Cinema

Gore Verbinski, de Piratas do Caribe, critica uso de Unreal Engine em filmes; Epic Games rebate

O diretor Gore Verbinski afirmou que a engine de jogos causa um "vale da estranheza" no cinema. Pat Tubach, supervisor da Epic, defendeu a ferramenta.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Uma discussão acalorada sobre o futuro dos efeitos visuais em Hollywood tomou forma nesta semana. Gore Verbinski, o aclamado diretor responsável pelos três primeiros filmes de Piratas do Caribe, O Chamado e Rango, fez duras críticas ao uso crescente da Unreal Engine na produção cinematográfica. Em entrevista ao site But Why Tho, o cineasta argumentou que a ferramenta, originalmente criada para jogos, está prejudicando o realismo dos filmes modernos.

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Segundo Verbinski, a adoção da Unreal Engine para produzir e animar efeitos visuais de forma mais rápida do que softwares tradicionais, como o Autodesk Maya, resultou em uma queda de qualidade. Ele descreve o fenômeno como uma “estética de jogo” invadindo o cinema, criando um efeito de “vale da estranheza” (uncanny valley), onde os personagens e objetos parecem quase reais, mas falham em convencer o cérebro humano.

O diretor foi específico em suas críticas técnicas, apontando que a engine não processa a luz da mesma maneira que a fotografia tradicional ou softwares de renderização mais lentos. Ele citou problemas na reação da luz à pele (subsurface scattering) e reflexos, afirmando que muitas animações de criaturas são feitas automaticamente para ganhar velocidade, em vez de serem trabalhadas manualmente. Para Verbinski, substituir o Maya pela Unreal como base fundamental é o “maior retrocesso” da indústria.

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A resposta da Epic Games

As declarações não passaram despercebidas pela Epic Games, criadora da Unreal Engine. Pat Tubach, supervisor de efeitos visuais da empresa e veterano da indústria com quatro indicações ao Oscar, rebateu os comentários de Verbinski. Tubach possui autoridade no assunto, tendo trabalhado na Industrial Light & Magic (ILM) desde 1999 e participado da produção dos mesmos filmes de Piratas do Caribe dirigidos por Verbinski.

Em comunicado enviado à imprensa, Tubach classificou como imprecisa a afirmação de que uma única ferramenta seria a culpada por problemas na qualidade do CGI. Ele argumentou que, embora existam mais pessoas produzindo computação gráfica do que nunca — o que gera uma variação entre sucessos e fracassos —, a estética e a arte provêm dos artistas, não do software que utilizam.

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O supervisor destacou que a Unreal Engine é usada principalmente para pré-visualização e produção virtual e garantiu que os artistas que trabalharam nos blockbusters de 10 ou 15 anos atrás, incluindo ele mesmo, sonhavam em ter acesso a uma ferramenta tão poderosa quanto essa em suas mesas de trabalho. A defesa de Tubach reforça a visão de que a tecnologia é um meio de potencializar a criatividade, e não um substituto para a direção artística.

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