O final explicado de Backrooms: Um Não-Lugar
Kane Parsons, diretor de Backrooms, explica o significado por trás do final ambíguo do filme de terror da A24.
Aviso: este texto contém spoilers do final de Backrooms.
O que realmente significa o final de Backrooms, segundo o diretor Kane Parsons
Backrooms termina em uma cena ambígua o suficiente para deixar qualquer plateia debatendo por dias. O diretor Kane Parsons, ao ser questionado sobre a interpretação da própria obra, preferiu não entregar respostas fáceis, mas deixou pistas importantes sobre o que realmente acontece com o protagonista Clark no clímax do filme.
Na trama, Clark, dono de uma loja de móveis fracassado como arquiteto, descobre um portal para uma dimensão labiríntica de salas intermináveis conhecida como Backrooms. Depois de perder alguns funcionários para a criatura que habita o lugar, sua terapeuta, a Dra. Mary Kline, vivida por Renate Reinsve, entra no espaço em busca dele e acaba sendo mantida refém.
Quem é o monstro que mata Clark
A grande revelação do filme mostra que a criatura, chamada de “the Lifeform” no roteiro, é na verdade uma versão distorcida do próprio Clark, vestida com a fantasia de pirata usada nos anúncios de sua loja de móveis. Clark afirma estar em paz com essa versão monstruosa de si mesmo, algo que Mary rejeita completamente, chamando-o de iludido, autodestrutivo e incapaz de enxergar o mundo pela perspectiva de qualquer outra pessoa.
É justamente esse confronto que desencadeia o desfecho: ao abraçar a criatura como forma de expressar sua aceitação daquele lugar, Clark é morto por ela, mordido até a morte.
O que o diretor revela sobre o significado da cena
Parsons descreve o momento da morte de Clark como o motor de todo o filme, a chave para entender a real relação entre o protagonista e o espaço que ele tentou adotar como lar. Segundo o diretor, as Backrooms funcionam como uma câmara de eco do mundo interior de Clark, um reflexo distorcido de seus próprios desejos e traumas, projetado literalmente nas paredes ao seu redor.
A criatura que o mata seria, segundo Parsons, uma extensão dessa mesma lógica: assim como os cômodos distorcidos da loja de móveis são versões “mal-lembradas” da realidade, a versão monstruosa de Clark também reflete, em tempo real, aspectos de quem ele realmente é.
Uma explicação que pode ser só uma suposição do próprio personagem
Parsons faz questão de deixar claro que a interpretação de Clark sobre o próprio lugar não deveria ser tomada como verdade absoluta sobre as Backrooms. Segundo o diretor, é apenas o melhor palpite do personagem, moldado por sua própria negação e autoengano.
O reencontro com Mary, ainda segundo Parsons, quebra justamente essa estabilidade frágil que Clark havia construído para si mesmo dentro do espaço, forçando-o a admitir, mesmo que só para si, que nunca encontrou a paz que dizia ter alcançado ali.
E o que acontece com Mary depois de escapar?
Depois que a criatura mata Clark, Mary se solta e foge, perseguida pela versão monstruosa dele, até ser encontrada e nocauteada por cientistas da Async, empresa que estuda secretamente as Backrooms havia anos. A organização leva a criatura para estudo, enquanto Mary é levada para uma sala de interrogatório, onde o pesquisador Phil, vivido por Mark Duplass, revela o pouco que a companhia já entendeu sobre o lugar: as Backrooms funcionariam como uma espécie de espaço de eco de memórias, o que explicaria por que tantos ambientes ali parecem familiares, mas nunca exatamente corretos, já que a memória humana nunca retém uma lembrança perfeita de um lugar ou de uma pessoa.
O filme encerra com uma montagem silenciosa mostrando as Backrooms recriando lugares da própria memória de Mary, incluindo a casa de sua infância, seguida da imagem de uma versão distorcida dela mesma, sentada sozinha dentro daquele espaço. A sugestão é que Mary passou tempo suficiente ali para que o lugar absorvesse e criasse sua própria versão dela, que permanecerá presa nas Backrooms para sempre, mesmo com a Mary real de volta ao mundo real.
Assim como Clark, ela também carrega os próprios traumas de infância, criada em um lar abusivo e isolado do mundo externo, o que reforça a leitura de que as Backrooms funcionam como uma prisão construída a partir das memórias e feridas emocionais de quem entra ali.
Um final pensado para abrir as portas de uma sequência
Parsons não escondeu que o final ambíguo foi planejado desde o início para viabilizar continuações. Segundo o diretor, a ideia de expandir o universo em outros filmes é uma intenção que existe desde 2022, quando a série original de curtas ganhou vida no YouTube.
Ainda assim, quando perguntado diretamente se a criatura está evoluindo para refletir Clark ao longo do tempo, ou se representa algo fixo criado pelas Backrooms em um único momento, Parsons preferiu não comentar, alegando precisar guardar alguns segredos para uma eventual sequência.
Backrooms está em cartaz nos cinemas.