O mito, a lenda, o ator mais surtado que já existiu, Nicolas Cage ainda vive entre nós sem perder um pingo de sua inesgotável energia de dedicação para todos os papéis em que interpreta ou o seu jeitão de Elvis descolado que de alguma forma consegue encarnar qualquer tipo de personagem e deixar sua marca nele. Mas que infelizmente dentro de uma carreira tão versátil participando de todos os gêneros possíveis, Cage parece só ser hoje classificado mais pelos seus baixos do que seus grandes altos que já provaram diversas vezes o seu grande e verdadeiro talento como ator.

E está aqui a lista para relembrar à vocês desses altos momentos de sua carreira, que não só mostram sua qualidade como ator mas também a qualidade dos ótimos filmes em que esse afilhado de Francis Ford Coppola já participou até hoje!

O Senhor das Armas (2005)

Quase perto de se tornar um pequeno clássico Cult para os vários fãs, O Senhor das Armas de Andrew Niccol impressiona por ter causado até hoje uma pequena repercussão dentre os fãs de Cage e pelo filme, que consiste em um estiloso e horas bruto estudo de moral em balanço no personagem Yuri, interpretado com uma interessante imprevisibilidade de Cage nos atos criminosos inescrupulosos do personagem, ao mesmo tempo em que não deixa de mostrar os efeitos que as mesmas causam nele. Que resulta em um filme que mesmo que não se aprofunde tanto nos temas que aborda, consegue despertar várias interessantes questões do mesmo graças à todo o talento envolvido com um ótimo elenco reunido de Ethan Hawke e Jared Leto, e uma direção inspirada de seu diretor, e claro, nosso amado Cage.

Coração Selvagem (1990)

Até mesmo um dos “mais fracos” filmes de David Lynch consegue ter sua marca criativa fortemente inspirada em fazer um belo road-movie romântico misturado com um conto de fadas macabro e sombrio junto de uma lábia de humor negro tirado de um filme dos irmãos Coen. Parece a mistura mais bizarra possível, mas que graças à todo o talento envolvido de um elenco igualmente inspirado com seu diretor, e com Cage através de seu personagem Sailor podendo extravasar livremente sua persona de Elvis Presley com problemas de raiva, e ainda formando um casal tão doce com a Lula de Laura Dern. Que acaba sendo um filme tão estranho e ao mesmo tempo bem especial.

Con Air: A Rota da Fuga (1997)

Um filme que poderia ter sido facilmente apenas outra versão esculhambada e preguiçosa de fazer “Duro de Matar em um avião” mas que graças a reunião de um elenco estelar que vai desde John Cusack, John Malkovich, Steve Buscemi, Ving Rhames e um Nicolas Cage cabeludo e musculoso, e a direção carregada de altos níveis de testosterona de Simon West, Com Air se torna esse perfeito produto de ação escapista e despretensiosa que não tem medo nenhum em ser cafona e brega, tanto ao ponto de funcionar tão bem e divertir o público até o fim, assim como seu rico elenco e protagonista estão claramente se divertindo.

O Sol de Cada Manhã (2005)

Você já pensou em querer uma anti-comédia romântica feel-good que mesmo que consiga garantir seus risos, na maioria do tempo está preocupado em desconstruir a triste realidade que seu personagem vive. Com a lenta e quase contemplativa direção de Gore Verbinski em um de seus trabalhos mais originais, fazendo do roteiro tão onírico de Steve Conrad um filme que aparenta em sua premissa e estrutura um perfeito mainstream gratuito de Hollywood e o torna em um intensamente triste e pessimista estudo de um personagem se afundando em sua crise existencial, sendo interpretado bravamente por Nicolas Cage em uma de suas performances mais subestimadas, criando em seu David Spritz quase uma sombra decadente e deprimida de um passado feliz que parece estar para sempre perdida. Com certeza não é um filme perfeito, mas que vale a assistida por ser uma bela e complexa narrativa que entrega o melhor de seu ator.

Os Vigaristas (2003)

Uma daquelas pérolas de filmes que às vezes sempre passa despercebida mas que consegue ter o seu valor lembrado após um tempo graças às qualidades que seu elenco e diretor conseguiram conquistar no público. E é esse perfeito casamento de talentos que faz de Os Vigaristas ser algo muito além do que um simples filme de causa e consequências da vida do crime, divertido e estilo nessa vertente, mas também um filme genuíno de amizade e família. Seja graças tanto pela direção sempre precisa de Ridley Scott, e uma química palpável de relações humanas verdadeiras entre os personagens de mestre e aprendiz entre Cage e Sam Rockwell, e também uma relação de pai e filha com Cage e Alison Lohman. E é o mesmo Cage no centro de tudo, fazendo um homem em conflito pelo que ama fazer e pelo amor de sua filha que se torna sua consciência moral, que se torna o grande coração do filme e o que nos desperta vontade em voltar para ele.

Arizona Nunca Mais (1987)

Como essa parceria nunca mais se repetiu, nunca saberemos, pois Nicolas Cage em sua ascensão trabalhando junto dos irmãos Coen parece um casamento predestinado nos céus. Tanto seja pela incrível habilidade dos irmãos em criar o seu humor afiado cheio de adrenalina e dinâmica aqui em uma de suas primeiras comédias despirocadas, ao mesmo tempo em que sabe misturar com isso a velha história Bonnie & Clyde no carismático casal formado por Cage e Holly Hunter que criam genuínas emoções e laços dramáticos o bastante para fazer do filme também um belo drama sobre família, mas não das que batem realmente da cabeça, e por isso é tão envolvente assistir a esse divertidíssimo filme.

A Rocha (1996)

Cage hoje é um ator que pertence à vários gêneros, e um deles é ser um digno astro de ação, e isso se deu início aqui graças à Michael Bay nesse que sem dúvidas é o seu melhor filme até hoje. Que dava aqui um grande segundo pontapé inicial em sua carreira mostrando que ele sabia muito bem comandar um blockbuster de ação gigante em um verdadeiro espetáculo de entretenimento que vai em um nível crescente de explosões e testosterona. E no meio disso tudo temos a incrível dupla de mocinhos formada por Sean Connery sênior ensinando Nicolas Cage à como ser um verdadeiro fodão na marra, indo contra o carismático vilão de Ed Harris, que por si só já fazem do todo desse filme ser completamente imperdível.

Despedida em Las Vegas (1995)

Eis que chegamos no filme que garantiu o único Oscar de Nicolas Cage, e como sempre vão haver aqueles que gostam de usar isso como uma depreciação, um prêmio fajuto para uma performance superestimada, e ignoram o fato deste não só ser uma de suas grandes performances que habita aqui em um de seus melhores filmes. Carregando em sua grande performance uma meditação sóbria, trágica e metafórica sobre o fardo do alcoolismo e o confronto com que aparenta ser o fim lentamente se aproximando de uma vida que parece ter perdido todo e qualquer sentido. Mas que encontra na igualmente incrível personagem de Sera de Elisabeth Shue alguém desajustado como ele e formado um relacionamento completamente desajustado, porém coberto de genuína paixão, mas submetidos a uma tragédia iminente. Um filme aterrador de se assistir, mas que vale a pena só pra ver o seu grande ator no seu melhor.

A Outra Face (1997)

Talvez o maior presente da carreira de Cage chegou quando ele veio a trabalhar aqui com o diretor John Woo e recebeu a oportunidade de, não só poder liberar a sua maior performance over-the-top caricata até hoje, mas poder realizá-la dentro de um filme de verdadeira e excelente qualidade. Com sua trama inteligente trama de troca de faces e personalidades aplicada dentro da clássica luta do policial contra o bandido, e no meio disso temos John Travolta personificando os três jeitos de Cage e o próprio Cage interpretando o personagem de Travolta enquanto interpreta à si mesmo. Como isso não pode ser ultrajantemente divertido?! E facilmente um dos melhores momentos da carreira de Cage!

Adaptação (2002)

Seja em qual papel e gênero que for, Cage sempre os abraçou sem piscar e se rendeu aos comandos dos diretores e autores por detrás do filme, mas talvez nunca tão perfeitamente quanto em Adaptação. Onde o ator não se torna o perfeito tipo de personagem de um filme de Spike Jonze, vivendo sempre na porta da crise existencial, como também encarna a persona do roteirista Charlie Kaufman de cabo a rabo e abraça o seu universo metalinguístico de realidade caótica em que vive, mas sem nunca abandonar suas genuínas emoções tão humanas e verdadeiros que colidem entre o humor e o drama constantemente. Uma brilhante performance em um brilhante filme que merece muito mais destaque e admiração.

Menção Honrosa:

A Lenda do Tesouro Perdido 1 e 2

Claro que são dois filmes nada demais em execução, mas por favor, como não conseguir se divertir com Cage se tornando através do seu personagem Benjamin Franklin Gates um tipo de Indiana Jones moderno com carisma de sobra e contracenando com coadjuvantes divertidos desses filmes perfeitas sessões da tarde despretensiosas e que fazem divertir à moda antiga com muita simplicidade.

Acha que deixamos de fora algum excelente filme ou performance do grande Nicolas Cage? Não deixe de nos dizer qual.

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