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Lista | Os Melhores Episódios de American Horror Story

CUIDADO: muitos spoilers à frente.

É complicado escolher apenas alguns episódios de American Horror Story, mas depois de muito vasculhar pelas seis temporadas já finalizadas da franquia antológica, conseguimos separar o melhor dos melhores – e aqui estamos buscando os capítulos mais tenebrosos, comoventes e bem construídos da série para compor a lista. Confira:

SMOLDERING CHILDREN (01×10)

A primeira temporada de American Horror Story pode ser caracterizada como insana. Seja por dar uma nova roupagem ao gênero de terror ou até mesmo por sua identidade imagética distorcida, Ryan Murphy pode até ter entregue uma interação competente, mas que chocou grande parte da audiência por seus acontecimentos explícitos e crus. Entretanto, é notável que o décimo episódio, intitulado Smoldering Children, merece reconhecimento por sua imprevisível virada no arco de Tate (Evan Peters) e Violet (Taissa Farmiga). Aqui, desde a construção cênica em diversos planos-sequência até a descoberta da personagem sobre sua condição como residente da “Casa Assassina” são feitas com o maior cuidado possível para se aproximar o quanto for possível de uma entrega poética e comovente em detrimento das saídas autoexplicativas.

UNHOLY NIGHT (02×08)

Asylum é considerado por muitos como a melhor temporada da franquia antológica AHS, e não é por qualquer motivo: além de ser adornada com personagens marcantes e storylines macabras, as aparições de atores e atrizes convidados traz apenas mais brilho para a iteração. Em Unholy Night, Ian McShane faz sua entrada triunfal como o macabro serial killer intitulado Anti-Papai Noel, cujos desequilíbrios emocionais e psicológicos o levam a matar as pessoas a sangue-frio e perscrutados com monólogos sobre a inerência da maldade nos seres humanos. Mas o episódio não é grandioso apenas por causa disso, e também pelo modo como esse personagem se relaciona com os outros pacientes do Manicômio Briarcliff, em especial com a Irmã Mary Eunice (Lily Rabe), a própria encarnação do mal.

THE NAME GAME (02×10)

Jessica Lange parece ser a estrela mais brilhante da série, e não é por menos. Sua performance como Irmã Judy cativou espectadores desde o primeiro momento em cena, e seu arco configurou-se como um dos mais bem delineados tanto da temporada quanto da franquia em si. E é em The Name Game que o sentimento de ódio e repulsa que tínhamos pela freira começa a dar lugar à pena: após sofrer um “motim” por seus superiores e colegas, Judy passa por um tratamento de choque e, condenada a passar o resto dos seus dias confinada nos corredores claustrofóbicos do manicômio e relembrar de seus dias de glória como artista de cabaré – culminando em uma animada sequência ao som da música que empresta o nome ao título do capítulo.

THE SEVEN WONDERS (03×13)

E tudo culmina aqui. A season finale de Coven conseguiu reunir o melhor da temporada em si, ultrapassando alguns deslizes óbvios nos primeiros capítulos e reafirmando sua complexidade, além de adicionar algumas camadas de intensidade para suas personagens. Através dos outros doze episódios, temas como liberdade sexual, empoderamento e sororidade foram tratados com uma delicadeza distorcida, sendo encarnados por personagens marcantes como Fiona Goode (Lange) e Cordelia Foxx (Sarah Paulson) – e aqui tudo encontra seu espaço sem cair na saturação narrativa e fornecendo um desfecho digno para cada uma das bruxas do clã, com sacrifícios inesperados, perdas emocionantes e uma reviravolta digna das obras de Murphy.

EDWARD MORDRAKE, PARTS 1 & 2 (04×03/04×04)

Realmente não há como separar esses dois episódios. Funcionando como uma análise antropológica dos “monstros” marginalizados dos anos 1950, Edward Mordrake constrói sequências catárticas para explanar o passado das criaturas do Gabinete de Curiosidade da Srta. Elsa, incluindo o do personagem mais interessante e aterrorizante da temporada – Twisty, o Palhaço (John Carroll Lynch). Sua história não apenas desmente a condição como antagonista e serial killer, como também viaja nas profundidades do ser humano, passando pelas facetas da admiração, do medo e da decepção. Além disso, quem não sentiu uma lágrima rolar ao ouvir as histórias de Amazon Eve ou Ma Petite durante a aparição de Mordrake (Wes Bentley) na noite de Halloween?

PINK CUPCAKES (04×05)

Freakshow pode não ter sido a melhor temporada da antologia de terror, mas isso não quer dizer que ela não teve seus momentos de glória. Apesar da superlotação de personagens e de seus desfechos improváveis e nem um pouco satisfatórios, a quarta iteração de AHS talvez foi a que mais mostrou a visceralidade da ambição humana e até que ponto alguém pode chegar para alcançar a fama. E não, não estamos falando de Elsa aqui, e sim do real vilão da história – Stanley (Denis O’Hare). O charlatão e falso produtor de Hollywood se infiltra no circo dos horrores para conseguir a confiança de seus residentes, apenas com o objetivo de levar as “monstruosidades” para seu museu. Em Pink Cupcakes, temos uma visão clara do que ele pretende: a cabeça dupla de Bette e Dot Tattler (Paulson), em uma sequência de envenenamento, agonia e súplica pela morte – até tudo se revelar um “sonho” do personagem e nos deixar aliviados.

CHUTES AND LADDERS (05×02)

A quinta temporada da franquia se afasta dos convencionalismos do terror para explorar o vício e a futilidade humanos, o apreço pelo glamour e a sensualidade própria das relações entre dominador e submisso de uma forma original e banhada a sangue. É exatamente isso que Chutes and Ladders traz para o Hotel Cortez: o fashion designer Will Drake (Chayenne Jackson) parece encontrar neste local o cenário perfeito para seu desfile, trazendo figuras reconhecidíssimas do mundo da moda como Naomi Campbell para comporem o elenco principal, além de dar abertura para cair nas garras controladoras da Condessa (Lady Gaga) e tornar-se seu servo sem mesmo perceber. A condução do episódio é tão intimista que não podemos deixar de soltar um suspiro ao final de seus quarenta e cinco minutos.

ROOM 33 (05×06)

Não há nada mais perigoso que um coração partido. No sexto episódio de Hotel, essa premissa é levada ao extremo da literalidade, visto que se desenrolar a partir da decepção amorosa da Condessa frente à conexão incontestável e inimaginável entre Liz Taylor (O’Hare) e Tristan Duffy (Finn Wittrock). O episódio trata com muita cautela um relacionamento amoroso LGBTQ, livrando-se dos estereótipos e fornecendo verdade aos personagens apresentados. Mas o ponto alto vem com a maior virada da temporada, durante a qual a vampira aparente abençoá-los, momentos antes de rasgar a garganta de Tristan e deixá-lo preso nos corredores claustrofóbicos do Cortez, impedindo que a consumação do amor do casal seja atingida. Morte, amargura e vingança são exatamente o que precisávamos para AHS – e é justamente isso o que o capítulo entrega.

CHAPTER 6 (06×06)

Todo mundo gosta de uma boa virada. Ainda mais quando não é possível prevê-la de nenhum modo. Em Roanoke, temporada na qual Murphy decide ousar desde a transmissão dos múltiplos teasers até a concepção da identidade narrativa, esse choque vem com o estilo mockumentary e se endossa no sexto capítulo, com uma jogada incrível: a metalinguagem. Após os acontecimentos da série My Roanoke Nightmare, o produtor executivo Sidney James (Chayenne Jackson) resolve renovar o show e fazer um reality show às escondidas com os protagonistas da reencenação e as reais vítimas dos ataques sobrenaturais, transformando a sexta iteração da antologia em algo surpreendentemente inovador e nostálgico ao mesmo tempo.

CHAPTER 9 (06×09)

O gore em sua essência cênica. Roanoke não se preocupa com a passividade cardíaca de seus espectadores e utiliza todos os artifícios imagéticos para dar uma nova roupagem à crueza do gênero terror. A narrativa, além de não precisar de explicações concisas em se tratando do sobrenatural, inclina-se para uma matança desenfreada que tem seu ápice em Chapter 9, com a introdução de personagens não tão bem desenvolvidos, mas que mostram a fragilidade humana. Aqui, Taissa Farmiga, Jon Bass e Jacob Artist invadem o set de gravações da segunda temporada do show para explorarem o que realmente aconteceu – e acabam sendo alvos dos colonos perdidos, encontrando sua ruína em uma cena de sacrifício extremamente explícita que perpassa diversas obras do terror, incluindo A Bruxa de Blair, CUT – Cenas de Horror e até mesmo O Sacrifício.

E aí? Concorda com nossa lista? Qual episódio você acha que ficou de fora? Não deixe de comentar de conferir o nosso Especial American Horror Story completo clicando aqui!

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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