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Sony confirma fim da mídia física no PlayStation a partir de 2028

Sony anunciou que vai descontinuar a produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

O fim de uma era com data marcada

A Sony anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho, que vai encerrar a produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A partir dessa data, todo lançamento novo estará disponível apenas em formato digital, seja pela PlayStation Store ou por códigos vendidos em varejistas físicos. O comunicado, publicado no PlayStation Blog, deixa claro que jogos já lançados ou que ainda serão lançados em disco antes de janeiro de 2028 não são afetados pela mudança.

“Conforme as preferências dos consumidores e a indústria de entretenimento continuam migrando dos discos físicos para o digital, a produção de discos físicos para todos os novos jogos lançados em consoles PlayStation será descontinuada a partir de janeiro de 2028”, afirmou a Sony no comunicado oficial.

Os números que justificam a decisão

A Sony reportou que 78% das vendas de jogos completos no último ano fiscal, encerrado em abril de 2026, vieram de downloads digitais. É um número que vem crescendo de forma consistente há anos e que torna a manutenção de uma cadeia de produção física cada vez mais difícil de justificar economicamente. A própria Sony e a Microsoft já haviam sinalizado essa tendência ao lançar, em 2020, versões mais baratas de seus consoles sem leitor de disco.

A empresa afirmou que pretende continuar oferecendo opções de compra tanto em varejistas físicos quanto na loja digital, mas não detalhou exatamente como isso vai funcionar na prática após 2028. A formulação mais provável é a mesma que GTA 6 já está adotando: caixas físicas contendo apenas um código de resgate, sem nenhuma mídia real dentro.

O que isso significa para o PS6

O anúncio praticamente confirma que o próximo console da Sony não terá suporte a discos, ou que, se tiver, será através de um leitor removível opcional, como já é especulado por insiders. Mais relevante ainda: a data de corte de janeiro de 2028 sugere fortemente que o PlayStation 6 não vai chegar ao mercado antes desse período. Piers Harding-Rolls, analista sênior da Ampere Analysis, foi direto ao comentar o anúncio: “Isso praticamente garante que o PS6 não vai chegar antes de 2028.”

A conexão faz sentido dentro do que já vínhamos cobrindo sobre a crise de memória e os custos de fabricação do PS6, que já ultrapassam US$ 960 por unidade segundo estimativas recentes. Eliminar a necessidade de leitor de disco reduz custo de hardware num momento em que cada dólar de componente importa para a Sony equilibrar o preço final do console.

O precedente que já vinha se formando

O anúncio de hoje não chega isolado. Na semana passada, a Rockstar confirmou que GTA 6, provavelmente o maior lançamento da década, vai chegar sem disco físico, apenas com código de download dentro da caixa. Antes disso, o Nintendo Switch 2 já havia introduzido o conceito de “game-key cards”, cartões físicos que não contêm o jogo, apenas um comando para iniciar o download. E mesmo discos físicos atuais frequentemente contêm apenas fragmentos dos jogos: o site Does It Play testou mais de três mil títulos e descobriu que a versão em disco de 007: First Light, por exemplo, contém apenas a primeira missão do jogo, com todo o resto precisando ser baixado.

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A Sony também confirmou, no mesmo comunicado, o encerramento das lojas digitais de PS3 e PS Vita, adicionando mais uma camada à discussão sobre preservação de jogos que já vínhamos cobrindo com a remoção de 551 filmes das bibliotecas da PlayStation Store.

O impacto para preservação e colecionadores

A decisão acende um alerta sério para quem se preocupa com preservação de jogos. Diferentemente do mercado de cinema, que tem distribuidoras boutique como Criterion e Arrow mantendo vivo o mercado de mídia física de qualidade, a indústria de games não tem uma infraestrutura equivalente consolidada para blockbusters modernos. A Limited Run Games e a Digital Eclipse fazem esse trabalho principalmente para jogos independentes ou títulos mais antigos, não para lançamentos AAA recentes.

Sem disco físico, cada jogo digital-only se torna vulnerável ao que a comunidade de preservação chama de risco de desaparecimento por decisão executiva: se um dia a Sony decidir remover um título das lojas digitais, ou encerrar servidores de ativação, não existe cópia física alternativa para preservar o acesso. A reação nos fóruns da PlayStation foi imediata e majoritariamente negativa, com usuários descrevendo a decisão como “anticonsumidor” e comparando o movimento ao que a Microsoft já vinha sinalizando para sua própria linha de consoles.

Para quem valoriza mídia física, a mensagem prática é simples: os próximos dezenove meses são a última janela garantida para comprar jogos de PlayStation em disco antes que essa opção deixe de existir, ao menos como conhecemos hoje.

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