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Modelos do OnlyFans criticam retrato de Euphoria na 3ª temporada: ‘absurdo e caricato’

Criadores do OnlyFans criticam a 3ª temporada de Euphoria por retratar de forma caricata e estereotipada o trabalho na plataforma.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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A terceira temporada de Euphoria, disponível no HBO, trouxe de volta os personagens mais disfuncionais de Chino Hills — e desta vez colocou Cassie, vivida por Sydney Sweeney, no centro de uma jornada pelo OnlyFans. A trama mostra a personagem criando conteúdo para pagar os US$ 50 mil em flores do casamento com Nate, com Maddy como sua gerente improvisada. O arco gerou reação imediata entre criadores reais da plataforma, que se sentiram retratados de forma distorcida e prejudicial.

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“Há muito que é ridículo e caricato”, disse Sydney Leathers, criadora no OnlyFans desde 2017, em entrevista à Variety. “Muita coisa que eles fazem com ela não é nem permitida na plataforma, e só isso já é irritante.”

O problema com o conteúdo mostrado na série

A crítica mais direta envolve um traje específico usado por Cassie em cena — uma fantasia infantil que simula uma criança pequena. Esse tipo de conteúdo viola expressamente os Termos de Serviço do OnlyFans, que proíbem qualquer material que simule menores de idade, seja real ou encenado. A plataforma prevê desativação de conteúdo e encerramento de conta para quem desrespeitar a regra.

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Maitland Ward, atriz e uma das principais criadoras da plataforma — conhecida por papéis em Boy Meets World e White Chicks antes de migrar para o conteúdo adulto —, foi ainda mais direta. “No clima em que vivemos, vestir ela assim para fazer conteúdo pornográfico no OnlyFans foi além do perturbador e serve para perpetuar estereótipos de que trabalhadoras sexuais não têm bússola moral e farão qualquer coisa por dinheiro”, disse Ward. “Sempre existe o estigma falso de que trabalho sexual é sinônimo de tráfico e abuso. E eles simplesmente decidiram transformar isso em piada. Não estou rindo.”

A visão do criador da série

Sam Levinson explicou ao The Hollywood Reporter que a intenção era encontrar camadas de absurdo que impedissem o espectador de se perder na fantasia da personagem. Sobre a iluminação das cenas, o criador disse que usou apenas ring lights — aquelas usadas por criadores reais — para capturar tanto o que Cassie quer mostrar ao público quanto o quão deprimente é a situação vista de fora.

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Para Ward, essa explicação diz muito. “Isso me fala volumes sobre por que esse arco está sendo retratado da forma que está. Não está sendo levado a sério. Me lembra quando eu desfilava em lingerie em Boy Meets World. São só os caras na sala de roteiristas realizando fantasias.”

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A lógica invertida da série

Uma das críticas mais práticas vem de Alix Lynx, criadora e atriz do segmento adulto. Ela reconheceu que a cena em que Cassie vai a uma festa de influenciador para conseguir exposição tem alguma inteligência de marketing — mas ressaltou que a série vende uma ideia falsa de que basta ser bonita para ganhar dinheiro na plataforma.

“Retrata que, se você se vestir e fizer coisas loucas, vai ganhar dinheiro instantaneamente. Não funciona assim. Você precisa realmente construir e nutrir uma base de fãs.”

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As três criadoras ouvidas pela Variety concordam num ponto: na vida real, é essencial ter uma audiência consolidada antes de entrar no OnlyFans — não o contrário, como a série sugere. “Trabalhadoras sexuais tendem a ser hipersensíveis sobre como Hollywood nos retrata porque quase nunca é algo positivo”, resumiu Leathers. “É sempre absurdo ou deprimente, e raramente fiel à realidade.”

Tags: #Euphoria
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