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Crítica | Thelma & Louise – Uma ode à liberdade

A emancipação de Thelma e Louise.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
16 de janeiro de 2018 · 7 min de leitura
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De todos os movimentos sociais existentes atualmente, pode-se dizer facilmente que o feminismo é um dos que mais tem obtido destaque. A cada dia que passa, o movimento ganha força e destaque dentro da sociedade. Segundo uma pesquisa do Google, a busca pelos temas ligados a feminismo e empoderamento aumentaram cerca de 200% nos últimos 2 anos. No cinema o assunto já foi tratado diversas vezes, porém, acredito que dificilmente alguma obra conseguiu simbolizar mais a liberdade feminina quanto Thelma & Louise, lançado em 1991. Dirigido pelo consagrado diretor Ridley Scott, e roteirizado pela estreante na época Callie Khouri, o filme se tornou um clássico e um símbolo de para muitas mulheres.

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No filme, temos a história das amigas Thelma Dickinson, uma fiel dona de casa que faz tudo o que pode para agradar ao seu marido, Darryl, mas que não lhe dá a mínima atenção e apenas lhe vê como uma escrava, e Louise Sawyer, que trabalha em uma lanchonete como garçonete e namora um músico chamado Jimmy, que passa a maior parte do tempo viajando. Cansadas de suas vidas chatas e estressantes, as duas companheiras decidem então fazer uma viagem para o interior, com o intuito de relaxar, se divertir e refletir sobre os seus relacionamentos.

No meio do caminho elas decidem parar em um bar de estrada para poder beber e dançar um pouco. Nesse local, elas conhecem um cowboy chamado Harlan, que fica encantando com Thelma e acaba lhe pagando alguns drinks e lhe convidando pra dançar, mas Louise desconfia das intenções do rapaz. Tudo vai indo bem, e Thelma vai se divertindo com Harlan, mas depois de exagerar na bebida, a moça passa mal e é levada para fora do bar para tomar um ar. Nesse momento, Harlan tenta estupra-la, o quase consegue se Louise não tivesse chegado e o impedido. Ela salva a amiga, e as duas vão indo embora, mas depois de ser provocada pelo cowboy, Louise atira em seu peito e o mata. Agora, as duas mulheres vão iniciar uma odisseia para fugir da polícia.

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Dificilmente não dá para fazer paralelos entre esse filme e Sem Destino do diretor Dennis Hooper, que também o protagoniza ao lado do ator Peter Fonda. Os dois pertencem ao estilo road e tem em sua essência criticas sociais, porem Hooper em seu filme criticaria o estilo de vida capitalista americano, já em Thelma e Louise a crítica se direciona para a sociedade patriarcal, na qual a mulher é constantemente oprimida e discriminada. Muitos criticaram o fato de que as protagonistas se revoltaram contra suas vidas usando a violência, porém, vendo tudo que elas passavam,  fica praticamente impossível fazer algum questionamento sobre a moralidade ao comportamento. Todas as ações que as protagonistas fazem durante a trama simbolizam a sua emancipação, a quebra das correntes que as muito prendiam, tomando finalmente o controle de sua vidas. Quem assiste ao filme, e vê o quão dura é a vida dessas mulheres, e que todos aqueles que elas conheciam as tratavam com segundas intenções, acaba compreendendo todo o extremismo.

Muitos também podem questionar que toda a aventura e as dificuldades que Thelma & Louise passaram durante o caminho se elas tivessem denunciado o agressor da primeira a polícia. Porém, o roteiro Callie responde isso muito bem. Louise afirma que as pessoas viram a amiga dançando com o rapaz,e que ela estava se divertindo, ou seja, ninguém iria acreditar que ele tentou abusa-la, pois acreditariam que Thelma concordou com a relação sexual. Atualmente, esse é um problema que ainda se mantém, pois muitas mulheres que são agredidas ou abusadas tem medo de denunciar o agressor, com medo que sua denuncia seja questionada e sejam vistas como mentirosas, o que faz com que muitas se calem perante aos maltratos físicos e psicológico que sofrem.

Em filmes de estrada, o mais importante não é a meta e nem o objetivo das personagens, e sim a jornada que elas fazem, onde acabam por se descobrir, e em Thelma e Louise não seria diferente. Ao alcançar a tão desejada autonomia, as amigas vão acabar tendo uma transformação em suas personalidades. Thelma antes era a típica dona de casa, bastante introvertida e que apenas existia apenas para servir ao seu marido. Ao longo da viagem, ela vai se revelar uma mulher forte, determinada e que não tem medo de agir. Louise antes era bastante extrovertida e instintiva, se tornou mais centrada e controladora, visto que ela precisava proteger a amiga e ser como um porto seguro para ela. O roteiro de Callie Khouri garante com a construção das duas personagens seja bem feito e bem desenvolvido.

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Toda essa alteração é bastante palpável para quem assiste, nada parece feito de uma maneira forçada ou simplesmente jogada. E para isso as cenas dentro do carro se tornam extremamente importantes. Ridley é bastante cuidadoso, e usa de close ups nesses momentos. Assim fica bem perceptível para quem assiste que as personagens vão se distanciando daquilo que nos foi apresentado no início do filmes, e vemos isso através das interações que elas têm nessas cenas e nas emoções delas, algo que a câmera consegue captar muito bem. Scott também é eficiente no uso de planos mais afastados, mostrando os caminhos percorridos pelas duas protagonistas. Dando ênfase a estrada, ele quer simbolizar a principal idéia do filme, que é a emancipação. Esses enquadramentos mais afastado também garantem belos frames devido a competente fotografia de Adrian Biddle, que iria trabalhar mais uma vez com o diretor no seu próximo filme, 1492-A Conquista do Paraíso.

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A trama é quase que uma personificação da filosofia da francesa Simone de Beauvoir. A francesa é creditada atualmente como um das mais importantes teóricas do feminismo da história. Para a filosofa, a existência apenas existe através da vontade de ser livre. E a partir desse desejo era que o individuo conseguir se  revelar para si mesmo e também para o mundo. Simone também afirmava que todos os obstáculos e opressões que aconteciam durante nossas vidas iriam servir como uma catapulta para que descobríssemos o nosso desejo em buscar a nossa emancipação. E podemos tudo isso acontecendo dentro da trama.

Apesar do que aparenta, Thelma e Louise hora nenhuma abusa do sentimentalismo e da dramaticidade. Muito pelo contrário, apesar de tratar de um tema forte e profundo, o ritmo do filme é bastante leve e divertido, o que faz com que ele se torne um bom entretenimento para todos, até para quem não concorda com a mensagem que é exposta. A diversão se deve muito devido as situações insanas que as personagens fazem. Como por exemplo elas rendem um policial que as parou por causa da alta velocidade na estrada, ou quando elas explodem um caminhão de um homem que fazia gestos obscenos para as duas. Todas essas situações acabam sendo reviravoltas que divertem a todos nós e fazem com o filme não se torne parado.

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O grande destaque do filme vai para as atuações da dupla Susan Sarandon e Geena Davis, aqui talvez façam aqui as melhores atuações de suas carreiras. A primeira consegue desenvolver muito bem as varias facetas de Louise,  seu lado extrovertido, seu lado mais dramático, visto que a personagem possui um passado misterioso devido ao fato que aconteceu no Texas. Já Davis consegue fazer muito bem trabalhar os momentos psicológicos de Thelma e as suas mudanças ao longo do caminho ( que devo dizer é a personagem mais me agradou no filme). As duas tem uma química excelente em cena, e acho que isso tornou ainda mais fácil trazer o público para o lado delas. Duas outras atuações que vale destacar são as de Harvey Keitel, que está muito bem na pele do policial Hal Scolumb, o único homem que aparece no filme que tem uma moral respeitavel e que quer salvar as meninas de uma punição. A outra é a do ainda desconhecido Brad Pitt, como o peão JD, que mesmo em pouco tempo de tela conseguiu mostrar já que tinha muito talento.

Divertido e com uma mensagem bastante atual, Thelma e Louise é um filme que vai encantar a todos aqueles que assistirem, e nos fazer refletir um pouco sobre nossos atos e alguns conceitos errôneos que temos em nossa cabeça. Não se deixe enganar pela sinopse do filme,ele é muito mais do que aparenta, e definitivamente é um dos trabalhos mais inovadores do diretor Ridley Scott.

Thelma & Louise (Thelma & Louise – EUA, 1991)

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Direção: Ridley Scott
Roteiro: Callie Khouri
Elenco: Geena Davis, Susan Sarandon, Harvey Keitel, Brad Pitt, Michael Madsen, Christopher McDonald, Stephen Tobolowsky, Timothy Carhart.
Gênero: Drama

Duração: 129 min

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Texto escrito por Raphael Aristides

Tags: #Brad Pitt #Geena Davis #Harvey Keitel #Michael Madsen #Ridley Scott #Stephen Tobolowsky #Susan Sarandon
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