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Ex-presidente da PlayStation testa a Steam Machine e não recomenda por enquanto

Shuhei Yoshida, ex-presidente da PlayStation Studios, testou a Steam Machine e classificou o aparelho como "difícil de recomendar"

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

O veterano que ajudou a construir a concorrência avalia a Steam Machine

Shuhei Yoshida passou 31 anos na Sony, ajudou a lançar o PlayStation original e comandou a SIE Worldwide Studios entre 2008 e 2019. Poucos nomes na indústria têm tanta autoridade para avaliar hardware de videogame quanto ele. Depois de colocar as mãos na Steam Machine, o executivo aposentado publicou uma série de impressões no X que resumem bem o dilema que a máquina da Valve enfrenta: um produto tecnicamente interessante, mas difícil de justificar pelo preço atual.

“É difícil recomendar às pessoas neste momento, a menos que seja para pesquisa”, concluiu Yoshida.

O que incomodou o executivo

A crítica mais direta foi sobre desempenho gráfico. “O desempenho 3D é só… meh”, escreveu Yoshida, completando com uma comparação que carrega peso vindo de quem ajudou a construir gerações de consoles Sony: “O sistema recomenda por padrão 1080p, estou voltando para os dias do PS4?” Ele também reclamou do tempo de boot de alguns jogos, questionando “o que está fazendo?” durante a espera, e apontou que os analógicos do Steam Controller estavam mais soltos do que gostaria.

O touchpad do controle também recebeu ressalva. Segundo Yoshida, é um recurso bem-vindo, mas “muito sensível e difícil de usar” na prática.

O que funcionou bem, segundo o teste

Nem tudo foi negativo. Yoshida elogiou a interface do sistema, chamando-a de “fácil de usar”, e destacou a possibilidade de ligar o console apertando um botão diretamente no controle como “um recurso matador”. As placas frontais intercambiáveis do aparelho também agradaram, e ele fez questão de destacar o fator de forma compacto e o baixo ruído da máquina como pontos fortes genuínos.

Essa avaliação é consistente com o que outros analistas independentes vêm reportando. Testes publicados por veículos especializados descrevem a Steam Machine como um pequeno triunfo de engenharia: um cubo praticamente silencioso, com resfriamento eficiente o suficiente para que um dos avaliadores precisasse encostar a orelha no aparelho para confirmar que estava ligado.

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O problema que ninguém consegue ignorar

O ponto final de Yoshida, sobre o preço ser “muito hostil”, ecoa a reação geral do mercado desde que a Valve anunciou os valores de US$ 1.049 para o modelo de 500 GB e US$ 1.349 para o de 2 TB. A própria Valve reconheceu publicamente que o preço ficou “significativamente maior” do que pretendia originalmente, atribuindo o aumento aos custos de componentes garantidos ao longo dos últimos seis meses, num contexto de crise de memória que já detalhamos em cobertura anterior.

A Valve também recuou na promessa inicial de “gaming em 4K a 60 FPS com FSR”, ajustando a comunicação para “até 4K com FSR 4.1” depois que testes independentes questionaram a capacidade do hardware de manter 4K60 consistente em títulos mais exigentes, como Cyberpunk 2077 e Black Myth: Wukong.

Um veredito que resume o momento do produto

A avaliação de Yoshida confirma o que boa parte da imprensa especializada já vinha sinalizando: a Steam Machine é um produto de design cuidadoso, com méritos técnicos reais em silêncio e compacidade, mas que chega ao mercado num momento particularmente hostil para justificar seu preço.

Para quem já é fã do Steam Deck e busca uma experiência mais robusta na sala de estar, o aparelho pode fazer sentido. Para o consumidor médio, mesmo a avaliação de um dos executivos mais experientes da indústria de consoles concorda: talvez valha esperar.

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