Minions & Monstros tem a pior estreia da franquia nos EUA
Minions & Monstros liderou a bilheteria do 4 de julho nos EUA, mas com a menor abertura da franquia, arrecadando US$ 36 milhões
Um número que decepcionou apesar da liderança
Minions & Monstros liderou a bilheteria norte-americana do feriado de 4 de julho, mas o resultado ficou muito aquém do esperado. O prequel ambientado na Hollywood dos anos 1920 faturou US$ 36 milhões entre sexta e segunda-feira, e US$ 61 milhões desde a estreia na quarta anterior, longe da projeção de US$ 80 milhões para o período estendido de cinco dias. É a menor abertura da franquia até hoje, abaixo até do Meu Malvado Favorito original de 2010, que arrecadou US$ 56 milhões no fim de semana tradicional ao apresentar os Minions ao mundo pela primeira vez.
A comparação com os antecessores mais recentes escancara a queda. Minions: A Origem de Gru (2022) e Meu Malvado Favorito 4 (2024) abriram com US$ 123 milhões e US$ 122 milhões, respectivamente, no mesmo período de cinco dias do feriado.
Um problema de saturação, não de qualidade
O paradoxo do resultado é que Minions & Monstros foi bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público. O filme, dirigido pelo cocriador da série Pierre Coffin, tem 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota A- no CinemaScore, uma das melhores avaliações da franquia inteira. Ainda assim, o desempenho comercial doméstico sugere que a franquia está sofrendo de exploração excessiva.
David A. Gross, analista que publica o boletim de bilheteria FranchiseRe, resumiu o problema com precisão: “Sete capítulos é mais longe do que qualquer série de animação já foi. O público está mostrando cansaço agora. O filme vai ser lucrativo, mas é um tropeço.” A comparação com Toy Story, que produziu apenas cinco filmes em trinta anos contra sete capítulos de Meu Malvado Favorito em dezesseis, ilustra bem o argumento: escassez sustenta valor, saturação corrói.
O que ainda salva o resultado
Nem tudo são más notícias para a Universal e a Illumination. Internacionalmente, o filme foi bem recebido, com US$ 86 milhões no fim de semana e US$ 98 milhões acumulados fora dos Estados Unidos, elevando o total mundial a US$ 159,8 milhões. Títulos anteriores da franquia demonstraram boa capacidade de sustentação ao longo do verão, então Minions & Monstros ainda pode se recuperar nas próximas semanas apesar do início fraco.
O orçamento de produção também ajuda: US$ 85 milhões, ligeiramente menor do que os cerca de US$ 100 milhões dos capítulos anteriores, o que reduz a pressão para atingir um patamar de bilheteria tão alto quanto os filmes precedentes.
Supergirl afunda ainda mais
Enquanto isso, Supergirl viveu seu segundo fim de semana como uma queda livre. O filme da DC despencou 74%, faturando apenas US$ 9,6 milhões em 3.602 salas, e analistas de estúdios rivais acreditam que o número final, quando consolidado, pode ficar ainda menor. Com estreia de US$ 37,1 milhões e total acumulado de US$ 58,5 milhões domésticos e US$ 100,5 milhões globais, o filme confirma as projeções de prejuízo entre US$ 100 e US$ 120 milhões que já detalhamos em cobertura anterior, considerando o orçamento de US$ 170 milhões.
Gross apontou o padrão que conecta o fracasso de Supergirl ao de Thunderbolts, da Marvel, em 2025: heróis que não são nomes conhecidos do grande público sofrem muito mais no cinema atual do que heróis A-list como Superman ou Homem-Aranha. “Todo mundo no planeta conhece o Clark Kent e o Peter Parker”, disse o analista, referindo-se aos dois lançamentos que vêm sustentando o gênero em 2026.
O surpreendente terceiro lugar
Young Washington, produção histórica e patriótica da Angel Studios sobre a juventude de George Washington antes da Revolução Americana, surpreendeu ao abrir em terceiro lugar com US$ 20,8 milhões em 2.700 salas. O timing de lançamento, coincidindo com os 250 anos de independência dos Estados Unidos, funcionou exatamente como planejado. O filme recebeu nota A no CinemaScore do público, em contraste direto com apenas 57% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, um padrão recorrente em produções voltadas ao público religioso e conservador que a Angel Studios já domina.
O panorama geral do verão
Apesar do resultado fraco deste fim de semana específico, atribuído em parte ao calendário, já que o 4 de julho caiu num sábado, reduzindo o fluxo de público nos cinemas em favor de churrascos e fogos de artifício em casa, 2026 segue como o melhor verão de bilheteria desde a pandemia. Até o fim de junho, a temporada estava 17% à frente do mesmo período de 2025. Agora, esse número recuou para 11,9% acima do ano anterior.
Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Rentrak, colocou o resultado em perspectiva: “Quando o 4 de julho cai num sábado, pode ter impacto negativo na bilheteria. Ainda assim, os cinemas vêm numa sequência positiva desde o início do ano, com uma temporada de verão que deve ser a maior desde 2019.” As próximas semanas trazem Moana em versão live-action, A Odisseia de Christopher Nolan e Homem-Aranha: Um Novo Dia, os três apostas decisivas para que o verão ultrapasse a marca de US$ 4 bilhões pela segunda vez apenas no período pós-pandemia, repetindo o feito histórico de 2023 com Barbie e Oppenheimer.