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O nazismo já foi tema recorrente de inúmeras produções, ou sendo abordado de forma direta, mostrando a guerra e o genocídio feito por Adolf Hitler, ou de forma indireta com o tema do nazismo sendo um fator secundário e usado apenas para desenvolver a trama. É sob essa ótica que o filme o Manicômio (Michael David Pate) se prende ao usar o terror propagado pelo nazismo como pano de fundo do filme. 

Em um primeiro momento a ideia da produção alemã é bastante interessante. Na trama, diversos youtubers vão fazer um desafio de passar uma noite no sanatório abandonado do período em que o exército de Hitler usou o local como hospital militar. Só que o diretor usou esse conceito das crueldades feitas no sanatório apenas como gatilho para servir de motivo para o terror que seria colocado em prática contra os youtubers. Também utilizou o ambiente do manicômio para dar um motivo dos youtubers irem para o lugar, já que é justamente por acreditarem que o local era abandonado e repleto de espíritos que foram para lá.

A narrativa é contada do ponto de vista dos jovens e feito ao estilo found footage. A grande marca dessas produções é a câmera em primeira pessoa, com o ponto de vista sendo apresentado pelos próprios personagens, as vezes com câmeras nas mãos ou as colocando em lugares estratégicos para dar a impressão de que não exista um câmera segurando essas câmeras e assim tentar dar maior tom de veracidade para a história.

A grande questão envolvendo produções que usam essa técnica, em que a câmera é o principal fator para contar a trama é que geralmente esse artifício é usado em um primeiro momento para tentar dar o maior nível possível de realismo, geralmente são feitos com câmeras tremidas e com cortes rápidos na edição. Um dos grandes problemas de O Manicômio é justamente em relação ao jeito em que se trabalham as câmeras, é tão mal filmado que chega a dar vontade de sair do cinema na metade. Em alguns momentos fica incompreensível entender o que está acontecendo nas cenas e assim conseguir acompanhar a ação. 

Pegue como exemplo o longa Fenômenos Paranormais (2011) que também é um found footage que se passa em um hospital psiquiátrico. Nele a câmera é utilizada para melhor contar a narrativa e dar grandes sustos e arrepios em quem assiste, é um fator a mais o uso da câmera e é um recurso tão bem trabalhado que é quase impossível de esquecer suas cenas. 

Heilstätten (nome original) tem bastante problemas em relação ao roteiro. A começar que o filme é bastante chato em seus primeiros 30 minutos com os personagens e o hospício sendo apresentados. Nesse tempo nada de sustos, apenas indícios de que o lugar parece atormentado por algo sobrenatural. O ambiente do sanatório é relativamente bem trabalhado, criando uma atmosfera de terror, mas que não se sustenta com o tempo, pois o ambiente é pessimamente explorado, algo que não ocorre, por exemplo, na segunda temporada de American Horror Story, em que há um personagem nazista em um hospício antigo e tudo nele é belamente trabalhado em relação ao terror do local. 

Os cortes de câmera lembram os que são feitos em vídeos de youtubers, com cortes rápidos e ágeis. Tal técnica, possivelmente, foi utilizada para cortar diálogos e tentar esconder suas deficiências. Esses cortes rápidos de câmera ajudam na criação dos sustos que funcionam de início por ser algo bem trabalhado, mas depois de um tempo os cortes se tornam repetitivos e perde-se aquele fator surpresa do susto na cena.

A tal motivação dos youtubers para ir ao local é muito mal trabalhada. A ideia do tal desafio é interessante, mas não foi bem desenvolvida, parece ter sido apenas uma ideia jogada para dar a tal motivação para o grupo se encontrar no hospital psiquiátrico e assim desenvolver toda a caça ao grupo. 

Um tema que poderia ter sido mais bem explorado e melhor aprofundado é a questão da idiotização dos jovens. Os youtubers são uma imagem de uma juventude que só pensa em fazer vídeos para a internet e se tornar web celebridades. Essa falta de seriedade desses digitais influencers é colocada em contraponto ao que ocorreu durante a segunda guerra mundial, em que milhões de pessoas foram mortas e em especial o que aconteceu no manicômio em que a trama ocorre. A crítica do longa é em relação a essa juventude que não trata esse tema do nazismo com a seriedade que deveria. Isso é demonstrado nas diversas brincadeiras que os jovens fazem no local. 

Os personagens são bastante bobinhos, para não dizer idiotas, mas em um nível carregado, justamente para dar um tom de que são jovens que agem como crianças mimadas. Não há um protagonista que se destaque, tornando todos que estão no filme personagens bastante esquecíveis. O elenco também se mostra um calcanhar de aquiles do longa, com interpretações falhas, caricatas e cheias de exagero. 

O final cria uma reviravolta em tudo o que havia sido apresentado até então. Se pensar bem, ao chegar ao fim do filme, tudo o que foi mostrado até então perde o sentido, algo que possivelmente irá decepcionar os telespectadores. Durante todo o tempo a trama te joga em uma direção e do nada a muda apenas para dar um plot twist sensacional. E para piorar, alguns segundos antes do longa terminar dão outro plot twist, desfazendo tudo o que haviam criado alguns minutos antes.

O Manicômio é uma produção bastante decepcionante, justamente por ter uma ideia bacana, e por ter usado de forma errada um local que dá medo simplesmente pelo fato dele existir, e também por ter trabalhado bizarramente na criação do terror. Serve para divertir os fãs do gênero, mas deve desagradar na mesma proporção por não trazer algo de diferente em relação a trama e por não saber como trabalhar o roteiro. 

O Manicômio (Heilstätten – Alemanha, 2018)

Direção: Michael David Pate
Roteiro: Michael David Pate, Ecki Ziedrich
Elenco:  Nilam Farooq, Farina Flebbe, Sonja Gerhardt, Maxine Kazis, Lisa-Marie Koroll, Emilio Sakraya, Tim Oliver Schultz
Gênero: Terror, Thriller
Duração: 90 min.

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