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PS VR2 completa três anos com mais de 300 jogos e catálogo em evolução

O PS VR2 completa três anos com mais de 300 títulos, compatibilidade com PC via Steam e novos lançamentos que diversificam o catálogo em 2026.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Três anos depois, o headset que sobreviveu

Quando o PlayStation VR2 foi lançado em fevereiro de 2023, a recepção foi dividida. O hardware era tecnicamente impressionante, com rastreamento ocular, feedback háptico no próprio headset e resolução superior ao modelo anterior. Mas o catálogo inicial era enxuto e o preço de lançamento, R$ 3.999, afastou boa parte do público.

A Sony reduziu o valor em fevereiro de 2025 e adicionou compatibilidade com PC via adaptador, abrindo acesso à biblioteca de VR da Steam. Com mais de 300 títulos disponíveis hoje e uma seleção de lançamentos recentes que cobre desde simuladores de dardos até shooters no estilo anos 90, o PS VR2 chegou ao terceiro aniversário num estado diferente do que estava na largada.

Uma plataforma que mudou de foco

O perfil do catálogo do PS VR2 em 2026 é diferente do que era no lançamento. As demonstrações curtas e as experiências de vitrine que dominavam os primeiros meses foram progressivamente substituídas por jogos mais longos e com mais substância. RPGs de 40 horas e jogos de terror que exploram o rastreamento ocular como mecânica central já estão presentes na PlayStation Store. A tecnologia de eye-tracking, que permite ao jogo detectar para onde o jogador está olhando e reagir a isso em tempo real, abre possibilidades de interação que simplesmente não existem em telas convencionais.

A compatibilidade com PC foi o movimento mais importante da plataforma desde o lançamento. Com o adaptador lançado em agosto de 2024, o PS VR2 passou a rodar jogos da Steam, dando acesso a uma biblioteca de VR incomparavelmente maior do que a da PlayStation Store isoladamente. Títulos como Microsoft Flight Simulator 2024 e Aces of Thunder exemplificam como o headset passou a servir também quem quer qualidade de imagem de ponta sem montar um PC de alta performance dedicado exclusivamente a isso.

Os lançamentos recentes que definem o catálogo atual

WRATH: Aeon of Ruin VR — Brutal Edition chegou em abril de 2026 pela Team Beef, estúdio especializado em ports para VR. O shooter mantém a estética dos anos 90, com level design labiríntico e ritmo frenético, aproveitando os gatilhos adaptáveis do Sense para dar peso físico a cada disparo. É o tipo de conversão que mostra o que o hardware consegue fazer com material que já provou seu valor.

Darts VR2: Bullseye, da Immersive Gamitronics Studio, também chegou em abril, usando o rastreamento ocular para calibrar precisão em partidas online. É um dos casos mais diretos de como o eye-tracking funciona como mecânica real, não apenas como demonstração técnica.

Shop & Stuff: Supermarket Simulator, lançado em fevereiro pela HyperVR Games, tornou-se um dos títulos mais comentados do ano. O conceito de gerenciar e operar um mercado com interações físicas capturou um público que normalmente não busca VR, aproximando o headset do nicho de simuladores de vida que têm sido tendência no mercado.

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Trial of Greed VR, da Nextgo24 UG, chegou em abril como dungeon crawler focado em combate tátil. A premissa tem camada de design interessante: o perigo não são apenas os inimigos, mas a própria ganância do jogador ao tentar levar mais tesouros do que consegue carregar.

Battlecrafter VR, da Meta Quest, foi lançado em dezembro de 2025 com uma proposta incomum. O jogador restaura itens históricos num museu militar em Marte usando ferramentas como polidores de disco, limpadores ultrassônicos e impressoras 3D. É o tipo de experiência de nicho que não funcionaria em tela convencional e que o VR transforma num exercício criativo genuíno.

Feed My Raptor VR, também da Nextgo24 UG, é a aposta mais divertida e acessível do lote: o jogador entra num cercado para alimentar um raptor com as mãos, atirando carne e frutas enquanto usa controles de movimento para interagir com o dinossauro. Sem pretensão de ser mais do que é, funciona como ponto de entrada para quem ainda não experimentou realidade virtual.

O que ainda falta

O PS VR2 chegou ao terceiro aniversário num estado de saúde melhor do que os números de vendas sugerem. O headset nunca foi um fenômeno de massa, e a Sony não parece mais esperar que seja. O que a plataforma tem construído de forma consistente é um catálogo diverso, tecnologia sem concorrente direto no console e uma ponte para o PC que expande as possibilidades além do que a PlayStation Store oferece isoladamente.

O que ainda falta é uma franquia de peso nova, algo com o impacto que Horizon: Call of the Mountain teve no lançamento. Os títulos confirmados para 2026 incluem Thief VR: Legacy of Shadow e Lumines Arise, mas nenhum deles tem o peso de um título de vitrine capaz de justificar a compra do hardware por si só. Para quem já tem o PS VR2, o catálogo de 2026 é o mais completo da história da plataforma. Para quem ainda está decidindo, a espera por um argumento irresistível continua.

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