Cinema

Games para jogar depois de ver A Odisseia de Nolan

A Odisseia estreou com US$ 124 mi. Agora quer continuar a viagem?

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
9 min de leitura

A Odisseia de Christopher Nolan estreou no fim de semana de 17 de julho de 2026 com US$ 124,5 milhões nas bilheterias norte-americanas, 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e a maior abertura da carreira do diretor em termos globais. Matt Damon como Odisseu, Tom Holland, Zendaya, Anne Hathaway, Robert Pattinson e Charlize Theron num épico filmado inteiramente em câmeras IMAX em locações na Itália, Grécia, Islândia, Marrocos e Escócia. É o tipo de filme que deixa o espectador saindo do cinema querendo mais da mesma sensação.

O problema é que a mitologia grega, surpreendentemente, não tem uma biblioteca enorme de jogos. Há menos opções do que você esperaria para um material tão rico. Mas os que existem são frequentemente excepcionais, e há alguns títulos de outros universos que capturam o espírito da Odisseia com tanta precisão que pertencem à mesma conversa. Esta lista mistura as duas categorias de propósito.


Assassin’s Creed Odyssey (2018)

Já está no título, então vamos logo: é a escolha mais óbvia da lista e também a mais abrangente. Assassin’s Creed Odyssey é ambientado durante a Guerra do Peloponeso, por volta de 420 a.C., vários séculos depois da época em que A Odisseia de Homero se passa, mas a Grécia antiga está toda lá: o Egeu navegável, os templos, os deuses, e encontros diretos com o Ciclope, a Esfinge e o Minotauro. Odisseu aparece como personagem secundário.

É provavelmente o maior RPG de mundo aberto que a Ubisoft já fez, e um dos mais generosos em escala e detalhe histórico. A jornada da protagonista Kassandra (ou Alexios, dependendo da escolha do jogador) tem ressonância temática direta com o poema: alguém em busca da família, navegando entre ilhas, enfrentando forças maiores que si mesmo. Se você quiser a experiência mais próxima geograficamente e culturalmente do filme, comece aqui.

Disponível em: PS4, Xbox One, PC


Hades e Hades 2 (2020/2024)

A melhor representação dos deuses gregos nos videogames não está num épico de mundo aberto. Está em dois roguelikes da Supergiant Games onde os Olímpicos são sexy, mesquinhos, ciumentos e completamente viciantes. Em Hades, você controla Zagreus, filho do deus do submundo, tentando escapar do reino do pai com a ajuda de divindades como Poseidon, Atena e Ares. Em Hades 2, Odisseu aparece como personagem jogável e comenta sua própria história com o peso de alguém que já viveu tudo aquilo.

O que Supergiant fez foi capturar algo que poucos jogos conseguem: os deuses gregos são simultaneamente admiráveis e terríveis, generosos e egoístas, e sua relação com os mortais é de favorecimento arbitrário que pode ser revogado a qualquer momento. Quem assistiu A Odisseia entende que isso é precisamente a dinâmica do poema de Homero. Os jogos são também tecnicamente impecáveis.

Disponível em: PS4, PS5, Switch, Switch 2, Xbox One, Xbox Series, PC


God of War (trilogia e Sons of Sparta)

A trilogia original de God of War para PS2 e PS3 cobre toda a mitologia grega que você poderia querer: Kratos, o guerreiro espartano, percorre o Olimpo matando deuses com uma raiva que nunca se esgota. É violento, excessivo e filmicamente ambicioso para a época. Odisseu é personagem jogável no modo multiplayer de God of War: Ascension.

O lançamento mais recente e mais acessível é Sons of Sparta, um Metroidvania de rolagem lateral que serve de prelúdio a toda a franquia, ambientado na Grécia antiga com um Kratos mais jovem. Circe aparece como personagem, que aqui funciona como forjadora de equipamentos em vez de transformar o protagonista em porco. Para quem não tem acesso ao hardware das gerações anteriores, Sons of Sparta é a porta de entrada mais prática para a franquia grega da série.

Disponível em: PS4/PS5 via PlayStation Plus (remasters em nuvem), God of War 3 em PS4/PS5; Sons of Sparta em plataformas atuais


Total War Saga: Troy (2021)

Se você saiu do cinema querendo entender melhor o contexto da Guerra de Troia que Odisseu estava deixando para trás quando a história começa, Total War Saga: Troy é o único jogo que coloca você diretamente nesse conflito. Odisseu é um dos líderes de facção jogáveis, ao lado de Aquiles, Agamêmnon, Heitor e Páris. Você comanda os exércitos gregos ou troianos em batalhas em tempo real combinadas com gestão de império em turnos.

Não é o melhor jogo da série Total War, e a parte naval não tem o peso que o filme dá ao Mediterrâneo como espaço de perigo. Mas é o único jogo que deixa você comandar as forças da guerra que define toda a viagem de Odisseu, o que lhe dá uma dimensão de contexto histórico que nenhum outro título desta lista oferece.

Disponível em: PC


Immortals Fenyx Rising (2020)

Em 2020, a Ubisoft lançou Immortals Fenyx Rising num momento em que todo mundo ainda estava processando Breath of the Wild, e o jogo ficou para sempre associado à sombra do título da Nintendo que claramente o inspirou. É uma pena, porque Immortals é genuinamente divertido: Fenyx, um soldado grego naufragado numa ilha, precisa resgatar os deuses olímpicos que foram transformados em pedra por Tifão.

Odisseu aparece como um dos personagens com quem você interage, e a vibe geral de exploração arqueológica entre ruínas, templos e monstros tem uma leveza que combina bem com quem quer a estética do mundo grego sem o peso emocional do filme. É o mais acessível da lista em termos de curva de dificuldade.

Disponível em: Switch, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series, PC


Apotheon (2015)

Apotheon é uma das escolhas mais esteticamente corajosas desta lista. O jogo da Alientrap é um Metroidvania 2D com visual diretamente inspirado nas pinturas em cerâmica da Grécia antiga: personagens em silhueta, movendo-se contra fundos em tons de ocre, âmbar e negro que reproduzem o estilo das ânforas gregas de 500 a.C. É bonito de um jeito que nenhum outro jogo de mitologia grega consegue, porque escolheu a fonte primária em vez de tentar recriar o mundo antigo com realismo moderno.

A premissa é familiar: os deuses abandonaram a humanidade e você precisa matá-los para recuperar seus dons. Hera é a personagem que manda você nessa missão por ciúme de Zeus, o que é um detalhe de autenticidade mitológica que o jogo usa bem. É menor e menos ambicioso que os outros títulos desta lista, mas tem uma coerência visual e tonal que compensa.

Publicidade

Disponível em: PS4, PC


Titan Quest (2006)

Titan Quest é o Diablo na Grécia antiga: ação isométrica, loot, progressão de personagem, hordas de monstros mitológicos para matar. O jogo da Iron Lore tem vinte anos e ainda é jogado ativamente no Steam, o que diz algo sobre a durabilidade da fórmula e da ambientação. Os Titãs, predecessores dos deuses olímpicos, escaparam do aprisionamento e inundam o mundo de monstros enquanto os próprios deuses observam à distância.

Não é um jogo que vai emocionar ou provocar reflexão da forma que A Odisseia o faz. Mas se o que você quer depois do cinema é uma sessão longa de matar centauros, górgonas e sátiros enquanto coleta armaduras lendárias, Titan Quest entrega isso com competência que resistiu a duas décadas de concorrência.

Disponível em: PS4, Switch, Xbox One, PC (Anniversary Edition)


The Forgotten City (2021)

The Forgotten City começou como um mod de Skyrim e se tornou um jogo independente completo, ambientado numa cidade romana subterrânea presa num loop temporal. Não é grego, é romano, e sua época é muito posterior à da Odisseia. Mas o que o jogo explora, a relação entre humanos e deuses e o peso moral de escolhas individuais sobre o destino coletivo, é o núcleo filosófico do poema de Homero.

A premissa: qualquer crime cometido por uma única pessoa na cidade desencadeia uma punição divina que mata todos os habitantes. Você entra no loop, já que todos estão mortos, e precisa descobrir quem cometeu o crime e como sair. É um jogo de detetive e diálogo sobre livre-arbítrio, culpa e a arbitrariedade das regras divinas, exatamente as questões que Odisseu enfrenta durante os dez anos de viagem.

Disponível em: PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series, PC


Shadow of the Colossus (2005/2018)

Shadow of the Colossus não tem nada a ver com a Grécia antiga. Mas tem tudo a ver com o tom de A Odisseia: majestoso e melancólico, épico em escala, com uma paleta de cores fria e desbotada que ecoa a estética visual que Nolan escolheu para o filme. Um jovem escala e combate dezesseis gigantes de pedra num mundo vasto e silencioso, motivado por uma devoção que o jogo recusa a julgar até que seja tarde demais.

É também o único título desta lista que coloca o jogador no papel do vilão sem que você perceba, e faz isso com a mesma lógica da Odisseia: ações motivadas por amor podem destruir mundos. Um dos maiores jogos já feitos, e a única escolha desta lista que funciona como resposta emocional ao filme em vez de resposta temática ou geográfica.

Disponível em: PS4/PS5 (remake de 2018), PS2 e PS3 (versões originais)


Rime (2017)

Rime foi o primeiro jogo que veio à mente de muitos quando A Odisseia foi anunciada, e por um motivo que vai além da mitologia. O jogo da Tequila Works segue um menino que acorda naufragado numa ilha, sozinho, tentando encontrar o pai perdido. Sem diálogo, sem texto, só imagens, som e uma narrativa que se revela lentamente através da exploração de ruínas e paisagens que misturam o mediterrâneo com algo de fantástico.

É um jogo sobre luto e sobre o amor entre pai e filho, os dois temas que sustentam a Odisseia debaixo de toda a mitologia: Telêmaco esperando o pai, Odisseu querendo voltar para casa. Rime não cita Homero em nenhum momento, mas é o jogo desta lista que mais se parece com o que você sente quando o épico termina e as luzes acendem.

Disponível em: Switch, PS4, Xbox One, PC

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp