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Crítica | Pelé: O Nascimento de Uma Lenda – Era Melhor não ter visto o filme do Pelé

Na última segunda-feira (23) comemorou-se o 77º aniversário do Rei do Futebol, o Pelé. Como parte das homenagens a Edson Arantes do Nascimento estreia nos cinemas brasileiros Pelé: O Nascimento de Uma Lenda. Produção americana, que foi lançada no exterior sem uma grande receptividade de público e de crítica. 

Isso se deve pelo único motivo de o filme ser ruim. A começar que é uma biografia contada pela metade, até a copa de 1958 quando Pelé se sagrou campeão mundial pela seleção brasileira aos 17 anos, sendo o jogador mais novo a conquistar a copa do mundo. 

Na trama, acompanhamos o Rei do futebol desde sua infância como jogador. Da Várzea em Bauru até o dia que fez o treino no time do Santos. Passamos a acompanhar sua caminhada do time juvenil do peixe até o dia em que é convocado para a copa do mundo de 1958.

É de entendimento que a vida de Pelé foi rica em momentos e com muitos momentos marcantes. Focar em apenas um período foi uma escolha equivocada dos diretores. Podiam ter montado o filme em capítulos começando da fase no Santos e passando pela seleção.

O problema é que eles perderam muito tempo contando a vida de Pelé em Bauru, local que não nasceu, mas se mudou aos 8 anos de idade. Também passa grande parte do tempo contando a vida dele na cidade e no Santos e um pouco menos de tempo na seleção brasileira.

Outro fato que contribuiu para o longa não ser um sucesso foram as incongruências históricas. Em filmes de época acontece de fatos serem alterados ou omitidos pelos diretores pelos mais variados motivos como, por exemplo, dar maior emoção a história. Só que aqui os diretores Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist (The Two Escobars) erraram feio em fazer mudanças que causam no mínimo estranheza a quem é mais entendido por futebol.

Colocaram que já existia cartão amarelo, sendo que ele só viria a existir doze anos depois. No filme, o jogo da Seleção na copa de 58 é transmitido por tv, todo o país assiste emocionado a transmissão. Essa é mais uma falha, a transmissão pela tv não existia ainda no Brasil, só com a chegada da TV Tupi por Assis Chateaubriand que teríamos acesso a sua programação. A transmissão no Brasil era exclusivamente via rádio.

Para finalizar, transformam José Altafini, o Mazzola em vilão da história. O rapaz rico que maltratava Dico (Pelé quando criança) e que virou arquirrival dele já na Seleção. Mazzolla tinha um estilo europeu de jogar, tanto que mudou para a Itália e jogou a copa pelo paí. Nem o técnico Feola escapou de ser mostrado como um antagonista, que era contrário a “ginga” brasileira. São falhas bastante imperdoáveis para uma produção que conta a vida de Pelé.

Os diretores Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist já trabalharam com produções esportivas, portanto não são inexperientes na área. Mas fazer um filme sobre o rei do futebol é um desafio e tanto, ainda mais reproduzir cenas de futebol, algo muito difícil de ser feito e que poucos filmes ousaram fazer. As cenas aqui não empolgam, mostram Edson Arantes do Nascimento driblando e fazendo gols bonitos e não foge a isso.

Os diretores se excedem em mostrar a infância de Pelé, mostrando como era sua vida em família, com os amigos, o início na várzea e no Santos. Tudo é apresentado como se fosse uma novela. A dramatização é outro ponto a ser postergado. Tentaram dramatizar tanto que as vezes fica piegas, além do fato de não chegar ao objetivo que é emocionar. Faltou emoção, um sentimento necessário para produções de superação. Ficou tudo tratado com muita frieza e sem espontaneidade.

Um filme sobre o maior jogador do Brasil e reverenciado pelo mundo é falado não na totalidade em inglês. Os diretores resolveram mesclar falas em inglês misturado com português não se sabe o porquê. Isso já faz perder um pouco do charme em assistir uma produção de um ídolo nacional em outra língua. Percebe-se um olhar estrangeiro deturbado da realidade do estilo de jogo dos brasileiros. A tal ginga que tanto se fala no filme é tratada como se fosse o “cosmo” em cavaleiros do Zodíaco. Ter a ginga é algo poderosíssimo que o transforma praticamente em um super-herói.

O elenco conta com artistas brasileiros experientes como Milton Gonçalves, Rodrigo Santoro e Seu Jorge. Mesmo assim a atuação deles não passa do básico e superficial. Rodrigo Santoro apareceu em apenas uma cena rápida e nada mais que isso. Kevin de Paula (Pelé aos 13 anos) se mostra bastante fraco na interpretação de Pelé, fazendo caras e bocas que nada ajudam o personagem. 

A estrutura narrativa lembra bastante O Milagre de Berna, em que a história é apresentada do ponto de vista de um garoto que sonha em acompanhar a seleção da Alemanha na copa do mundo de 1954. Pelé – O Nascimento de Uma Lenda faz um tratamento igual a produção alemã. Mostra a origem humilde do garoto e o local em que reside, como é a vida com os pais e amigos, os perigos que passa pela paixão ao futebol. É uma receita bastante simples de acompanhar, algo que o filme de Jeff Zimbalist e Michael Zimbalist conseguiu destruir.

Escrito por Gabriel Danius

Pelé: O Nascimento de Uma Lenda (Pelé: Birth of a Legend, Estados Unidos – 2016)

Direção: Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist
Roteiro: Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist
Elenco: Charle Myara, Colm Meaney, Diego Boneta, Julio Levy, Kevin de Paula, Leonardo Lima Carvalho, Rodrigo Santoro, Milton Gonçalves, Seu Jorge
Gênero: Biografia, Drama, Esporte
Duração: 107 minutos

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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