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Crítica | Whiplash: Em Busca da Perfeição – Suspense regado a jazz

Good job.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
8 de julho de 2016 · 3 min de leitura
Crítica | Whiplash: Em Busca da Perfeição – Suspense regado a jazz

Fico realmente impressionado quando um artista mostra do que é capaz logo em sua primeira grande obra. Orson Welles em Cidadão Kane, Jean-Luc Godard em Acossado, Quentin Tarantino em Cães de Aluguel e até mesmo Dan Gilroy com seu eficiente O Abutre. Cada uma dessas obras tems sua respectiva importância para os períodos em que foram lançados. Damien Chazelle não vai mudar o mundo ou a linguagem cinematográfica com Whiplash: Em Busca da Perfeição, mas cacetada… O sujeito é dos bons.

A trama é inspirada em um curta-metragem do próprio Chazelle, centrando-se no jovem Andrew Nieman (Miles Teller), ambicioso baterista que almeja ser um dos melhores de seu tempo. Solitário, sem amigos e não recebendo o reconhecimento esperado de sua família, Andrew é selecionado para a banda principal de sua escola de música, regida pelo influente Terence Fletcher (J.K. Simmons). Mas à medida em que Fletcher vai se revelando um monstro obsessivo, Andrew começa a questionar seus limites.

Basicamente, Whiplash faz com bateristas de jazz o que Cisne Negro fez com bailarinas. Desde os acessos surtados de obsessão pelo perfeito até os instrumentos ensaguentados, Damien Chazelle mantém uma condução segura e invejável, demonstrando domínio dos mais variados enquadramentos (de quantas formas se é possível filmar uma bateria?), planos, movimentos de câmeras velocidades de quadros por segundo. Ao lado do diretor de fotografia Sharone Meir, Chazelle visualiza uma Nova York sombria e ao mesmo tempo harmoniosa, alcançando uma coloração similar à que David Fincher e Jeff Cronenweth trazem em suas colaborações – o que, particularmente no meu caso, é sempre um ponto positivo.

E dedico aqui um parágrafo inteiro para o sobrenatural trabalho de montagem de Tom Cross. Responsável por organizar e mesclar todo o material capturado por Chazelle, Cross oferece uma montagem frenética e que acerta ao acelerar a passagem de tempo em alguns eventos com cortes rápidos e jump cuts, e também deixar a cena fluir por mais tempo quando necessário (como o primeiro flerte entre Andrew e Nicole, vivida pela carismática Melissa Benoist). Mas é mesmo nos números musicais que Cross se sobressai, onde cada transição acompanha uma nota musical; cada corte segue uma diferente batida das baquetas de Andrew. Trabalho digno de Oscar, nada menos.

Tecnicamente impecável, seu esqueleto básico não deixa a desejar. O roteiro é eficaz ao trazer diversas situações que testam os limites do protagonista, assim como diálogos fervorosos que exploram como sua ambição fica à uma tênue linha da vaidade: a discussão com primos à mesa do jantar e um frio término de namoro são apenas alguns dos exemplos. Mas nada do que Andrew faz é capaz de chegar aos pés do Fletcher de J.K. Simmons, que – em uma performance nada menos que espetacular – entrega um dos antagonistas mais brutais, sádicos e enigmáticos dos últimos tempos. Seu discurso sobre “a morte do jazz” e a aceitação do medíocre é genial, e cada gota de suor que vemos Miles Teller derramar enquanto toca a bateria como um louco é algo assustador de se contemplar, já que a catarse parece nunca chegar.

Whiplash: Em Busca da Perfeição é uma obra que funciona exatamente como uma orquestra sinfônica. Cada departamento exerce sua função magistralmente, tal como instrumentos musicais, cada um a seu ritmo e sob a conduta de um sujeito inteligente para entregar uma experiência inebriante. Ao final, tudo o que posso dizer é “bravo”.

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Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, EUA – 2014)

Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist, Paul Reiser, Austin Stowell
Gênero: Drama
Duração: 107 min

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Tags: #Damien Chazelle #J.K. Simmons #Miles Teller #Tom Cross
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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