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Crítica | Westworld – 01×08: Trace Decay

nota-5

Spoilers!

Senhoras e senhores, mas que hora foi essa. Foram tantos acontecimentos e avanços narrativos neste oitavo episódio de Westworld que eu poderia jurar que tudo aquilo não estava acontecendo em um único episódio. Trace Decay é definitivamente um dos melhores episódios da temporada e que move muitas peças em direção a um caminho muito, muito interessante.

Começamos logo após o clímax surpreendente do episódio anterior, que nos revelara que Bernard (Jeffrey Wright) é de fato um dos Anfitriões secretos que respondem diretamente à Ford (Anthony Hopkins), e temos um ótimo diálogo que traz o andróide questionando suas ações e porque seu mestre o pediria para fazer algo tão odioso; Wright traz uma performance intensa aqui, onde vemos o real amor que a máquina tinha pela falecida Theresa (Sidse Babett Knudsen) e mais discursos existencialistas impecáveis que Hopkins entrega com tamanha presença e sofisticação. A sequência em que Ford obriga Bernard a friamente se livrar de qualquer vestígio que indicasse uma relação entre os dois é poderosa, e também triste justamente por vir logo após uma cena tão emocional.

A morte repentina de Theresa também provoca ramificações no interior dos escritórios de Westworld, especialmente em Charlotte (Thessa Thompson), que claramente não comprou a desculpa de que sua antiga colega escorregou em um barranco enquanto buscava sinal para contrabandear informações para fora do parque. É um momento muito sutil, mas o tom de desafio com que Thompson se refere a Hopkins durante o final da conversa diante do cadáver de Theresa é um bom indicador das ações que a personagem tomaria a seguir, levando-a a diretamente ao roteirista Lee Sizemore (Simon Quarterman), recrutando-o para uma tarefa secreta. E essa é justamente uma das ações que mais levará em direção ao tão aguardado roboapocalipse de Westworld, já que Charlotte e Sizemore entram no depósito de Anfitriões desligados e reativam Peter Abernathy (Louis Herthum), o antigo pai de Dolores (Evan Rachel Wood) que começou toda a série de glitches no primeiro episódio. O que Sizemore e Charlotte querem com ele? Criar uma história que o coloque no trem para fora do parque. Isso vai ser divertido.

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E se eu disse que o plot de Charlotte era uma das ações causadoras da inssurreição, é porque a principal delas segue protagonizada por Maeve (Thandie Newton, que merece seu Emmy agora mesmo) e a evolução cada vez mais poderosa de seu sistema operacional. Aqui, pela primeira vez vemos um Anfitrião ferir um humano, quando Maeve ataca o operário Sylvester (Ptolemy Slocum) quando ele tenta desativá-la, em uma cena realmente aterradora – mas triunfante, pois inevitavelmente estamos torcendo pela andróide; e é curioso como Felix (Leonardo Nam) está claramente atraído de alguma forma a Maeve. E agora ela está determinada a sair do parque, ganhando uma atualização perigosa que lhe permite ter poder sobre tudo o que ocorre entre os Anfitriões do parque, facilitando sua estadia no bordel e garantindo que seu colega Hector Escaton (Rodrigo Santoro) execute mais elaborado assalto ao saloon. Foi a melhor cena do episódio, conduzida perfeitamente por Stephen Williams e regada ao som da belíssima valsa Breakfast with Chopin – nada mal para Hector depois de Paint it, Black e Bizet.

Porém, descobrimos mais coisas interessantes sobre Maeve, especialmente sobre os flashbacks que a mostravam com uma criança. Desde antes de ser reprogramada, Maeve era uma Anfitriã que demonstrava problemas para ser desligada e ter sua memória deletada; provavelmente ela mais uma das crias de Arnold, ou simplesmente “predestinada” a liderar a rebelião dos robôs? A personagem agora está focada a criar um exército, então certamente teremos Maeve em alguma posição de líder – algo que a performance de Thandie Newton vai cada vez mais afirmando.

Falando nesse flashback de Maeve, as coisas ficaram intensas para o Homem de Preto (Ed Harris), já que Teddy (James Marsden) sofreu repentinos flashbacks e lembrou-se das cenas do primeiro episódio em que seu companheiro humano o matou e estuprou sua amada Dolores, o que rapidamente colocou os dois em conflito. O que tivemos aí foi um insight valioso sobre o passado do HDP, um que Harris foi capaz de entregar em um envolvente monólogo que revela sua figura trágica e influente fora do parque, com uma vida marcada pelo suicídio de sua esposa em decorrência de seu comportamento violento no parque e a informação de que é “um titã da indústria”. HDP também revela que matou Maeve e sua filha em um momento onde buscava testar seus próprios limites, e também quando teve a revelação do Labirinto pela primeira vez. Pela fotografia amarelada das chamas de uma fogueira, foi um momento muito intimista e que enfim removeu a casca grossa do personagem e o tornou mais identificável.

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Por fim, temos a jornada de Dolores e William (Jimmi Simpson), que cruzaram o desfiladeiro e finalmente chegaram ao local das pinturas de Dolores, aonde a voz de Arnold supostamente a guiava. Somos levados a um local desolado onde mais flashbacks nos levam aos primórdios do parque, com cenas dos Anfitriões robustos aprendendo a dançar (algo que já havíamos visto de relance em um dos episódios anteriores) e um iminente massacre que gera visões confusas com Dolores ameaçando atirar em si mesma. Tais cenas lembram o cinema de David Lynch, e sugerem que há algo ligado ao início do parque e o envolvimento de Arnold que a protagonista deve decifrar. O núcleo dos dois ainda termina com aguardado retorno de Logan (Ben Barnes), e a situação não parece boa para o casal, já que o antigo amigo aparece com uma tropa de soldados à procura dos dois.

Trace Decay talvez seja o melhor episódio de Westworld até então. Movido por um ritmo intenso e uma série de acontecimentos empolgantes e memoráveis, Westworld caminha para seus dois últimos episódios com a promessa de grandiosidade e respostas. Se manter a linha do que vimos neste episódio, será algo incrível.

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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