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Crítica | O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas – Fórmula repetida

O Julgamento Final é inevitável.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
27 de junho de 2018 · 6 min de leitura
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Crítica | O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas – Fórmula repetida

Na maior parte das trilogias cinematográficas, há a crença de que o terceiro costuma ser o pior. Não é necessariamente mentira, mas é uma mera questão de perspectiva, pois geralmente o terceiro tem a ingrata tarefa de seguir dois bons filmes, com o segundo capítulo sendo algo mais inovador e até melhor do que o original. É o caso de O Poderoso Chefão, a trilogia Homem-Aranha de Sam Raimi, a antologia Alien e também se aplica a O Exterminador do Futuro, onde James Cameron havia feito História com seu excelente Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, um filme que não só era uma continuação perfeita, mas também um excelente filme que oferecia um desfecho apropriado à uma trama que por si só já era resolvida no original, de 1984.

Mas, seguindo a sina da trilogia, o sucesso do segundo praticamente exige a existência de mais uma continuação, e Cameron demorou até que o terceiro Exterminador enfim saísse do papel. Foi a falência da Carolco Pictures, a demora para um roteiro concreto e a procura por um novo estúdio, que até afastaram Cameron (no momento, ocupado com a longa gestação de Avatar) da cadeira de direção, roteirista e até de produtor, já se dando por ter contado a história completa nos dois primeiros. Assim, nascia O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, um filme que não chega nem perto de capturar o brilho dos anteriores, mas oferece alguma diversão escapista.

A trama começa dez anos após o anterior, com John Connor (Nick Stahl) vivendo escondido e sem qualquer traço ou identidade que possa rastreá-lo, ainda temendo por uma futura ameaça da Skynet. Enquanto acaba reencontrando-se com uma ex-namorada de infância chamada Katherine Brewster (Claire Danes), Connor novamente é colocado na mira de um exterminador vindo do futuro, agora na forma feminina da T-X (Kristanna Loken). A fim de sobreviver e impedir o Julgamento Final novamente, uma nova unidade do T-800 (Arnold Schwarzenegger) é enviada para auxiliá-los.

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À primeira vista, é uma premissa completamente reciclada e redundante. Já havíamos tido essa dinâmica do exterminador protetor e John Connor com alguma figura feminina forte lutando para impedir o juízo final, e é basicamente o que temos aqui. Mas é preciso dar um tapinha nas costas dos roteiristas John Brancato e Michael Ferris, que são capazes de oferecer alguns pequenos elementos que justifiquem uma terceira viagem no tempo por parte da Skynet: além de Connor, a T-X tem uma lista de alvos secundários, de diversas pessoas que futuramente tornariam-se companheiros e líderes militares da Resistência de Connor, o que demonstra um raciocínio interessante por parte da Skynet: com Connor morto, outra pessoa assumiria sua posição, então faz sentido trazer múltiplos alvos desta vez – incluindo um peso maior para Katherine Brewster, revelada como a esposa de Connor no futuro.

Tirando esses elementos, é basicamente uma versão mais melancólica e sem o humor do anterior. Com Connor já crescido e em um estado quase depressivo, o terceiro filme carece do excelente bom humor e as piadas que marcaram o segundo filme, e mesmo quando Brancato e Ferris tentam apostar nesses momentos (como o “fale com a mão” ou o óculos estrelado), é uma bolada na parede, já que toda a atmosfera do longa é triste e “silenciosa”. Claro, Schwarzenegger é carismático e consegue manter o Exterminador pontualmente divertido com seus one liners e a presença imponente, mas é um filme extremamente cinza. Tal característica só funciona de fato no inesperado clímax da produção, quando os heróis precisam lidar com o fato de que o Julgamento Final é inevitável, rendendo um dos desfechos mais pra baixo e reversor de expectativas de um blockbuster desse tamanho.

Nick Stahl faz um Connor diferente da versão de Edward Furlong, sendo um sujeito mais derrotista e melancólico, quase como um viciado em drogas em processo de recuperação. É interessante ver sua interação com Claire Danes, que mesmo não sendo uma personagem particularmente fascinante (uma de suas primeiras linhas de diálogos é “eu odeio máquinas”), ver sua postura mais organizada e certinha colocada de frente com a postura de Stahl rende bons momentos, ainda mais quando adicionamos a narrativa de que os dois serão casados no futuro. Por fim, Kristanna Loken faz história como a única Exterminadora do cinema, e faz um bom trabalho ao manter toda a frieza que Robert Patrick entregou no segundo filme, adicionando também bons toques de ironia e sensualidade; com a andróide usando de sua aparência deslumbrante para manipular e enganar alguns personagens no meio do caminho.

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Ação Fria

No quesito de ação, o pouco conhecido Jonathan Mostow mostra-se um competente sucessor para Cameron. Há um notável misto de efeitos práticos e um CGI decente para 2003, especialmente na perseguição de carros que acaba com Schwarzenegger pendurado em um guindaste. Sua mise en scène e noção de espacialidade é coerente e traz boas tomadas, com destaque para o uso das habilidades da T-X e a frieza em seu combate. O problema, curiosamente, acaba no “sentimento” de todas essas cenas de ação. A trilha sonora e os efeitos sonoros deixam a desejar, visto que raramente sentimos arrepios ou nos impressionamos com as acrobacias, o que demonstra a importância de uma boa paisagem sonora. Tudo acaba soando “frio” e sem vida, tanto pelo trabalho de som quanto pela direção de Mostow, que aposta em momentos de humor que jamais funcionam, pois tudo ao seu redor é mais duro.

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Mas reforço. O uso de efeitos práticos é particularmente admirável no setor em que vemos o despertar das primeiras máquinas da Skynet, onde modelos mais primordiais para uso militar saem disparando pelo laboratório, e até são capazes de causar algum amedrontamento; tanto pelo design quanto pela execução, que novamente conta com o brilhante Stan Winston. A briga entre o T-800 e a T-X também é interessante, com essa frieza de Mostow se traduzindo bem no combate entre dois ciborgues, e a imagem de ver Schwarezenegger sendo arrebentado por uma moça praticamente miúda definitivamente é memorável.

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Mesmo que não ofereça grandes novidades, A Rebelião das Máquinas é capaz de divertir e entreter. Não arrisca conceitos macarrônicos e espalhafatosos como as novas inteirações da franquia, entregando uma experiência eficiente e que é capaz de matar saudade do T-800 de Schwarzenegger, além de trazer uma boa execução visual e um final ousado.

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O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, EUA – 2003)

Direção: Jonathan Mostow
Roteiro: John Brancato e Michael Ferris, baseado no argumento de Tedi Sarafian e nos personagens de James Cameron e Gale Ann Hard
Elenco: Arnold Schwarezenegger, Nick Stahl, Claire Danes, Kristanna Loken, David Andrews, Mark Famiglietti, Earl Boen
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 109 min

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Tags: #Arnold Schwarezenegger #Claire Danes #Earl Boen #James Cameron #Michael Ferris #O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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