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Lista | 10 cinebiografias de pintores

O mais importante que um artista tem a oferecer é– ou, pelo menos, deveria ser – sua obra. No mundo da pintura, porém, tratando-se de um universo com bem menos holofotes que o do cinema e da cultura de massa, a biografia dos artistas pode ficar bem obscura. Ainda bem que as cinebiografias estão aí. Entre algumas mais quadradas e outras mais experimentais, assistir os longas a seguir é essencial para quem quer assistir a uma boa mistura entre as artes.

 

Moulin Rouge (1952, John Huston)

Cronista da belle époque, atento às contradições do mundo moderno e da vida urbana, Henri Toulouse-Lautrec é o biografado em Moulin Rouge. Nas diversas noites agitadas pelos tradicionais cabarés franceses, o filme se debruça sobre as paixões do pintor, sua boemia e sua obra a partir da produção de um cartaz que ele faz para o Moulin Rouge. Inspirado no romance de Pierre La Mure.

 

Sede de Viver (1956, Vincente Minnelli e George Cukor)

A tortura e o aprisionamento de um dos maiores pintores do século XX, grande nome do expressionismo, Vincent Van Gogh é encenado brilhantemente por Kirk Douglas, sob a direção de Vincente Minnelli e George Cukor. Inspirado no romance de Irving Stone – mesmo autor de Agonia e Êxtase, sobre Michelangelo –, o filme retrata as obsessões do pintor, seus relacionamentos tumultuosos e o apoio do irmão Theo, que lhe permitiu viver (e morrer) fazendo arte.

 

Andrei Rublev (1966, Andrei Tarkovski)

O que é a biografia de um pintor nas mãos de um grande cineasta como Andrei Tarkovski? Com certeza, não é uma história comum. Neste épico de mais de três horas, acompanhamos episódios da vida do iconógrafo Andrei Rublev, artista medieval, anterior à condição autoral trazida pela Renascença. Seja na mudança do preto e branco para os últimos minutos coloridos, ou seja na simples imagem de um balão ou da confecção de um sino, Tarkovski trata, no espaço e no tempo de Rublev, sobre os conflitos da vida, da arte e da fé.

 

Edvard Munch (1974, Peter Watkins)

Escrito e dirigido por Peter Watkins, de O Jogo da Guerra e Punishment Park, Edvard Munch é o tipo de biografia que, pela sua grandiloquência bem norteada, consegue tecer tanto uma ótima narrativa da vida do pintor, assim como uma análise psicológica profunda de seu personagem – algo essencial para compreender a mente do autor do famoso quadro O Grito. Conflitos sociais, sexo e morte são os ingredientes principais dessa expressiva (e expressionista) cinebiografia.

 

Caravaggio (1986, Derek Jarman)

Em Caravaggio, Derek Jarman faz uma narrativa clássica – um tanto diferente dos seus outros experimentos formais –, uma biografia do maior pintor do barroco italiano. A vida de Michelangelo Merisi, seu nome de batismo, com todas as suas dubiedades, tensões sexuais, impulsos de morte (o pintor é considerado um precursor da natureza morta), enfim, sua obra visceral aliada a uma vida intensa é um prato cheio para o diretor inglês punk.

 

Yumeji (1991, Seijun Suzuki)

Em seu último longa da Trilogia Taishō (em referência ao período, no Japão, que vai de 1912 a 1926), o experiente diretor Seijun Suzuki mistura sua estética surreal, pop, com uma história de fantasmas envolvendo o pintor e poeta Yumeji Takehisha. No filme, as obras do artista aparecem nas transições, ou como rascunhos, revelado um aspecto fantasmagórico que dialoga com a abordagem da narrativa. Intensamente colorido, é um dos longas mais estonteantes de Suzuki, cuja câmera parece sempre querer explorar cada vez mais o quadro cinematográfico.

 

Goya em Bordeaux (1999, Carlos Saura)

Goya, pintor espanhol, está em exílio voluntário em Bordeaux, na França. Velho e surdo, a personagem relembra, ao longo do filme, os episódios mais importantes da sua vida. E para narrá-los, Saura une-se com a quente fotografia de Vittorio Storaro para montar uma encenação bem anti-naturalista, abusando de tableaux vivants (quadros vivos) para homenagear o pintor que soube retratar o seu tempo em uma Espanha de atrasos, luxo e decadência.

 

Klimt (2006, Raúl Ruiz)

Nesse retrato sobre o artista austríaco Gustav Klimt, em uma bela interpretação de John Malkovich, o diretor chileno Raúl Ruiz faz um filme que busca retratar toda a sensualidade de suas pinturas simbolistas – especialmente na fotografia carregada de amarelo e laranja. Em toda a efervescência cultural na Viena do começo do século XX, o longa retrata as brigas entre os artistas pelo conceito de belo e os embates entre arte e decoração.

 

Ronda Noturna (2007, Peter Greenaway)

Neste extravagante retrato da vida de Rembrandt, feito pelo diretor de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, foca-se no período de produção do quadro do título. Mais do que um simples quadro, Ronda Noturna também guarda um mistério, relacionado a um assassinato, gerando uma polêmica na época.

 

Vida e Arte de Georgia O’Keeffe (2009, Bob Balaban)

Joan Allen e Jeremy Irons são Georgia O’Keefe e Alfred Stieglitz no filme para televisão de Bob Balaban – mais conhecido pelo seu trabalho de ator. Ela, uma das mais importantes pintoras norte-americanas do século XX, trazendo de maneira idílica temas de feminilidade e feminismo de uma maneira única. Alfred, fotógrafo, foi o responsável por reconhecer a qualidade do seu trabalho. Essas relações, no entanto, passam do âmbito artístico…

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Publicado por Henrique Artuni

Estudante de jornalismo, cinéfilo e crítico de cinema. É também editor de arte da Revista Esquinas.

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