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Crítica | A Oeste do Rio Jordão – Consequências de Um Conflito Sangrento

Enfim, A Oeste do Rio Jordão se mostra um documentário muito eficiente, por ele ser curto e objetivo.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
14 de outubro de 2017 · 3 min de leitura
Crítica | A Oeste do Rio Jordão – Consequências de Um Conflito Sangrento

*Este filme foi visto na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

A péssima relação entre os palestinos e israelenses na Faixa de Gaza já resultou em conflitos sangrentos várias vezes. Mas como pensam os povos que acabam se tornando vítimas desse conflito? Os políticos acreditam em paz? E os intelectuais, o que pensam sobre o assunto? Essas são as perguntas que o premiado cineasta israelense Amos Gitai tenta responder no documentário A Oeste do Rio Jordão, um filme objetivo quanto aos seus temas.

O documentário começa com filmagens feitas por Gitai em 1994, quando entrevistou o premiê de Israel, Yitzhak Rabin, que foi assassinado em 1995 e acreditava na paz entre os dois povos. O diretor também mostra a Faixa de Gaza e os próprios cidadãos falando como são vitimas da violência e a da pobreza. Cortando para 2017, Gitai conversa com políticos e jornalistas sobre a possível paz entre os povos e com vitimas do conflito, como uma instituição pacifista feita por mães que perderam seus filhos nesse embate.

Tecnicamente,o longa é bem realizado, dando um bom ritmo – ele é dividido em entrevistas, que funcionam como capítulos – e com alguns ângulos de câmera interessantes, embora não sejam dos mais inventivos. No entanto, o objetivo não é esse. Aliás, a força de A Oeste do Rio Jordão está na direção de Amos Gitai, que evita o maniqueísmo, sendo que era muito fácil como um israelense mostrar os palestinos como monstros, mas ele mostra como a própria violência é monstruosa. Outro ponto forte da direção é como sentimos os resultados, não por ele mostrar de maneira expositiva, mas pelos próprios depoimentos. Como os feitos quando ele visita a instituição feita pelas mães, que em cada depoimento sentimos as perdas daquelas mulheres, mas o discurso pacifista e as atitudes delas mostram como são muito fortes.

O diretor é honesto em suas entrevistas, perguntando sempre sobre alguma solução pacífica. Os jornalistas e os políticos, em sua maioria, se mostram pessimistas quanto à tentativa de paz e um em especial acredita que em menos de dez anos o estado de Israel vai se perder e uma guerra com os palestinos será inevitável. Mas quando ele conversa com o povo, embora a maioria tenha ódio tanto de judeus quanto de palestinos, sem mostram mais otimistas. O ponto mais triste se mostra na entrevista que Gitai faz com um menino palestino e ele diz sorrindo que quer morrer para se tornar um mártir e Ala ficaria orgulhoso. O diretor tenta fazer conversar com o menino, dizendo que a vida é boa. Essa cena mostra como a situação envolvida é muito complexa.

Enfim, A Oeste do Rio Jordão se mostra um documentário muito eficiente, por ele ser curto e objetivo. Amos Gitai não quer criar uma reflexão com o publico, mas mostrar de maneira direta todas as consequências desse conflito e o que podem acontecer com eles. E a honestidade do diretor com o seu publico faz com que tenhamos uma identificação com a obra e a sua visão otimista e pacífica não se mostra completamente impossível, já que no último capitulo ele mostra um festival em que há palestinos e israelenses trocando cultura. Quem sabe se essa utopia não se torna uma realidade? No caso, espero que a visão de Gitai seja verdadeira.

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A Oeste do Rio Jordão (West of The Jordan River, Israel e França – 2016)

Direção: Amos Gitai
Roteiro: Amos Gitai
Gênero: Documentário
Duração: 84 minutos

Trailer:

Tags: #Documentário #Entrevistas #Mortes #Mostra de São Paulo #opiniao
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