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Crítica | Meu Nome é Ninguém – O Divertido Adeus ao Velho Oeste

Um dos últimos westerns de Sergio Leone.

Guilherme Coral
Guilherme Coral Redação
20 de maio de 2018 · 4 min de leitura
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Pode um homem escapar de seu destino? Tal pergunta permanece durante toda a projeção de Meu Nome é Ninguém, o penúltimo western de Sergio Leone. Neste spaghetti, co-dirigido por Tonino Valerii, o caráter experimental é visível desde os primeiros minutos, o que pode causar um grande estranhamento mesmo no espectador já familiar a filmes do gênero. Acima de tudo, contudo, o filme é uma grande homenagem aos westerns, trazendo inúmeras referências e até mesmo paródias que garantem um tom de fábula a obra.

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A trama abre com Jack Beauregard (Henry Fonda), um praticamente lendário cowboy já cansado do Velho Oeste. Sua meta é embarcar em um navio em Nova Orleans com destino a Europa. Para isso, porém, são necessários quinhentos dólares. A dívida é constantemente deixada de lado pelo homem, que parece não dar importância a este fato. O cansaço é visível em seu olhar e este cenário começa a se alterar quando entra na jogada um sujeito misterioso, que insiste em ser considerado Ninguém (Terence Hill). Já nos lembrado ao emblemático homem sem nome da trilogia dos dólares. A trama progride através dos constantes encontros entre os dois – uma velha lenda, o saque mais rápido do oeste e um completo desconhecido, que busca garantir um desfecho inesquecível para a história desse seu ídolo.

O roteiro de Ernesto Gastaldi, todavia, utiliza uma aparente trama para, parcialmente, esconder o elemento central da história: a constante fuga de Beauregard da morte. Aqui começam a entrar as homenagens ao gênero. Henry Fonda, conhecido pelos seus papéis de faroeste, faz aqui sua última participação da temática. É como se assistíssemos uma verdadeira despedida ao ator e não um personagem em si. Esse tom é mantido constantemente através de Terence Hill, que não só representa o fim do Velho Oeste, como uma espécie de entidade.

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Como um anjo da vida e da morte, Ninguém persegue Beauregard, utilizando sua personalidade excêntrica para cativar o espectador. Acompanhado pela trilha de Morricone, que aumenta ainda mais a fábula por trás deste personagem, assistimos essa figura inacreditável trazendo um novo sopro à falta de vitalidade no homem que apenas deseja ir embora. Aos poucos, praticamente no horizonte, enxergamos um clímax se formar, o tiroteio contra o grupo The Wild Bunch, mais uma referência ao gênero, que simbolizam a própria morte chegando a Jack, que inúmeras vezes evita o grupo de cento e cinquenta bandidos acompanhados por uma variação da Cavalgada das Valquírias, de Wagner.

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Este caráter sombrio da obra, porém, não chega a abater a audiência, graças ao experimentalismo já citado. Ora ou outra nossa imersão é quebrada, através de usos não convencionais da “magia do cinema”. Aqui, Valerii e Leone brincam com o gênero, utilizando recursos como o fast forward para termos a criação do homem mais rápido do oeste, que consegue sacar sua pistola três vezes antes mesmo de seu inimigo perceber. O efeito é facilmente percebido e chega a causar risadas no espectador atual, lembremos, contudo, que estamos falando de uma história que muito bem poderia ter começado com um “era uma vez”, que já nos remete a algumas obras, e uma de destaque do próprio Leone, não? Sutil homenagem ou não, Morricone, por sua vez, opta por uma abordagem mais direta, trazendo melodias de Era Uma Vez no Oeste ao clímax desta obra.

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Assim, com estranhamentos, risadas, tensão e, sem dúvidas, um certeiro entretenimento, chegamos aos minutos finais de Meu Nome é Ninguém, uma grande despedida a Henry Fonda em seus papéis no western e uma própria espécie de adeus do próprio Leone, que somente trabalharia em mais um filme do gênero. Seja pela caricata representação de Terence Hill, seja pela emblemática trilha de Ennio Morricone ou até pelo roteiro, repleto de referências ao faroeste, estamos diante de uma obra praticamente à parte, que enxerga o passado com um grande saudosismo, ao mesmo tempo que abre o caminho para o futuro, bem representado pelas palavras finais de Beauregard. É um longa experimental, cujas ousadias podem ser enxergadas como deslizes – cabe ao público decidir se são méritos ou defeitos. Este espectador que aqui escreve somente as vê como mais um motivo de encanto por essa fábula de Leone e Valerii.

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Meu Nome é Ninguém (Il mio nome è Nessuno – Itália/ França/ Alemanha, 1973)
Direção: 
Tonino Valerii, Sergio Leone

Roteiro: Ernesto Gastaldi
Elenco: Terence Hill, Henry Fonda, Jean Martin, R.G. Armstrong, Karl Braun, Leo Gordon, Steve Kanaly, Geoffrey Lewis, Neil Summers.
Duração: 116 min.

Tags: #Henry Fonda #Sergio Leone
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Guilherme Coral
Escrito por

Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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