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Denuvo processa cracker voices38 por pirataria de 26 jogos

Denuvo processa o cracker voices38 nos EUA, caso que lembra a ação de 2018 contra o hacker Voksi.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

A Denuvo entrou com uma ação judicial nos Estados Unidos contra um hacker conhecido como voices38, acusado de distribuir cracks que removem a proteção anti-pirataria da empresa de pelo menos 26 jogos. O caso reacende uma disputa que já dura mais de uma década entre a companhia e a comunidade de cracking.

Uma tecnologia que nasceu para ser inquebrável e nunca conseguiu ser

A Denuvo Software Solutions foi fundada em setembro de 2014, na Áustria, a partir de uma aquisição de gestão da DigitalWorks, empresa por trás da antiga tecnologia de proteção SecuROM. Seu sistema anti-tamper estreou junto com FIFA 15, no mesmo mês, e em janeiro de 2018 a companhia e seus 45 funcionários foram comprados pela Irdeto, que administra a tecnologia até hoje.

Desde o início, a Denuvo prometia ser praticamente impossível de quebrar, mas a realidade mostrou outra coisa. Já em dezembro de 2014, o grupo chinês 3DM alegou ter contornado a proteção em cerca de um mês, e o coletivo italiano CPY repetiu o feito com Assassin’s Creed Origins em 2018, três meses após o lançamento do jogo. Mais recentemente, a cracker conhecida como Empress virou referência na cena por decifrar implementações consideradas particularmente difíceis.

O software também acumulou críticas de desempenho ao longo dos anos. Jogos como Tekken 7 e Sonic Mania Plus apresentaram quedas de desempenho associadas à proteção, e uma análise da Digital Foundry mostrou que Resident Evil Village rodava visivelmente melhor depois que a Denuvo era removida, mesmo com a empresa negando qualquer impacto.

O cenário ficou ainda mais delicado neste ano, quando surgiu um método de bypass operando em nível de hypervisor, abaixo do próprio kernel do Windows, capaz de liberar versões pirateadas de jogos protegidos praticamente no dia do lançamento. A técnica preocupou até jogadores legítimos, receosos em conceder esse nível de acesso ao sistema para uma ferramenta feita por hackers, e motivou a Irdeto a prometer publicamente reforços de segurança. Pouco depois, outra dupla de pseudônimos, DenuvOwO e LinUwUx, lançou um método similar voltado para rodar esses jogos no Linux, funcionando, segundo eles, em 173 títulos diferentes.

Quem é voices38 e por que virou alvo

Dentro dos fóruns de pirataria, voices38 passou a ser tratado quase como um herói, alguém “ali para derrotar as corporações malignas”, segundo relatos da própria comunidade. Ele começou removendo a proteção de jogos mais antigos que ainda usavam o sistema, antes de migrar para lançamentos recentes de peso, como Black Myth: Wukong.

O processo movido pela Denuvo lista pelo menos 26 jogos afetados, incluindo Resident Evil Requiem, Stellar Blade, Black Myth Wukong, 007 First Light, Pragmata, Hogwarts Legacy, Sonic Frontiers, Assassin’s Creed Mirage, Mafia: The Old Country, Doom: The Dark Ages e Dead Space Remastered. Segundo a própria denúncia, voices38 teria contornado a proteção anti-tamper, retirado restrições de DRM e viabilizado a criação e distribuição de versões piratas de todos esses títulos.

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Uma ação que já nasce ultrapassada pela própria realidade

A queixa foi protocolada na segunda-feira (14) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. Como a Denuvo não detém os direitos autorais dos jogos em si, a empresa recorreu às disposições anti-circumvenção da DMCA, a lei americana de direitos autorais digitais, em vez de alegar violação de copyright diretamente.

Os pedidos incluem indenização por danos e uma ordem judicial proibindo voices38 de contornar a proteção da Denuvo “em qualquer jogo passado, presente ou futuro”. O detalhe chama atenção porque, desde que a lista de 26 jogos foi montada, o hacker já lançou cracks para outros títulos, incluindo Persona 3 Reload e Star Wars Outlaws, mostrando que a atividade seguiu normalmente mesmo depois do processo ser preparado.

Como a identidade real de voices38 ainda é desconhecida, a Denuvo listou um ID de usuário do Discord, uma conta no Reddit e sete perfis na Steam associados a ele, na expectativa de conseguir autorização judicial para intimar essas plataformas e revelar quem está por trás do apelido.

Não é a primeira vez que a empresa tenta essa estratégia

A Denuvo já usou caminho parecido antes, com resultados que foram além do tribunal. Em 2017 e 2018, a empresa processou Voksi, fundador do grupo cracker REVOLT, depois que ele criticou publicamente o quanto a proteção sobrecarregava processadores em jogos como Assassin’s Creed Origins. Na sequência, a polícia búlgara foi até a casa dele e confiscou seus computadores, em uma ação que a Irdeto classificou como prova de que a pirataria seria tratada como “crime grave”. Voksi, por sua vez, contestou a versão oficial, afirmando que não foi preso e que compareceu voluntariamente à delegacia.

Diante desse histórico, a resposta pública de voices38 ao processo soou familiar. Em mensagem publicada no fórum CrackWatch, no Reddit, ele minimizou a gravidade da situação: “Está tudo bem. Tudo vai continuar normal.”

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