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Para todos aqueles que um dia sonharam com a mera possibilidade de assistir a um cenário de filme (ou série) onde samurais enfrentam zumbis, eis que essa nova ambiciosa série Coreana da Netflix veio com tudo para entregar exatamente isso e não desaponta, dentro de seus limites de expectativa e surpresas bem guardadas. Embora não sendo nenhuma trama que o diretor Kim Seong-hun e o roteirista Kim Eun-hee criaram de forma original do nada, e sim adaptando da série webcomic The Kingdom of the Gods, de Kim Eun-hee.

E graças à ela, ambos criadores conseguiram trazer esse conceito à vida aqui, com o humilde intuito perfeito de querer criar um entretenimento gratificante e despretensioso com zumbis sendo decepados por Katanas, tudo que a Michone já faz em The Walking Dead só que em dobro nesse cenário da Coréia medieval. O que já descarta completamente a classificação de guerreiros samurais ok, mas esse com certeza é o mais próximo que já chegou disso. E que claro não impede da série se mostrar ser bem realizada durante toda sua duração de seis horas de matança zumbi e tramóias políticas.

A trama se situa no período medieval Coreano no reino de Joseon, contando história de um príncipe (Ju Ji-hoon) que embarca em uma perigosa missão para investigar uma misteriosa praga que parece ter afetado o seu pai o rei que anda misteriosamente desaparecido, e que logo após uma ocorrência de eventos, a doença se torna uma epidemia que rapidamente ameaça se espalha por todo o país. Transformando as pessoas em zumbis comedores de carne humana que adormecem de manhã e atacam em incontrolável fúria à noite. Mas enquanto o país sucumbe à destruição, o cruel Lorde Cho (Seung-ryong Ryu) planeja a tomada do reino por trás dos bastidores.

KINGDOM

Como já notaram e puderam prever, a trama é mesmo o básico do básico em sua apresentação e desenrolar, deixando planejado o primeiro episódio devotado à apresentação do personagem principal do príncipe e estabelecendo seus conflitos internos com acusações falsas de traição que o fazem partir em sua jornada, como também estabelecer de forma rápida e eficiente a origem da ameaça dos mortos vivos, para do segundo episódio em diante vermos as terríveis consequências da epidemia.

Onde cada episódio contem todos os clichês previsíveis e usuais do subgênero de zumbis, e filme de aventura/fantasia que a série também aspira como inspiração. Desde o jovem protagonista provando seu legado com liderança e heroísmo; o aliado leal e brucutu no combate; o alívio cômico; o com um segredo de seu passado sombrio deixado para trás; os vilões com segredos por trás das mangas; os covardes irritantes que fazem vários inocentes morrerem e fazem nós o público torcer por sua morte; entre outros.

Nenhum deles possuindo quase nenhum nível variado de nuances dramáticas profundas, mas todos bem traçados o suficiente para simpatizarmos e torcer pelo grupo de mocinhos e sentir raiva quando os antagonistas sequer tem um minuto de tela. Produto de um texto que, embora quase oco em emoções profundas para seus personagens, consegue construir e manter um tom que se leva à sério o todo tempo e trata a ameaça zumbi com traços originais para manter nosso interesse por todos os seis episódios da temporada.

Pode até ser notado o quanto o roteiro de Kim Eun-hee busca trazer uma relevância contextual e simbólica para a grande ameaça que surge no reino e como seus líderes reagem à ele. Levando sem sutileza alguma para uma visão sócio-política já que vemos os primeiros infectados serem pacientes de uma clínica decrépita e recorreram à consumir a carne humana de um infectado por estarem morrendo lentamente de fome.

Para já no terceiro episódio vermos que os plebeus foram os primeiros atingidos pelos zumbis na primeira cidade atacada e que logo se tornam um enxame atacando os nobres. claro, há aqueles que podem dizer e encarar a infestação zumbi como um ato maligno da natureza vindo para expurgar todo o mal que tomou conta do reino corrupto que o governo. E como a série já cita constantemente o sistema de classes do reino com um governo claramente corrupto, com Lorde Cho e a rainha sendo basicamente os Lannisters desse universo, só torna essa alegoria completamente possível e presente.

Mas não a ponto de ser nível O Despertar dos Mortos de George Romero durante a Coreia medieval, já que junto das reviravoltas políticas, muito do principal foco do diretor Kim Seong-hun fica apontado em criar um digno entretenimento zumbi gratificante onde as tramóias de traição e golpe de estado ficam apenas parecendo um enfeite bonito no todo da apresentação cinematográfica da série.

Fico repetindo filme aqui e ali pois a série consegue seguir muito bem o mesmo feito de outras séries da Netflix em estruturar os episódios de suas temporadas como sendo partes de um longo filme, como também dar um ar de cinema aos seus aspectos técnicos onde tudo é filmado e coreografado como um digno filme blockbuster. Desde a boa fotografia filmando tudo em filme passando longe do aspecto enlatado do digital, e criando um ar metódico com um timing cênico vezes lento com bem poucos cortes, e contemplativo na sua constante construção de clima de suspense e antecipação do possível mal à beira da esquina, e isso presente em todos os episódios.

Junto da ação sangrenta bem coreografada e sempre filmada centralizada na câmera como um digno filme samurai, e com muito pouco uso de sangue cgi visível, seja nas batalhas contra o tempo para matarem o maior número possível de zumbis para sobreviverem ou quando os humanos se tornam contra si, um deles acontecendo no quarto episódio criado de forma bem criativa.

Pode não ser uma série de forma alguma memorável depois que acaba, mas Kingdom consegue ser realizada de forma bem competente e redondinha, e facilmente ocasiona a diversão com seu conceito de zumbis em um cenário medieval asiático. E com a série já tendo uma segunda temporada confirmada e prevista para entrar em produção em fevereiro de 2019 já pode deixar o público que o assistiu até o fim e se entreteram bem felizes.

Porque depois do gancho enorme que o final da temporada deixa, você mal pode esperar para ver o que vai vir à seguir depois das excitantes reviravoltas finais. Por mais zumbis sendo decepados por Katanas por favor!

Kingdom – 1ª Temporada (Idem, Coréia do Sul – 2019)

Criado por: Kim Eun-hee

Direção: Kim Seong-hun

Roteiro: Kim Eun-hee

Elenco: Ju Ji-hoon, Bae Doona, Ryu Seung-ryong, Kim Sang-ho, Heo Joon-ho, Jeon Seok-ho

Emissora: Netflix

Episódios: 6

Gênero: Aventura, Fantasia, Terror

Duração: 56 min. aprox.

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