Morre Robert Duvall, lenda de ‘O Poderoso Chefão’ e ‘Apocalypse Now’, aos 95 anos
O icônico ator Robert Duvall, estrela de clássicos como O Poderoso Chefão, Apocalypse Now e O Sol é Para Todos, faleceu em seu rancho na Virgínia.
O cinema se despede de um de seus maiores gigantes. Robert Duvall, o ator de olhar incisivo e talento inigualável que marcou gerações com atuações em O Poderoso Chefão, Apocalypse Now e A Força do Carinho, faleceu aos 95 anos.
A morte ocorreu no último domingo (15) em sua casa, um rancho localizado no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. A notícia foi confirmada por sua esposa, a argentina Luciana Duvall, por meio de um comunicado emocionante.
“Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele era simplesmente tudo”, declarou Luciana. “Sua paixão por sua arte era igualada apenas por seu profundo amor pelos personagens, por uma boa refeição e por cativar a todos. Em cada um de seus muitos papéis, Bob deu tudo de si para seus personagens e para a verdade do espírito humano que eles representavam.”
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Uma carreira de falas inesquecíveis e prêmios
Com sete indicações ao Oscar ao longo de sua trajetória, Duvall levou a estatueta de Melhor Ator em 1983 por seu retrato intimista de um cantor country alcoólatra em A Força do Carinho (Tender Mercies). No entanto, sua marca em Hollywood foi consolidada muito antes, trabalhando ao lado do diretor Francis Ford Coppola.
Duvall eternizou o advogado e conselheiro da família Corleone, Tom Hagen, nos dois primeiros filmes da saga O Poderoso Chefão (1972 e 1974). Poucos anos depois, entregou um dos momentos mais antológicos da história do cinema em Apocalypse Now (1979). Na pele do tenente-coronel Kilgore, fã de surfe e da guerra, ele proferiu a lendária frase: “Amo o cheiro de napalm pela manhã”. A cena caótica, filmada nas Filipinas com explosões reais ao fundo, foi gravada de forma impressionante em um único take.
Do silêncio ao estrelato
Curiosamente, o homem de falas icônicas despontou no cinema sem dizer uma única palavra. Sua estreia nas telonas foi como o recluso e misterioso Boo Radley no clássico O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird, de 1962).
Nascido em San Diego em 5 de janeiro de 1931, filho de um militar de carreira, Duvall descobriu a vocação para a atuação na faculdade. Mudou-se para Nova York em 1955, onde estudou teatro e dividiu um apartamento com outro jovem aspirante a ator: Dustin Hoffman. A dupla frequentemente recebia a visita de outro amigo em busca do estrelato, Gene Hackman. Na época, Hoffman chegou a declarar que Duvall era visto entre eles como “o novo Marlon Brando”.
O papel favorito: O faroeste na TV
Apesar do currículo invejável no cinema, com atuações em longas como Rede de Intrigas (1976), Um Dia de Fúria (1993) e O Apóstolo (1997), o próprio ator considerava o auge de sua carreira um trabalho feito para a televisão.
Duvall costumava dizer que seu papel favorito em toda a vida foi o do ex-Ranger do Texas Augustus McCrae na aclamada minissérie Os Pistoleiros do Oeste (Lonesome Dove, 1989). “Interpretar Augustus McCrae foi como o meu Hamlet”, afirmou certa vez em entrevista, revelando que conquistou o papel porque a primeira opção do estúdio não conseguia cavalgar por muito tempo — uma habilidade que Duvall dominava desde a infância.
Avesso aos holofotes e ao glamour artificial de Hollywood, Robert Duvall preferia a vida tranquila em seu rancho. Ele deixa a esposa, Luciana. O ator não teve filhos.