Até aquele momento os slashers dominavam o cinema e Jogos Mortais ajudou a trazer o cinema trash e gore para o grande público, algo louvável para um diretor até então desconhecido. 

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Jogos Mortais (Saw, Austrália, Estados Unidos – 2004)

Direção: James Wan
Roteiro: James Wan
Elenco: Cary Elwes, Danny Glover, Leigh Whannell, Michael Emerson, Tobin Bell, Alexandra Bokyun, Avner Garbi
Gênero: Mistério, Terror
Duração: 103 min

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Tags: #Danny Glover #Invocação do Mal #James Wan #Jogos Mortais #Leigh Whannell #Michael Emerson #Sobrenatural #Tobin Bell
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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