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Emilia Clarke abre o coração sobre hemorragias cerebrais e a culpa que carregou por anos

Emilia Clarke faz discurso emocionante sobre suas duas hemorragias cerebrais e revela que escondeu o diagnóstico da HBO durante Game of Thrones.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Emilia Clarke usou o palco do Variety Power of Women London para falar com a franqueza que levou anos para encontrar. Homenageada no evento ao lado de Emma Corrin, Hannah Waddingham, Suki Waterhouse e Cynthia Erivo, a atriz de Game of Thrones revisitou as duas hemorragias cerebrais que sofreu aos 22 e 24 anos e revelou detalhes que nunca havia tornado públicos com tanta clareza.

A mais impactante das revelações: a HBO não soube das hemorragias durante as filmagens. “Não contamos à HBO até sabermos que eu não ia morrer, o que em termos de TV é geralmente quando eles te matam de qualquer jeito”, disse Clarke, mantendo o humor mesmo ao falar de um período que define sua vida até hoje.

O padrão que ninguém via, nem ela mesma

Clarke sofreu a primeira hemorragia aos 22 anos, enquanto filmava a primeira temporada de Game of Thrones. A segunda veio aos 24, quando ela fazia sua estreia na Broadway. Em ambos os casos, voltou às câmeras em semanas, convencida de que estava bem. O problema é que ninguém, incluindo ela, via o quadro completo.

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“Ignorei o que estava acontecendo com meus hormônios, ou melhor, a falta deles. A fadiga extrema que ninguém na minha faixa etária parecia ter. A ansiedade, a dor pelo corpo, o fato de desmaiar após longas filmagens noturnas. Eu simplesmente jogava tudo na conta do estresse”, contou a atriz. A percepção só veio muito depois: o problema não era ela. Era a falta de suporte adequado para quem sobrevive a um trauma cerebral.

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A culpa que durou anos

Clarke descreveu a sensação de ter sobrevivido como algo que gerou culpa, não alívio. “Por muitos anos, senti que tinha enganado a morte e que ela viria me pegar. Achei verdadeiramente que tinha feito algo errado e que não deveria estar aqui. Também achei que isso tinha arruinado minha capacidade de atuar, o que algumas pessoas podem concordar!”, disse com ironia.

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O discurso confronta um problema que ela chama de crise universal: sobreviver a um trauma cerebral não significa curar-se. A maioria dos sistemas de saúde trata o paciente até que o sangramento pare, remove o coágulo e manda a pessoa para casa. O que acontece depois raramente recebe atenção ou financiamento adequados.

A ONG que nasceu de uma dívida

Em 2019, Clarke decidiu contar publicamente o que havia vivido e co-fundou com sua mãe Jenny a organização SameYou, dedicada a melhorar o suporte pós-trauma para sobreviventes de lesões cerebrais. A resposta foi avassaladora. “Ficamos sobrecarregadas pela resposta. Principalmente jovens nos contaram suas próprias histórias. Hoje temos dezenas de milhares de sobreviventes em nossa comunidade dizendo essencialmente a mesma coisa: a jornada de cura parece cair de uma falésia sem ninguém para te pegar”, disse a atriz.

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Clarke revelou ainda que iniciou seu próprio processo tardio de recuperação, quinze anos após o primeiro sangramento, com a ajuda do médico David Putrino no Mount Sinai em Nova York. “Agora tenho a energia e a positividade que tinha nos meus vinte anos. Foi uma jornada, não uma cura milagrosa.”

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