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Crítica | O Ano Mais Violento – Quase um gângster

Uma saga criminosa... Sem o crime

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
8 de julho de 2016 · 3 min de leitura
Crítica | O Ano Mais Violento – Quase um gângster

Eu já assisti a muitos filmes de gângsteres, e certamente o melhor tipo da variação no gênero é aquele em que o protagonista sucumbe ao caminho perigoso. Seja por lealdade a família, como retratada na imortal trilogia do Poderoso Chefão, a necessidade de sobrevivência e até auto satisfação, na excelente série Breaking Bad, ou pela simples diversão do negócio, vide o também imortal Os Bons Companheiros, é uma metamorfose das mais fascinantes. Então temos algo relativamente inédito: o “quase-gângster”, ao qual J.C. Chandor nos apresenta em O Ano Mais Violento.

Roteirizada pelo próprio Chandor, a trama gira em torno de Abel Morales (Oscar Isaac), um comerciante de gasolina que mantém seu negócio com a esposa Anna (Jessica Chastain) na Nova York de 1981. Ansioso por expandir seu negócio a níveis grandiosos, ele negocia a compra de uma propriedade judaica, justamente quando começa a ser atacado por criminosos e competidores, que almejam quebrá-lo financeiramente.

Primeiramente, aplausos a toda a equipe de Chandor pela construção visual absolutamente impecável. O design de produção recria com sutileza o início da década de 80, enquanto o figurino de Kasia Walicka-Maimone concentra-se na elegância (evitando o estilão mais bizarro, vulgo cabelos de Linda Hamilton em O Exterminador do Futuro) e na necessidade de proteger seus personagens do inverno pesado que assola Nova York. O diretor de fotografia Bradford Young vem se destacando (ele também é responsável pelo ótimo trabalho em Selma) como um profissional nato, adotando uma paleta de cor alaranjada que se aproxima muito do estilo de Gordon Wilis na trilogia do Poderoso Chefão, impressionando também com seu jogo de luz e os planos abertíssimos comandados por Chandor. Tecnicamente, é magnífico.

Meu problema com o filme é que a história simplesmente não empolga, e não traz muito de original. O Abel Morales de Isaac é um sujeito que luta para caminhar “no caminho certo”, como o próprio define, e é justamente o oposto que torna o gênero tão apetitoso. Chandor cria um jogo interessante entre Abel e a esposa, funcionando principalmente pelas excelentes performances de Isaac e Chastain, e sobre a resistência deste para não ceder “ao lado sombrio”, rendendo duas sequências inspiradas em que o personagem luta para controlar seus instintos violentos. Para um filme com um título desses, O Ano Mais Violento é surpreendentemente otimista.

Demora para encantar o espectador, mesmo que os personagens sejam bem representados. Até mesmo a decisão de ambientar o longa em 1981 (que como nos dizem as estatísticas, o ano mais violento da cidade de Nova York) surge desperdiçada, já que a narrativa fica presa a seu próprio mundo, sendo irrelevante qual o ano específico da história – ainda que seja interessante ver algumas locuções de rádio constantemente relatando crimes, como se este fosse uma espécie de fantasma que assombra o protagonista, tentando-o.

O Ano Mais Violento é um brilhante feito técnico e visual, trazendo boas metáforas e interpretações, mas que infelizmente não são o suficientes para carregar a trama arrastada e pouco estimulante que J.C. Chandor. Às vezes, o lado sombrio é o mais fascinante.

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O Ano Mais Violento (A Most Violent Year, 2014)

Direção: J.C. Chandor
Roteiro: J.C. Chandor
Elenco: Oscar Isaac, Jessica Chastain, David Oyelowo, Alessandro Nivola, Albert Brooks, Elyes Gabel
Gênero: Drama
Duração: 125 min

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Tags: #Jessica Chastain #Oscar Isaac
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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