PlayStation permite reimpressão de discos antigos mesmo após corte de 2028
Sony esclareceu que publishers poderão continuar reimprimindo discos de jogos já lançados antes de 2028, mesmo após o fim da produção para títulos novos.
O detalhe que faltava no anúncio anterior
Dias depois de confirmar publicamente que vai encerrar a produção de discos físicos para jogos novos de PlayStation a partir de janeiro de 2028, a Sony enviou um comunicado privado a publishers e desenvolvedores esclarecendo um ponto que o anúncio original havia deixado vago.
Segundo mensagem obtida pelo jornalista Stephen Totilo, do Game File, através do portal de desenvolvedores da PlayStation, a empresa confirmou que parceiros “ainda poderão fazer novos pedidos de discos de jogos de PlayStation já existentes” mesmo depois da data de corte.
Na prática, isso significa que um jogo de PS5 lançado em 2027, antes do prazo final, pode continuar recebendo novas remessas de discos impressos em 2028, 2029 ou além, desde que a publisher queira encomendar novas unidades.
O que muda e o que permanece igual
A Sony foi clara ao afirmar que o processo de encomenda de discos vai mudar de formas ainda não detalhadas. Observadores da indústria especulam que as reimpressões devem se tornar um processo mais sob demanda e especializado, diferente das produções em escala que o varejo tradicional pratica hoje. Não há informação sobre prazos mínimos de produção, quantidades mínimas por pedido ou possíveis mudanças nos canais de distribuição.
Para jogos lançados depois de janeiro de 2028, a história é diferente e definitiva: não haverá disco físico de forma alguma. A Sony confirmou que vai “oferecer aos publishers a oportunidade de lançar jogos novos no varejo usando códigos digitais”, sem detalhar exatamente como esse formato vai se apresentar fisicamente. A possibilidade mais provável, segundo analistas, é algo parecido com o modelo que GTA 6 já vai adotar neste ano: uma caixa física contendo apenas um código de resgate, sem nenhuma mídia real dentro.
A fábrica que já está se reinventando
O comunicado aos parceiros chega dias depois da revelação de que a maior fábrica de discos da Sony, localizada em Thalgau, na Áustria, já está reorganizando sua produção para se afastar da fabricação de discos, como detalhamos em cobertura anterior. Segundo Dietmar Tanzer, presidente da Sony DADC, os 300 funcionários da planta foram informados sobre a reestruturação, e a empresa já investiu aproximadamente €30 milhões em novos equipamentos voltados à produção de microlentes ópticas.
O detalhe que reforça a irreversibilidade da decisão é que a Sony já vinha se preparando havia tempo para essa transição, muito antes de qualquer anúncio público. A produção de PlayStation representa hoje 50% do volume da fábrica austríaca, com expectativa de cair para apenas 10% até 2028.
Reações de peso na indústria
A notícia gerou reações que vão muito além da comunidade de jogadores. Hideo Kojima, diretor de Death Stranding e uma das figuras mais respeitadas da indústria, declarou estar “realmente triste” com a decisão da Sony e disse sentir “medo pelo futuro da posse” de jogos como propriedade real do consumidor.
A Entertainment Software Association também precisou esclarecer publicamente sua posição sobre servidores privados depois de uma declaração anterior que classificava servidores como os de Minecraft como “ilegais” e “considerados pirataria”, gerando confusão adicional em meio ao debate sobre preservação digital.
O tema chegou até a política francesa. Jean-Luc Mélenchon, candidato à eleição presidencial da França no próximo ano, comentou tanto sobre a decisão da Sony quanto sobre o lançamento sem disco de GTA 6: “Amanhã, vocês vão pagar sem nunca possuir nada. Nem empréstimo, nem revenda, nem garantia de manter o que pagaram.” A Iam8Bit, empresa especializada em edições de colecionador físicas de jogos, declarou estar “profundamente decepcionada” com a decisão da Sony.
Uma petição que já passou de 45 mil assinaturas
A reação pública ao anúncio original já resultou numa petição no Change.org pedindo que a Sony reconsidere a decisão, que ultrapassou 45 mil assinaturas nos últimos dias. A Microsoft, por sua vez, decidiu provocar a concorrente: distribuiu CDs gratuitos através do GitHub, numa alfinetada bem-humorada à decisão da rival, mesmo com o próprio Xbox também caminhando para abandonar discos físicos em seu próximo console, o Project Helix.
As ações da Sony, curiosamente, subiram 7% desde o anúncio da decisão, sugerindo que o mercado financeiro está lendo a mudança exatamente como a lógica de lucro por unidade digital, que já detalhamos em cobertura anterior, sugere: uma jogada financeiramente vantajosa, independente da reação da comunidade de jogadores mais tradicional.