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Crítica | Se Beber, Não Case! – Uma Ressaca Épica

Uma comédia que impressiona pela engenhosidade

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
30 de dezembro de 2017 · 3 min de leitura
Crítica | Se Beber, Não Case! – Uma Ressaca Épica

Comédia tem tudo a ver com pontos de vista, principalmente o humor negro. Se alguém leva um tropeço gigantesco em um restaurante, derramando toda sua comida pelo chão, a reação imediata pode dividir-se entre o espanto e, claro, o riso. É uma filosofia muito adequada ao caso de Se Beber, Não Case!, hit surpresa de Todd Phillips que faturou um Globo de Ouro e rendeu uma trilogia dado seu imenso sucesso de público e crítica. Ambos merecidos, sem dúvida alguma.

Escrito por Jon Lucas e Scott Moore, o longa começa com a chegada do casamento de Doug (Justin Bartha). Para a ocasião, ele viaja para Las Vegas com seus amigos Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e o cunhado Alan (Zach Galifianakis) para uma despedida de solteiro lendária. O que deveria ser uma noitada de diversão se transforma em um pesadelo quando, na manhã seguinte, todos acordam sem memória sobre a noite anterior, além do fato de Doug ter desaparecido.

Olhando para essa premissa, Se Beber, Não Case! poderia muito bem ser um suspense na linha de Amnésia, e aí voltamos ao que falamos no primeiro parágrafo: pontos de vista. É uma situação extremamente assustadora a que o trio de protagonistas enfrenta, mas graças ao hilário roteiro de Moore e Lucas e a direção certeira de Todd Phillips, temos uma das comédias mais divertidas da década passada. Lembro-me de assistir pela primeira vez e ficar chocado com o fato de, logo após os personagens brindarem os shots no telhado do Caesar’s Palace, vermos toda a noitada acelerada em um time-lapse. Sem ter visto nenhum trailer, esperava que o filme fosse se concentrar nos eventos da noitada, mas fui positivamente surpreendido ao ver que esse seria um filme sobre as consequências.

Ambientar os eventos na manhã seguinte à grande noite e trazer seus personagens encontrando uma série de evidências bizarras é a fórmula do sucesso, e ela funciona pelo elemento surpresa. Desde o tigre preso no banheiro, um bebê no armário e um chinês pelado pulando do porta-malas do carro, o roteiro não se cansa de trazer momentos de impressionar e fazer rir no processo. O entrosamento entre os três protagonistas é outro ponto alto, com Bradley Cooper se destacando como o “cérebro” da equipe, Ed Helms divertindo como o histérico Stu e Zach Galifianakis roubando a cena com a excentricidade de seu barbudo Alan e as ações um tanto… Duvidosas que faz ao longo da projeção – a cena do “na mesa não, Carlos” permanece engraçadíssima de tão errada e politicamente incorreta.

A resolução da história também demonstra inteligência por parte dos roteiristas, que vinham espalhando as pistas durante toda a narrativa, apenas para que tivéssemos uma solução que surpreende pela simplicidade. A condução de Todd Phillips também merece aplausos, já que revela-se um diretor muito preocupado com o visual, entregando lindas tomadas que capturam a vida noturna de Las Vegas e o perigo dos desertos de Nevada; chegando até mesmo a homenagear Cassino com um close up dos óculos do divertido Sr. Chow (vivido com insanidade por Ken Jeong).

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Sabiamente utilizando os créditos finais para oferecer uma de suas melhores piadas, Se Beber, Não Case! é uma comédia que impressiona pela engenhosidade e a construção de sua ótima trama, contando com o auxílio de uma direção acertada e um elenco protagonista absolutamente entrosado.

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Se Beber, Não Case! (The Hangover, EUA – 2009)

Direção: Todd Phillips
Roteiro: Jon Lucas e Scott Moore
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Mike Epps, Heather Graham, Sasha Barrese, Jeffrey Tambor, Ken Jeong, Rob Riggle
Duração: 100 min

Tags: #Bradley Cooper #Ed Helms #Heather Graham #Jeffrey Tambor #Justin Bartha #Ken Jeong #Todd Phillips #Zach Galifianakis
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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