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Crítica | Meu Amigo Enzo – Uma trama que não emociona

O diretor Simon Curtis (Sete Dias com Marilyn) parece não saber ao certo o seu real objetivo ao dirigir Meu Amigo Enzo.

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
23 de agosto de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | Meu Amigo Enzo – Uma trama que não emociona

Se há um gênero que não fica saturado com tamanha oferta de filmes sobre o assunto, esse é o do segmento de filmes com cachorros. Produções deste tipo cativa o público por trazer um personagem que quase todos amam adorar, que são os cães. Muitas vezes foram colocados em filmes de comédia ou aventura para dar maior força para a trama e empolgar a quem assiste, mas nos últimos anos vem ganhando força um outro estilo, que é o de longas com maior dramatização envolvendo os animais, e é nessa categoria que entra Meu Amigo Enzo (Simon Curtis).

Seguindo essa linha de produções emocionantes estão Marley e Eu (2008), Sempre ao Seu Lado (2009) e Quatro Vidas de Um Cachorro (2017). Todos se deram bem com os telespectadores por trazer histórias universais de amizade e amor, e por colocar o melhor amigo do homem em várias situações com que o público, muitas vezes, se identifica e se emociona. O jeito com que o drama é trabalhado também é o mote de Meu Amigo Enzo.

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The Art of Racing in the Rain (nome original) segue a vida do piloto de testes Denny Swift (Milo Ventimiglia) que decide adotar um filhote, e com o passar do tempo ambos vão se tornando grandes amigos, até que Denny se apaixona por Eve (Amanda Seyfried), ambos têm uma filha e tudo caminha para que tenham uma vida feliz, até que Denny tenha que viver uma situação dramática que altera a sua rotina e mude para sempre a sua vida.

A trama é construída justamente com o intuito de fazer o público chorar, isso explica a cena inicial que é um grande spoiler e já prepara a todos para o que vai acontecer no final, possivelmente para tentar fazer com que todos se comovam com a história do início ao fim. Tal finalidade da cena inicial entregar o final foi uma tentativa do diretor de fazer algo que fosse igual a Marley e Eu e Sempre ao Seu Lado, mas que fosse diferente na narrativa, no jeito que os fatos foram contados.

Essa cena inicial é um grande tiro no pé, pois além de entregar o final também acaba por tirar a força de uma possível surpresa do que poderia acontecer no último ato, e isso desfavorece demais o andamento da história, tanto que o acontecimento trágico que ocorre no segundo ato não tem a carga emotiva e dramática que deveria ter, e isso se dá pelo fato de como a cena foi montada, mais uma vez Simon Curtis já prepara o telespectador para o que virá pela frente e isso mata o que irá se suceder nos próximos minutos.

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Quem vai assistir a um filme sobre cachorro espera que ele seja o protagonista e não é isso que ocorre em Meu Amigo Enzo. O cão em questão é um mero coadjuvante, para fazer uma análise mais próxima dos acontecimentos, Enzo é apenas um telespectador dos fatos que acontecem na vida de Denny, como sua profissão, sua relação com o sogro, seu drama com a esposa e a filha. O cachorro é apenas um narrador que está lá para nos contar a história e isso é muito frustrante, pois Enzo está inserido na trama, mas por ser um mero observador acaba se tornando um elemento sem vida no longa, é como se fosse uma árvore pensante. O pior é o nome nacional do filme que dá a impressão que o cachorro é muito importante para a trama, sem Enzo a trama seria a mesma que foi com ele. O nome em inglês é mais honesto The Art of Racing in the Rain, em tradução livre seria “A arte de correr na chuva”, algo mais sincero com o que ocorre na produção.

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Por ser o protagonista é meio óbvio que o destaque seja Milo Ventimiglia, um ator um pouco injustiçado em Hollywood, mas que se sai bem no papel de Denny, um homem sozinho e que luta por seus direitos. Sua cara de triste durante toda a história ajuda a tirar o filme da monotonia, e suas cenas com o cachorro são sem sentimento, falta felicidade nos momentos alegres e sensibilidade nos momentos mais tristes. Amanda Seyfried é o destaque negativo, sua personagem não ajuda muito, mas sua interpretação é apagada e falta simpatia para dar luz para o papel da esposa de Denny.

O diretor Simon Curtis (Sete Dias com Marilyn) parece não saber ao certo o seu real objetivo ao dirigir Meu Amigo Enzo. Não sabe se conta a vida do cachorro ou se foca apenas na vida de Denny e acaba por não saber qual história contar. Essa confusão pode ser presenciada durante a trama, e por ter um cachorro simpático  como personagem faz com que o longa saia sombras e tenha momentos interessantes. O fato é que o filme tinha potencial para ir mais longe e contar algo mais emocionante, até mesmo de passar uma mensagem mais relevante. Como produção de cachorro passa longe das boas produções que estão por aí, como drama funciona bem, mas também não sai da mesmice de sempre.

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Meu Amigo Enzo (The Art of Racing in the Rain – EUA, 2019)

Direção: Simon Curtis
Roteiro: Mark Bomback, Garth Stein (livro)
Elenco: Milo Ventimiglia, Amanda Seyfried, Kevin Costner, Gary Cole, Martin Donovan, Kathy Baker, Lily Dodsworth-Evans, Ryan Kiera Armstrong
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 100 min.

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Tags: #Amanda Seyfried #Filme #Fox #Kevin Costner #Marley e eu #Milo Ventimiglia #Quatro Vidas de Um Cachorro #Sempre ao Seu Lado #Simon Curtis
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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