Nintendo também estranhou o visual do remake de Zelda: Ocarina of Time, admite Eiji Aonuma

Produtor diz que a própria equipe se surpreende com novos estilos e compara a reação à de The Wind Waker.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 3 min de leitura

Os fãs não foram os únicos a levar um susto com o novo visual de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Eiji Aonuma, produtor da série, contou em entrevista a um site americano que a própria equipe da Nintendo costuma reagir com espanto ao ver um estilo artístico inédito pela primeira vez. Segundo ele, a reação inicial às vezes é um simples “o quê!?”.

A declaração chega no dia em que o remake desembarca no Switch 2, embalado por uma recepção quase unânime da crítica, com média 96 no Metacritic. Quando a jogabilidade foi revelada, porém, parte do público estranhou o contraste entre o Link detalhado e os personagens secundários mais simples, cuja aparência foi inspirada em teatro de bonecos.

Do espanto à aceitação

Aonuma descreve um ciclo que a equipe conhece bem. Primeiro vem a surpresa, depois o costume e, por fim, a compreensão de por que aquele visual combina com o jogo. Para o produtor, se os jogadores passarem pelo mesmo processo, o susto pode ser um bom ponto de partida.

Ele também deixa claro que a mudança não é gratuita. A ideia, segundo Aonuma, é encontrar o estilo que melhor serve a cada jogo, e não mudar só por mudar. Jogos ligados pela história, como Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, compartilham o visual. Quando não há essa conexão, a busca é por uma identidade própria.

O produtor vai além e defende o risco. Na visão dele, apostar no que o público já espera significa desperdiçar a chance de causar impacto. Encontrar o tom certo, admite, às vezes é um caminho longo.

Uma série acostumada a dividir opiniões

A polêmica tem precedentes famosos na franquia. O caso mais lembrado é o de The Legend of Zelda: The Wind Waker. Em 2000, a Nintendo exibiu uma demonstração técnica com um Link adulto e realista, e um ano depois revelou um jogo em cel-shading, com traços de desenho animado. A reação foi tão negativa que parte dos fãs apelidou o jogo de “Celda”.

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Com o tempo, o visual de The Wind Waker se tornou um dos mais celebrados da série e envelheceu melhor do que muitos concorrentes da época. Skyward Sword, de 2011, também dividiu opiniões com sua estética inspirada em pinturas impressionistas antes de ganhar defensores.

Um remake que conquistou a crítica

No caso do novo Ocarina of Time, a desconfiança parece ter dado lugar à aprovação. Os críticos elogiaram a decisão da Nintendo de preservar a estrutura do clássico de 1998 e aplicar modernizações pontuais, como a taxa de 60 quadros por segundo e as cenas dubladas, que chegam em português para o público brasileiro.

O estilo visual segue como o ponto mais debatido das análises, com quem se encantou pelo realismo exagerado e quem sentiu falta da identidade da série. The Legend of Zelda: Ocarina of Time já está disponível exclusivamente para Nintendo Switch 2 e faz parte das comemorações dos 40 anos da franquia.

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