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Crítica | Jojo Rabbit – Um Retrato sobre o Perigo do Fanatismo

Jojo Rabbit é um ótimo drama sobre a guerra que serve como uma reprodução de como eram os tempos sombrios

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
22 de janeiro de 2020 · 6 min de leitura
Crítica | Jojo Rabbit – Um Retrato sobre o Perigo do Fanatismo

O nazismo e o terror cometido na Segunda Grande Guerra já serviram como base de roteiro dos mais diversos títulos no cinema. Steven Spielberg, em O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler, apresentou com maestria esse tema em que o mundo acabou emergindo em devastação total. Em O Pianista o cineasta Roman Polanski apresenta pela óptica de um sobrevivente a destruição da Polônia e mostra como a guerra pode destroçar uma nação.

Desta vez foi a o diretor Taika Waititi (Thor: Ragnarok) que revisitou este período que tanto marcou e deixou cicatrizes no mundo com o ótimo Jojo Rabbit, um filme que narra de maneira simples e que utiliza de elementos simbólicos para contar o cotidiano de um garoto fanático pela ideologia nazista.

Na trama, Jojo (Roman Griffin Davis) é um garoto que vive a rotina do cotidiano do regime nazista e cresce no ambiente da juventude hitlerista, junto com outras crianças que terão o mesmo destino que ele. Jojo é enviado para um acampamento, em que é ensinado pelo Captain Klenzendorf (Sam Rockwell em outra interpretação fantástica) a odiar os judeus e aprender que a raça ariana é suprema.

Esse primeiro ato é um verdadeiro baque, em que conta a trajetória do protagonista Jojo, e também um choque de realidade para o telespectador que se insere na narrativa e na história do garoto. Pois é realmente um terror ver como aquelas crianças estão sendo treinadas para matar, para praticar o holocausto contra semelhantes judeus, e como tudo aquilo é feito em detalhes.

O ódio apresentado neste primeiro ato é apenas algo que será trabalhado e será dialogado durante toda a trama e que o roteiro irá seguir por todo o filme, pois o fanatismo do garoto irá se tornar algo realmente doentio. O ódio por judeus será algo tão grande que Jojo irá realmente acreditar que eles são o perigo da nação, e esse ódio só será vencido com amor, conhecimento e amizade, e o roteiro trabalha esses temas de forma acertada.

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O diretor Taika Waititi usou de sua perspicácia ao trabalhar o roteiro, adaptado da obra de O Céu que Nos Oprime, de Christine Leunens, e sua direção é bastante competente, pois consegue tirar muito do peso apresentado em um filme que tinha tudo para ser trágico. Waititi é um diretor acostumado com histórias mais cômicas, um exemplo é o seu longa O Que Fazemos Nas Sombras, um falso documentário em que apresenta a rotina de vampiros, com ótimas cenas de humor.

Em Jojo Rabbit não é diferente, principalmente no primeiro ato, em que vimos um garoto com uniforme nazista, e que há todo aquele choque por assimilar toda essa informação. O diretor usa muito o humor para tirar a carga pesada que o filme teria e faz o público chorar de rir com o que é apresentado, parece até uma comédia, mas não é, é um drama muito, muito pesado.

Outro fator inteligente utilizado por parte da direção de Waititi é o fato da história ser contata através do ponto de vista de Jojo, o garoto que descobre o quão dura uma guerra pode ser. Muitas produções do gênero de guerra já utilizaram desse artifício de contar uma história e criar o roteiro usando uma criança como protagonista. Filmes como O Menino do Pijama Listrado (2008), A Menina Que Roubava Livros (2013), A Vida é Bela (1997) usaram crianças para contar as tramas não apenas pela ingenuidade e inocência que elas passam, mas também por que são as crianças o elo mais fraco de uma guerra surreal e cruel, que vítima muitas pessoas inocentes, e queira ou não são os jovens os maiores alvos de uma guerra.

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Há um toque nonsense em Jojo Rabbit que beira os absurdos apresentados no filme Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975) que é justamente o personagem Adolf Hitler, aqui interpretado por Taika Waititi, que surge conversando com Jojo durante todo o filme. Esse elemento é justamente colocado em tela para não apenas servir como válvula de escape para ter com quem o garoto conversar, mas também para Jojo lembrar a ele mesmo o motivo dele ser fanático, do por que ele odiar judeus, pois não há um motivo aparente para isso. O ódio puro e simples que ele desenvolveu e quer por que quer odiar o próximo, mas no fundo Jojo é puro e de bom coração, e durante a trama o público vai descobrindo isso, pois o roteiro vai nos mostrando isso com as conversas que vai tendo com Elsa ao longo do filme.

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O elenco é o forte de uma produção que cativa com seus personagens carismáticos. Sam Rockwell interpreta um caricato e bobo oficial nazista, o mesmo pode-se dizer da dupla Alfie Allen e Rebel Wilson, que aqui encontra uma personagem à altura. Já Thomasin McKenzie (Elsa) está ótima como a judia que vive escondida na casa de Jojo, sua atuação é contida, mas não por isso interessante e sublime. Roman Griffin Davis (Jojo) também é uma grande surpresa, o garoto não deixa a peteca cair nas cenas individuais, chama a responsabilidade e com facilidade deixa o público preso na tela, faz o telespectador rir e chorar em diversos momentos. Mas a cereja do bolo está mesmo com a performance de Scarlett Johansson (Rosie), mesmo tendo tão pouco tempo de tela está exuberante. Tá certo que a personagem ajuda bastante por ser interessante e intrigante, com sua interpretação contida e nada superficial.

Jojo Rabbit é um ótimo drama sobre a guerra que serve como uma reprodução de como eram os tempos sombrios da época de Adolf Hitler, mas que também serve como uma discussão dos tempos atuais, em que o fanatismo exacerbado corrói a mente de muitos jovens, e queira ou não vale para analisar muito de como esse fanatismo destrói uma nação e acaba por criar o caos em várias estruturas sociais. Jojo Rabbit é um filme que precisa ser visto e revisto, e analisado a fundo, e sua mensagem é tão profunda importante quanto o seu simbolismo.

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Jojo Rabbit (Jojo Rabbit, Alemanha – 2019)

Direção: Taika Waititi
Roteiro: Taika Waititi, Christine Leunens (Livro)
Elenco: Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson, Taika Waititi, Sam Rockwell, Rebel Wilson, Alfie Allen, Stephen Merchant, Archie Yates
Gênero: Comédia, Drama, War
Duração: 113min

 

Tags: #Alfie Allen #Rebel Wilson #Sam Rockwell #Scarlett Johansson. #Taika Waititi #Thomasin McKenzie
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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