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Lista | Os 5 Melhores Episódios de Avatar: A Lenda de Aang

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Eu lembrava que a animação era ótima. O que eu não lembrava era como o simbolismo visual dela era superior aos diálogos dos personagens. Inclusive, me perdoem os fãs (eu sou um!), mas em certo ponto os diálogos até prejudicavam a grandiosidade visual que o anime apresentava, momentos didáticos demais, sem necessidade de fala, pois o simples enquadramento já narrava tudo. Talvez tenha sido essa a falha do querido Shyamalan em seu filme, não ter percebido a grandiosidade visual da animação. Mas esta é uma crítica para outro texto.

Em Avatar: A Lenda de Aang, o aspecto visual se encontra seja em um enquadramento que mostra Katara segurando em seus braços o Avatar Aang quase morto pelo raio da princesa Azula. Ou em uma que mostra Sokka, Suki e o primeiro amor do jovem guerreiro, o espírito da Lua, bem alinhados, um simbólico triangulo amoroso bastante inteligente. Ou quando vemos uma expressão no rosto da Katara familiar a uma expressão já vista antes e sabemos o que ela pode fazer. Ou até mesmo quando posiciona personagens dentro do enquadramento destacando em diversos planos o que facilita o público no entendimento da ação de uma sequência (algo que os filmes de ação deveriam aprender).

E claro, não posso me esquecer do fim, revivendo os finais heroicos, em que o protagonista beija a mocinha, porém aqui Katara toma dianteira, primeiro em um abraço, simbolo do companheirismo e depois o beijo, símbolo do amor. Uma mensagem de que, talvez, o amor e companheirismo andam lado a lado e não contraposto. Até mesmo quando reutiliza de clichês do cinema americano, Avatar recheia com sua criatividade e reformismo.

Outro ponto interessante é o uso das cores nos episódios. No Livro 1, o azul predomina, por ser o livro da água, mas também da ainda inocência e tranquilidade de todos os personagens. No Livro 2, temos um marrom e um amarelo, é o livro da terra, é sólido, mas também sujo e por isso conflituoso, seja interno ou externo aos personagens, aqui vemos o Avatar cair e consumir sentimentos conflitantes, além, claro, do duelo introspectivo de Zukko, o personagem que mais se desenvolveu nesse livro, que dirá na série. O Livro 3 a predominância do vermelho, lógico, é o fogo e por isso a intensidade, a guerra, o sangue e a própria vida (sangue, te lembra algo desse livro?).

Avatar sabe contar uma história e por isso, me senti no dever de destacar aqui cinco excelentes episódios. Trabalho árduo e que me fez ter conflitos internos entre escolher um ou outro episódio. Espero que gostem do resultado e não se admirem se a maioria for da segunda temporada:

5 – A Rocha Fervente, parte 2 (Avatar S03E15).

Direção: Ethan Spaulding
Escrito: Joshua Hamilton

É um episódio de fuga de prisão muito bem conduzido, desde a ideia do plano de fuga e até mesmo a relação insossa entre Mai e Zukko são bem explorados aqui. A presença da princesa Azula e da Ty Lee que dão uma dimensão mais dramática, a primeira pelo laço familiar que apresenta, a segunda por uma revanche entre personagens que não dominam elementos mas conseguem lutar de forma linda e tão excitante quanto a de dominadores. O episódio reforça a inteligência de Zukko e dá inicio ao isolamento de Azula.

4- As Encruzilhadas do Destino (Avatar S02E20)

Direção: Michael Dante DiMartino
Escrito: Aaron Ehasz

O último episódio da segunda temporada, além de mostra o embate interno de Zukko que se vira contra o próprio tio, devo aqui dizer, corajoso o anime destacar a escolha de Zukko, dividindo o antagonismo e inocência no mesmo episódio, que consolida o arco dramático do personagem. O episódio faz coro às grandes continuações que temos no mundo do cinema, em seu próprio título fica claro o conflito que se estabelece, muito mais introspectivo de cada personagem do que, também existente conflito material entre eles. Aqui fecha-se o arco da queda dos heróis, destacados desde o Império Contra Ataca, até Batman o Cavaleiro das Trevas. Aang perde a batalha e quase morre, o que conclui no simbólico enquadramento de Katara segurando Aang em seu braços, rico em emoções, numa desconstrução da narrativa do herói.

3- A Bandida Cega (Avatar S02E06)

Direção: Ethan Spaulding
Escrito: Michael Dante DiMartino

Não há melhor personagem na série que não seja a Toph. A personagem cega que consegue dominar a terra e ser tão poderosa quanto qualquer pessoa. Os conflitos que sente entre confrontar os pais e a liberdade de dominar a terra. É o episódio que a apresenta pela primeira vez brinca com elementos clássicos do anime seja o tal torneio (que quase todo desenho japonês tem) à superação de entrave da personagem.

2- A Manipuladora de Fantoches (S03E08)

Direção: Joaquim dos Santos
Escrito:Tim Hedrick

Toda vez que se fala em Avatar, sempre, sempre, lembra-se da tal dominação de sangue. E se ela marcou tanto foi devido a esse episódio que brinca com o suspense e o terror (psicológico inclusive). Talvez o episódio só não esteja em primeiro pela rápido ascensão de Katara ao poder da dominação de sangue, mas a construção dos demais elementos é fantástica, seja o tom sombrio e a trilha que ajuda bastante nisso, a fotografia sempre permitindo a pouca luz que permeia advindo da Lua, seja a expressão marcante da senhora que episódios depois vemos familiar na Katara que demonstra sua dominação de sangue. É o ápice da criatividade da série que constrói um plot twist pouco a pouco e mesmo sabendo do final, ainda sentimos o gosto da surpresa no balançar dos braços da senhora ou sentimos o medo em seu áspero riso quando conclui seu objetivo. Ensinar a ultima dominadora de água a dominação de sangue.

1- Zukko Sozinho (S02E07)

Direção: Lauren Macmullan
Escrito: Elizabeth Welch Ehasz

Me fascina muito, em qualquer meio audiovisual, quando temos a retirada do protagonista de cena para uma construção melhor dos demais personagens, claro, sendo muito bem feito. O desenho conseguiu isso, neste episódio que nos apresenta a referências ao antigo cinema de faroeste, a fotografia alaranjada, o protagonista solitário, sem rumo e tentando se compreender e se entender, em uma jornada intimista. O episódio é isso, introspectivo, vemos o antagonista Zukko sendo protagonista de sua própria história, trabalhando em um campo com uma família arrasada pela guerra. É o episódio que inicia o lado Jedi de Zukko, nos mostra a empatia que o personagem tem, ao defender a família e a humildade que tem ao deixá-la, mesmo sendo escrachado por ela ao saberem que era filho do senhor do fogo. O realismo das ações dos personagens, tanto de Zukko se pôr a lutar pela família, quanto desta ao expurgar o príncipe, sem permitir sequer uma faísca de esperança entre as relações de dois grupo opostos em uma guerra. Zukko vai embora e com ele, a maldição que o carrega por ser filho do homem que destruiu aquelas vidas.

Avatar: A Lenda de Aang, como podemos perceber, é muito mais que o próprio protagonista (note que não há um protagonismo por completo de Aang nesses episódios) e quando uma série consegue dar uma dimensionalidade a todos seus personagens, ela consegue criar histórias tão memoráveis e ricas quanto a de toda a narrativa principal.

Escrito por Filipe Gabriel

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Publicado por Cemitério Bastidores

O cemitério é o usuário destinado para os membros inativos do site. Os créditos do autor se encontram no fim do corpo do texto.

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