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Crítica | Tempo – Intrigante e Perturbador

Com Spoilers

Se alguém lhe perguntasse se você sabia ou gostaria de saber quanto tempo ainda lhe resta de vida ou quanto tempo ainda tem até envelhecer, com certeza muitos iriam ter a curiosidade de saber a resposta, enquanto outros irão esperar até que o fim da chegada do período do processo naturalmente terminasse para que pudesse descobrir o real resultado. Em Tempo, novo trabalho de M. Night Shyamalan, o ciclo temporal da vida passa com tanta rapidez que nem se percebe quando que ocorreu e como aconteceu que de uma hora para a outra que os personagens cresceram e envelheceram com tanta velocidade.

M. Night Shyamalan conta em sua carreira com alguns sucessos de público e crítica, em algumas de suas tramas o cineasta não sabe bem como as desenvolver suas, e é isso que acontece em Tempo. O diretor não erra do mesmo jeito que errou em produções como Fim dos Tempos e Depois da Terra, mas também não acertou como fez em O Sexto Sentido e Fragmentado. O longa também não destoa de nada que o diretor havia feito antes, e sua narrativa é equilibrada o suficiente ao ponto de dar um ritmo um tanto acelerada para a trama.

Adaptado da Hq Castelo de Areia, dos autores Frederik Peeters e Pierre-Oscar Lévy, acompanhamos a trajetória de diversas famílias que estão tirando férias em um hotel e são levadas pelo gerente para uma praia paradisíaca afastada de tudo e de todos. Obviamente que o local esconde algo que mais para a frente o público irá descobrir como uma anomalia bizarra que acaba levando a um processo que acarreta repentinamente na vida dos personagens, a ilha acelera o tempo de vida de todos em questão de horas, e acabam nem percebendo que estão crescendo e morrendo em questão de segundos, minutos e dias, sendo que na trama cada meia hora é um ano que cada personagem está passando na praia, e o pior que não encontram jeito algum de sair de lá.

Há uma mensagem que Shyamalan quer passar ao espectador e isso fica evidente já no trailer (para quem assistiu) não há muito mistério ou surpresas. Não tem a ver apenas com o tempo que nos resta na Terra, mas também com o tempo que deixamos passar. Acabamos fazendo tantas tarefas em nossas rotinas que acabamos por nos atropelas e não perceber o mais importante que está ao nosso lado e somente em certas situações limites que, possivelmente, ou não, acabamos por perceber o quanto de tempo perdemos em nossas vidas e não nos esforçamos realmente para alcançar certos objetivos para ficar ao lado de quem realmente amamos e nos importamos e em tempos. É uma mensagem simples e que é dita de maneira direta, sem muita enrolação, está sendo representada ali pelas famílias e principalmente pelo casal Cara (Gael García Bernal) e Prisca (Vicky Krieps).

Há uma boa intenção por parte do diretor em entregar um projeto final que tem como finalidade chocar o público, isso se levar em conta o plot final, ou sua virada de roteiro que surge justamente com a ideia de transformar e dar uma noção de que aqueles acontecimentos da praia não estão ocorrendo ao acaso. Quando o espectador é levado ao final já não há tanto entusiasmo, até porque já há uma ideia de que aquelas mortes da ilha estão ligadas a alguma experiência particular de alguma empresa ou até mesmo, porque não, de algum reality show, e Shyamalan não surpreende ao entregar o final um pouco antes justamente o que se é imaginado.

O roteiro, que trabalha a própria questão do tempo junto com a ideia do envelhecimento, faz com que essas duas noções, que são bem diferentes uma da outra, sejam bem executadas até certo ponto e acabem se tornando atraentes para o público, causando até mesmo um sentimento de horror, fazendo com que o público se coloque naquela situação limite terrível em que os personagens se encontram. Mas há situações que o diretor não soube trabalhar e elas saltam aos olhos.

Uma delas envolve a própria questão da conformidade, em um dado momento, apenas para citar como exemplo, quando o casal Cara e Prisca descobrem que os filhos deles, que antes eram crianças, agora são na verdade adolescentes, há apenas uma rápida reação de surpresa por parte dos atores e isso acontece o tempo todo com todos os personagens quando vão descobrindo os segredos da praia, ou seja, ocorre um rápida conformidade que não faz muito sentido para um filme sobre o tempo, pois se realmente acontecesse algo do tipo a primeira reação de alguém seria de total desespero e não de aparente calma como realmente é demonstrada no filme. Para efeito de comparação, na série Lost, há uma demonstração muito maior de desespero que em no longa de Shyamalan e essa é uma sensação que não se tem ao assistir a trajetória dos ilhados.

Muitas das situações que irão ocorrer são bem óbvias e algumas foram até entregues no trailer, havia até uma ideia de que poderia ter algo de surpreendente, mas acaba sendo aquilo mesmo e Shyamalan não tenta inventar nada, entrega aquilo que imaginamos mesmo. Falta uma certa ousadia para um cineasta que as vezes surpreende com tramas geniais e bizarras em suas produções e vamos concordar que em Old (nome em inglês) a estranheza está muito presente, assim como em outros longas, para não dizer como na maioria de seus filmes.

Tempo não é de longe dos melhores trabalhos de M. Night Shyamalan, lhe falta ousadia para ir adiante na trama e nas subtramas, mas também não é um filme ruim, há uma mensagem interessante e tem um toque de horror ao estilo de Midsommar e Ilha da Fantasia. A palavra que fica ao assistir é que o filme é frustrante, apenas isso. Havia muita expectativa para esta nova produção, provável que funcionasse melhor como uma série, assim como Servant, a série de terror que Shyamalan dirigiu para a Apple TV. Tempo, no fim das contas, não é uma total perda de tempo.

Tempo (Old, , EUA – 2021)

Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan, Pierre-Oscar Lévy e Frederick Peeters (Hq Sandcastle)
Elenco: Gael García Bernal, Vicky Krieps, Thomasin McKenzie, Alex Wolff, Rufus Sewell, Abbey Lee, Nikki Amuka-Bird, Ken Leung, Aaron Pierre, Eliza Scanlen, Embeth Davidtz, Emun Elliott, Alexa Swinton, Francesca Eastwood, Nolan River, M. Night Shyamalan
Gênero: Drama, Mistério, Thriller
Duração: 108 min.

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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